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Plaza San Martin

Depois de uma looonga pausa, retomo os post falando sobre os meus lugares preferidos em Buenos Aires. Acho que demorei tanto pra postar de novo porque, não importa se faz seis dias ou seis meses que não vou lá, sempre que vejo fotos ou leio sobre a cidade, dá uma saudade de Buenos Aires… Pra começar, nada melhor do que o lugar que me deu a primeira impressão da cidade, a Plaza San Martin. Na minha primeira visita, fiquei hospedada num hotel ali do ladinho, o Loi Suites Arenales. Assim que fiz o check in, fui correndo dar uma volta pelos arredores, que eram a própria praça.   

A Plaza San Martin é como se fosse um oásis no centro de Buenos Aires. Parece até que a gente não está no centro (e sim na Recoleta!). É uma grande área verde, rodeada por prédios lindíssimos, onde, em outros tempos, viveram algumas das famílias mais importantes da Argentina. Os que ainda hoje funcionam como residências são tão chiques que deixam a gente imaginando mil coisas sobre a vida das pessoas que vivem ali.   

Um desses prédios é o Edificio Kavanagh, de estilo art deco. Construído na década de 1930, por Corina Kavanagh, matriarca de uma das famílias mais ricas da cidade (rica, mas sem tradição…), chegou a ser o prédio mais alto da América do Sul na época.

   

Momento Caras: reza a lenda que o prédio foi erguido para impedir que a família Anchorena – outra da fina flor portenha – avistasse de sua casa, o atual Palácio San Martin, a fachada da igreja que eles haviam construído ali próximo, a Basilica del Santisimo Sacramento. De fato, a pobre da igreja ficou tão escondidinha que é preciso dar a volta no Edificio Kavanagh para enxergá-la. E isso tudo porque Mercedes Anchorena não havia permitido que um de seus filhos se casasse com a filha de Corina, já que a família Kavanagh não era de origem argentina!

Tá dando pra ver a Basílica ali atrás, à esquerda?

Para saber a versão menos romântica dessa fofoca histórica, é preciso visitar o Palácio San Martin. Atualmente funciona lá um anexo da Cancilleria Argentina (Ministério das Relações Exteriores), cujo prédio principal, bem contemporâneo, fica do outro lado da rua, e cria um contraste bonito com o palácio construído em estilo francês do fim do século XIX. 

A visita guiada ao Palácio San Martin é gratuita, mas é bom ligar antes para confirmar, porque pode ser que haja alguma solenidade marcada, o que suspende o acesso do público. Quando fiz a visita, a guia era ótima, e o passeio não foi nada chato. Uma curiosidade: nos jardins do palácio, há um pedaço do Muro de Berlim, doado pela Alemanha como presente à Argentina. No lado oposto da praça, está o Círculo Militar, antigo Palácio Paz, outra bela construção de época aberta a visitação (mas aqui é preciso pagar). Não entrei nesse ainda, mas, na próxima viagem…  

Voltando à Plaza San Martin… a tranqüilidade do lugar contrasta com a confusão do centro da cidade, por isso, os moradores da cidade usam bastante a praça. Muita gente que trabalha no centro aproveita a sombra das árvores para almoçar por lá. Também há um espaço para os passeadores de cachorros, essas figuras tão típicas de Buenos Aires. Mas a praça está sempre limpa, porque, fora do cercadinho, é proibido andar com cachorro! E tem ainda um imenso gramado onde o povo toma sol. 

 

Dali, a vista da Torre de Ingleses é linda, principalmente no fim da tarde. Essa torre, que é uma réplica do Big Ben, mudou oficialmente de nome depois da Guerra das Malvinas, mas ninguém se acostumou com o novo nome, do qual eu nem me lembro! Por mais que os argentinos tentem, não conseguem se livrar dos sinais da presença dos ingleses em sua capital… A torre abre ao público durante alguns períodos do ano, mas eu nunca consegui vê-la aberta. 

Descendo as escadarias laterais da praça em direção à Torre, fica um monumento em homenagem aos soldados mortos na Guerra das Malvinas, e, mais adiante, a estação de trens e ônibus do Retiro (que dá nome ao bairro, aliás), com uma concentração enorme dos coloridíssimos ônibus de Buenos Aires (que eu acho uma graça!). 

    

Na esquina da Plaza San Martin com a Avenida Santa Fé, tem um café que adoro, o Desiderio, que fica aberto o dia inteiro e serve do café da manhã ao jantar. Outra opção, mais fina, é o restaurante Bengal, que já foi visitado pelos Destemperados.

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Onde ficar em Buenos Aires? Retiro (ou o mais perto do Centro onde é razoável se hospedar)

Você está indo pela primeira vez a Buenos Aires e não abre mão de se hospedar no Centro, porque acha que vai ficar mais perto das atrações que visitará numa primeira viagem?
É verdade que muitos dos pontos turísticos que todo mundo quer ver da primeira vez em Buenos Aires estão no Centro ou perto dele (e por “Centro”, entenda-se o que eles chamam de “Microcentro”). Mas a minha impressão dessa parte da cidade não é das melhores… Eu acho o lugar muito barulhento e cheio de gente durante o dia e meio suspeito à noite. Ou seja, é como o centro de qualquer grande capital aqui do Brasil, e esse não é o tipo de lugar em que eu gostaria de dormir e acordar.

Mas existe um pedacinho da cidade cheio de charme bem perto dali. Estou falando do Retiro, o bairro que fica no entorno da Plaza San Martin, até a Avenida 9 de Julio. 

BsAs-Retiro

A cara do Retiro

A “identidade visual” do Retiro tem mais a ver com a Recoleta do que com o Centro propriamente dito. Eu sempre penso nele como um pedaço da Recoleta que ficou do lado errado da Avenida 9 de Julio!

Esse aqui não é o post adequado para eu falar de tudo o que gosto no Retiro (vou fazer outro post sobre esse assunto), mas o fato é que as ruas ali são mais tranqüilas e mais bonitas que no resto do Centro e acho o local seguro (já fiquei hospedada em um hotel nessa região).

E tudo isso está a uns 5 minutos de caminhada da Calle Florida, a rua de pedestres em que todo brasileiro adora fazer compras e que liga a Plaza San Martin à Plaza de Mayo, onde está a Casa Rosada. Ou seja, o Retiro é central o suficiente para fazer a pé todos os passeios que você quiser. Não é à toa que muitos hotéis de luxo têm unidades nesse bairro, como é o caso do Sofitel, do Marriot e do Sheraton.

No Retiro – que em alguns sites de imobiliárias está registrado como “Plaza San Martin” mesmo -, eu gosto mais da parte que fica entre as Avenidas Santa Fé e as Calles Arenales, Juncal, Arroyo e suas transversais.

Eu sei, eu sei, olhando no mapa, isso corresponde a um espaço bem pequenininho, mas eu avisei que não gostava do Centro, não foi?


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