Posts Tagged 'passeios'

Vai pra Rússia?! Fazer o que? E não é perigoso?

Qualquer um que já tenha ido à Rússia ou que pelo menos tenha anunciado a intenção de visitar o país deve ter ouvido essas perguntas. E, até certo ponto, é compreensível, porque a Rússia não é um destino tradicional de viagem e, sobretudo, ainda desperta algum receio. Eu mesma, antes de decidir viajar, fui me informar se seria seguro visitar pelo menos Moscou e São Petersburgo sem uma excursão ou guias locais.

Tudo o que descobri, seja em minhas leituras, seja in loco, foi que a Rússia (ao menos em suas grandes cidades) é um destino tão seguro quanto os mais usuais destinos turísticos da Europa. Há, sim, alguns entraves para o turista independente – como a falta de informações em inglês até mesmo nos sites oficiais das atrações, e a absoluta inexistência de sinalização no alfabeto latino em Moscou, o que obriga o turista a aprender a transliterar as palavras a partir do alfabeto cirílico -, mas isso não inviabiliza nem torna menos interessante a viagem, só exige mais planejamento e jogo de cintura para saber lidar com os imprevistos (como encontrar o Kremlin fechado durante 5 dias seguidos…).

E por isso vou começar os posts sobre essa viagem com uma lista das minhas fontes de pesquisa, uma espécie de bibliografia da viagem.

Os blogs brasileiros que tratam da Rússia já estão listados no Viaje na Viagem, e considero a leitura de cada um essencial para quem quer se familiarizar com o destino, mas tenho de destacar os que mais me inspiraram:

Arquivo de viagens: láaaa em 2008, quando a Luísa passou um mês viajando pela Rússia, acompanhei os posts dela com muita curiosidade, mas fiquei convicta de que ainda não estava preparada para “enfrentar” um destino complicado como esse. Bom, considerando que abri mão de ir a qualquer cidade “do interior” da Rússia, acho que ainda não estou… 🙂

DriEverywhere: em junho de 2011, a Adriana voltou a Moscou e fez posts mostrando como a cidade ficava linda no verão e destrinchando algumas das “armadilhas” para os turistas, como as dificuldades com o idioma e o metrô. Foi a partir desses posts que eu comecei a tornar concreta a idéia de ir à Rússia;

Viaggiando: a Camila fez de São Petersburgo um dos destinos de sua primeira viagem à Europa e seu relato foi o que faltava para eu saber que era hora de ir à Rússia.

Moscou não tem um site oficial de turismo, mas esta página tem um bom resumo das atrações principais. São Petersburgo tem um site parecido. Essas páginas são importantes porque acabam sendo a única fonte de informação sobre algumas atrações menos procuradas, como certos parques e igrejas.

Um recurso que me ajudou bastante no planejamento dessa viagem (e que eu nunca havia usado antes) foram os vídeos. Achei muito interessante poder me familizarizar com a “cara” das cidades, especialmente em relação a Moscou, que é uma cidade monumental, com atrações espalhadas e enormes distâncias a serem percorridas a pé, apesar do eficiente metrô.

O primeiro vídeo é para convencer quem ainda não tem certeza de que Moscou é um destino interessante:

Para entender melhor Moscou, encontrei os vídeos do programa Moscow Out, produzido pelo canal Russia Today (canal de notícias russo em língua inglesa). Tem uma variedade enorme de assuntos e separei apenas alguns essenciais para postar aqui:

Sobre o Kremlin:

Sobre as atrações nos arredores do Kremlin:

Sobre a Tverskaya Ulitsa, uma das principais avenidas da cidade:

Sobre os vestígios da antiga URSS:

Para pesquisar mais vídeos, basta procurar o canal do Moscow Out no Youtube. Na página do Russia Today, tem vídeos mais antigos, que não estão no canal do Youtube.

Não encontrei nada semelhante em relação a São Petersburgo, mas alguns episódios do programa Moscow Out foram dedicados a essa cidade. O primeiro, é um tour histórico e mostra a cidade no inverno:

Os outros dois foram feitos no verão e mostram passeios de barco e outras atividades típicas dessa estação, quando a cidade se enche de turistas:

O Tripadvisor também foi uma fonte de informações importantíssima para organizar essa viagem. Alguns tópicos essenciais são os que explicam como usar o metrô de Moscou e como comprar passagens de trem (tutorial atualizado), já que o site é só em russo. E, para quem é fã de ballet, como eu, vale a pena ler alguns tópicos que ajudam a escolher espetáculos em São Petersburgo e até as melhores cadeiras nos principais teatros.

Também encontrei um ótimo trip report, cheio de observações práticas (para as partes seguintes desse relato, é só procurar pelo nome da autora – DrDebi), e um tópico com idéias de passeios fora do lugar comum em Moscou. Aliás, sobre esse mesmo assunto, me lembrei do site Phoebe’s Walks, que tinha encontrado no começo das minhas pesquisas, mas acabei deixando meio de lado, porque sabia que não ia ter tempo de fazer os passeios sugeridos…

Alguns sites de notícias sobre a Rússia, em inglês:

The Moscow Times

The Moscow News

Saint Petersburg Times

Pronto! Acho que já tem material suficiente pra iniciar os planos de viagem (e pra responder às perguntas do título também!).

Anúncios

Um roteiro de viagem por Budapeste, Viena e Praga: o relato do João

 

Neste post do Viaje na Viagem, relatei uma viagem que fiz para Budapeste, Viena e Praga. Depois de usar as dicas do post, o João deixou o relato de sua própria viagem nos comentários aqui do blog. Como as dicas estão novinhas, resolvi transformar em post. Segue o relato do João: 

“Em Budapeste (linda e ampla cidade, pessoal ameno e receptivo) a dica é o hotel La Prima, na rua Pesti Barnabás, nº 6. É um hotel novo e moderno, inaugurado em 2011, muito bem localizado (meia quadra da rua Vaci e 1 quadra e meia do Danúbio, próximo à ponte Elizabeth), excelente serviço, staff atencioso, 82 euros/dia, com café-da-manhã, reservei pelo booking. 

Bem embaixo do hotel tem um restaurante italiano, La Porta di Taormina, muito recomendável, música suave ao vivo, 49 euros para 2 pessoas (entrada, prato, vinho, café). Outra dica gastronômica – restaurante Menza, próximo ao Conservatório Lizst. Ambiente moderno, boa cozinha típica. 

Por falar no Conservatório, não pudemos visitá~lo, pois está em obras. Uma pena! 

Nós tomamos o ônibus turístico HopON HopOFF nos 2 primeiros dias, o que facilitou o deslocamento e localização na cidade e inclui ida e volta à ilha Margarida. Nos outros 2 dias ficamos “on my own”. 

Vale muito um passeio pela Ilha Margarida – muito bem cuidada, toda florida, local de lazer para os nativos, momento para não fazer nada e depois descansar… 

Vale também subir na torre da Basílica de Santo Estevão, a vista é muito linda, tem-se uma boa noção de Budapeste lá de cima. Tem elevador! 

No lado Buda, o Castelo, o Bastião dos Pescadores e a Igreja Matyas… subir no funicular é pitoresco! 

Tomar cuidado na estação Keleti – há uma máfia com uniforme da MAV que, a pretexto de ajudar na localização da plataforma e dos trens, procura extorquir o turista. De mim levaram 2 euros somente, mas vi literalmente pegarem da carteira de um casal de japoneses uma nota, só não vi quanto… melhor não aceitar ajuda!!!. 

Viena impressionou pela limpeza, organização, segurança e funcionalidade da cidade – o transporte é integrado (metrô, tram, ônibus); não se vê policiamento ostensivo e parece não haver controles – compramos o passe de transporte de 72h e nunca nos solicitaram! 

A dica de hotel para quem chega de trem de Budapeste (nosso caso!) é o Motel One, junto à estação Westbahnhoff – novo, funcional, bom serviço, 69 euros/dia para 2 pessoas, sem café-da-manhã (acho que era uma promoção, pois tinha reservado por 84 euros e a diferença a menor veio em boa hora!). É do tipo Ibis – grande, talvez meio impessoal, mas na minha opinião, um Ibis melhorado! A distância ao centro não foi problema: uma boa caminhada pela rua Mariahilfer ou o metrô resolvem o assunto… 

Vale muito uma visita à Ópera de Viena, mesmo somente como tour, e também ao Musikverein (aqui assistimos a Filarmônica e a Sinfônica de Viena, simplesmente fantásticas!) 

Válida também uma ida ao Teatro de Marionetes do Palácio Schonbrunn (assistimos à Flauta Mágica de Mozart – excelente, a sincronia do movimento das marionetes com a música é fora-de-série!). É em alemão, lógico, mas tem folder em espanhol sobre o espetáculo, o treinamento dos “marioneteiros” e a confecção das marionetes. 

O Museu Freud e a Mozarthaus valem a visita também! 

Fomos ainda assistir a apresentação de cavalos na Escola de Equitação Espanhola no Palácio Hofburg, centro de Viena – o treinamento dos animais é impressionante! 

Em relação a restaurantes – o Figlmüller, desde 1905 (o maior schnitzel de Viena!), é recomendável; válida também é uma ida à Grinzing para almoçar numa Heuringen (taverna) – servem schnitzel, entre ouros pratos, e vinho do ano. Pegue o tram 38 na estação Schottentor e vá até o fim da linha. 

De Viena fomos de trem para Praga. 

Praga é mais suja que Budapeste e Viena, principalmente, mas tem seus encantos.

O Relógio Astronômico na praça da Prefeitura / Staromestské Námestí, cujas baladadas são puxadas por um esqueleto, é fantástico. Fiquei com a impressão que os tchecos pensam na morte e lidam muito bem ela, certamente reflexo da história deste povo! 

Ficamos no hotel Falkensteiner Maria Prag, na frente da estação de trens. A zona não é assim uma brastemp, como diria o Comandante do Vnv Ricardo Freire, mas facilitou a chegada e a saída com as malas e a ida à Ópera, localizada a 2 quadras do hotel, na mesma noite da chegada. Bom hotel, bom serviço, pessoal atencioso e prestativo, café-da-manhã exagerado até, 101 euros a diária para 2 pessoas com CM, reservei pelo booking. 

Além dos passeios básicos, recomendaria a Ópera (assistimos o balé Gisele – fantástico, obrigado pela recomendação Wanessa!), o Rudolfinum (assistimos a Filarmônica Tcheca na sua própria casa, a sala é belíssima, excelente programa!) e a Smetana Hall, a Casa Municipal (lindíssima decoração, assistimos a um quinteto de cordas tocando Mozart e Dvorák). 

Vale também uma visita ao Museu do Comunismo – muitas peças da época, bustos, estátuas de Lenin e Stálin, a propaganda comunista, registros da Primavera de Praga e da queda do comunismo. Fiquei com a idéia que o regime comunista mentiu muito sobre o Ocidente, exagerando seus defeitos e suas mazelas para a população, e que a democracia ocidental foi mais realista e verdadeira conosco sobre o comunismo. 

Imperdível é o Museu Kafka, em Mala Strana, faz pensar! 

Há uma instalação do polêmico escultor tcheco David Cerny na frente do museu (2 homens urinando sobre o mapa da República Tcheca, um deles inclusive, mexe com o quadril para um lado e para outro – entenda se puder!) e várias outras espalhadas pela cidade. 

Restaurantes, recomendaria o U Laury, Nerudova 10 (na subida para o castelo, calçada da direita para quem sobe) – entra-se por uma grande porta, é um pátio interno, muito acolhedor; comemos uma tábua tcheca para 2 pessoas – carne de pato, cervo, porco junto pirê assado, pão de arroz e salada mista, acompanhando de 500ml de cerveja pilsen – o almoço foi às 15h e o prato é tão farto que não conseguimos jantar naquela noite! E um restaurante, não lembro o nome, que fica no pátio interno atrás do museu do comunismo. Comida típica, garçonete muito atenciosa. Não confundir com o McDonald’s que existe junto! 

Em Praga fomos para o aeroporto num ônibus (express shuttle) que se pega na estação central – foi um pouco trabalhoso, meio complicado achar o local, mal sinalizado, ônibus cheio, teria sido bem mais confortável um transfer, embora mais caro; preço: 2 euros por pessoa. Não recomendo, melhor o transfer a 20 euros para 2 pessoas! 

Finalmente Paris! 

Chegamos às 15h e, como era uma noite só, ficamos Ibis do aeroporto CDG, fizemos o check-in e fomos direto para o centro. Pegamos o RER (não recomendo – trem velho, sujo, muito cheio, desconfortável, melhor o Roissy Bus até a Ópera) e caminhamos pela Íle de la Cité, Sena, Notre Dame e por Saint Germain, onde havíamos ficado em 2010. Foi muito prazeroso este passeio descompromissado! 

Quero deixar a recomendação da rua Gregoire de Tours – é uma travessa do Boulevard Saint Germain, onde existem vários restaurantes.  Jantamos na creperia La Petit Tour, no nº 6. É a 3ª vez que jantamos lá, 2 em 2010 quando ficamos 10 dias em Paris, e continua muito boa, recomendável, embora o preço tenha subido sensivelmente. 

Voltamos para o CDG por volta das 22h no RER, a volta foi bem mais tranquila, quase sem paradas intermediárias e, na manhã seguinte, tomamos o vôo para o Brasil. 

A ilusão, ou melhor, as férias, estavam acabando… 

Era isto, pessoal. Espero que ajude alguns viajantes.”.

Muito obrigada pelas dicas, João! Tenho certeza de que ajudarão outras pessoas a ter uma viagem tão linda quanto a sua!

Buenos Aires: roteiro básico

 

A Silvinha me pediu um roteiro básico para não se perder em sua primeira viagem a Buenos Aires, então, decidir transformar em post o roteiro que fiz pra minha irmã, que também está programando sua primeira viagem pra este ano. Não me preocupei em sugerir restaurantes, barzinhos e shows de tango porque o objetivo é apenas dar uma idéia de como organizar os dias para não correr o risco de sair de Buenos Aires sem ver o papa… quer dizer, a Casa Rosada! 

Dia 01: a chegada 

O aeroporto de Ezeiza fica um pouco distante do centro de Buenos Aires, uns 45 minutos de deslocamento. Já o Aeroparque Jorge Newberry, que está recebendo alguns vôos do Brasil agora, é bem mais central. Contando com o tempo da imigração, da retirada das malas, do freeshop e do câmbio de moeda, é fácil perder umas duas em Ezeiza. Ainda mais se o seu vôo for longo, não vai dar para programar muita coisa pra esse primeiro dia, seja pela falta de tempo, seja pelo cansaço da viagem. 

O melhor é só fazer o “reconhecimento de área”, dar umas voltas por perto do hotel ou apartamento para saber a estrutura que vai ter perto “de casa” e descansar pra começar o dia seguinte renovada. 

Se alugou apartamento, é hora de ir fazer umas comprinhas básicas (água, lanches, papel higiênico etc.). Felizmente, Buenos Aires – a Recoleta, pelo menos – é cheia de kioscos, que são minimercados com todos os itens de primeira necessidade. Pergunte para o pessoal da imobiliária quais os supermercados próximos. 

Se sobrar tempo, dá pra começar a programação turística propriamente dita, fazendo algum dos passeios mais próximos de casa ou com um belo jantar. 

Dia 02: os cartões postais 

Acho que todo mundo que vai pra Buenos Aires pela primeira vez, quer logo ver os cartões postais mais famosos (foi assim comigo!). Então, o jeito ideal de começar o primeiro dia de “turistagem” é na Plaza de Mayo, onde está a Casa Rosada. De lá, pode-se caminhar até o Congreso, pela Avenida de Mayo (com direito a uma paradinha no Café Tortoni, claro), e depois voltar um pouquinho, para ir aos pés do Obelisco, pela Avenida 9 de Julio. E agora o Teatro Colón  está reaberto! 

Há visitas guiadas gratuitas ao prédio do Congreso e à Casa Rosada. A do Congreso é dividida em duas partes, uma, para a Camara de Senadores, a outra, para a Camara de Diputados. Eu fiz só a primeira. Também fiz a da Casa Rosada e acredito que só funcione aos domingos (não consegui confirmar essa informação). As duas valeram a pena, porque esses prédios são lindos por dentro. As visitas ao Teatro Colón estão para recomeçar e, se você tiver a oportunidade, vá, pois acho que será até mais legal que essas outras! 

Hora de passear também pela Calle Florida, uma rua de comércio que já foi muito chique e hoje não é mais. Há quem goste dessa rua para comprar peças em couro, mas eu acho que só continua valendo a pena ir lá por causa das Galerias Pacífico, o shopping mais lindo da cidade!

Para descansar no final da tarde, escolha entre a Plaza San Martin ou Puerto Madero.  

Dia 03: a Recoleta 

Comece o dia no cemitério da Recoleta. Pode parecer mórbido, mas eu adoro esse cemitério. Vou explicar: o lugar é praticamente um pátio de esculturas, encaro como uma museu a céu aberto, de tão lindos que são os ornamentos de alguns dos túmulos. Se bem que, já andei por lá tantas vezes que até presenciei um enterro (sim, trata-se de um cemitério em atividade). Adoro ir lá para fotografar. Se alguém se interessar pelo tema, está aqui um blog que esclarece tudo sobre o cemitério. Há visitas guiadas gratuitas (e ótimas!), onde você fica sabendo de todas as fofocas sobre os finados mais chiques de Buenos Aires. E tem gente que vai lá só pra ver o túmulo de Evita… 

A Basílica de Nossa Senhora del Pilar, que fica do lado do cemitério, com sua simplicidade exterior, também merece uma visita. 

Seguindo adiante, está o Buenos Aires Design, shopping só de lojas de móveis e decoração. A loja Morph (tem várias pela cidade, mas essa é a maior que conheço) é irresistível. 

No fim de semana, sábado e domingo, tem uma feirinha de artesanato nessa áera. O lugar fica muito cheio! 

Atravessando a Avenida del Libertador, chega-se ao Museo Nacional de Bellas Artes, o meu preferido em Buenos Aires. O acervo tem peças de artistas argentinos e também uma coleção de pintura européia. A entrada é gratuita. Dependendo de seus interesses, pode substituir o MNBA pelo Museo de Arte Decorativo ou pelo MALBA (o melhor mesmo é ir ao MALBA de todo jeito, nem que seja só para ver o Abaporu, de Tarcila do Amaral. Uma lástima, uma tela tão brasileira exilada em solo argentino…). 

Depois do Museu, um passeio pela Avenida Alvear, uma das mais chiques de Buenos Aires. Nela, estão as lojas mais caras da cidade e alguns dos casarões e hotéis mais finos também. No fim dessa rua, ficam as Embaixadas do Brasil e da França, verdadeiros palácios! 

Tem um shopping ali perto, o Pátio Bullrich, se quiser um lugar com ar condicionado (ou aquecimento, dependendo da época do ano) para descansar (compras, nem pensar, que aí é tudo muito caro!). 

Viu quantas vezes usei as palavras “chique”, “fino”, “caro”? Pois é, esse é o espírito da Recoleta… 

Dia 04: manhã no parque, tarde de compras

De manhã, vá de tênis e roupa de ginástica para os Parques de Palermo. Nessa parte de Buenos Aires, há vários parques enormes, todos vizinhos uns dos outros. Você pode aproveitar para queimar um pouco das calorias adquiridas até então, ou, muito pelo contrário, passar antes no supermercado, comprar uns pães, uns queijos e outros produtos locais para fazer um piquenique. Tem o Jardim Japonês, o Rosedal, o Jardim Botânico, o Zoológico… 

À tarde, enfim, é hora de fazer compras. Gosto muito da Avenida Santa Fé para isso. Principalmente em uma primeira viagem a Buenos Aires, quando você ainda não conhece as marcas locais, não acho uma grande vantagem “perder” um dia nos out-lets da Avenida Córdoba ou da Calle Aguirre (mas, se fizer questão, aqui  estão as informações mais detalhadas sobre o assunto). Melhor ficar pela Santa Fé mesmo, que, afinal, promete mais do que roupas! 

É lá que está a livraria mais linda do mundo, a Ateneo Grand Explendid, que já foi um cinema/teatro e tem um café delicioso no local em que ficava o palco. Aliás, livraria é o que não falta em Buenos Aires. As da rede Yenni são ótimas. 

Aproveite o fim de tarde em Palermo Viejo. É a região mais “moderninha” de BsAs, e, além dos cafés e restaurantes com mesas na calçada, dá para continuar no ritmo de compras, porque são muitas as lojas de objetos para a casa e de roupas e acessórios. Muito difícil resistir! Uma das minhas preferidas é a Papelera Palermo (eu adoro uma papelaria…). Comece o passeio na Plaza Serrano e pode andar sem rumo pelas ruas próximas. Se for no fim de semana, prepare-se, porque fica tudo lotado! 

Dia 05: “o domingo”

Não importa a ordem dos dias, mas essa sugestão é para o domingo em que você estiver em Buenos Aires. O começo do passeio, eu vou sugerir sem nunca ter feito. Mas, se você for acompanhada por um amigo/namorado/marido, enfim, um homem, ele deve gostar. 

Pegue um táxi e siga para La Bobonera, o estádio do Boca Júniors. Tem umas visitas guiadas e um museu, mas é preciso confirmar os horários de funcionamento, pois há restrições em dia de jogo. 

Saindo do estádio, siga para o Caminito. Lá estão aquelas casinhas coloridas (que formam um museu a céu aberto), uma marca de BsAs. Eu também não conheço o Caminito. Sempre li que era programa pega-turista e por isso nunca tive vontade de passar por ali. Mas, enfim, se é para fazer os passeios básicos de Buenos Aires, não poderia deixar de citar esse…

Todos os deslocamentos no bairro de La Boca devem ser feitos de táxi, pois a região não é das mais seguras. Se não quiser pegar o táxi na porta de “casa”, dá para ir de metrô até a Plaza de Mayo e tomar o táxi dali.

Depois de La Bobonera e do Caminito, vem a parte que eu conheço (e adoro): a feira de San Telmo! Essa feira de antiguidades só acontece aos domingos. É bem animado por lá. Se estiver fazendo sol, fica apertado mesmo! Também dá pra ver e ouvir tango por ali. Ainda que não dê pra ir a San Telmo no domingo, vale passear por lá para visitar o Mercado de San Telmo e os antiquários do bairro.

Dia 06: dia de descanso

Esse dia é pra repetir o que você tiver gostado mais, umas férias das férias, pois os outros terão sido bem puxados, ou para incluir aquele passeio que só cabe no seu gosto.

Se não quiser repetir nada, estique até Colonia del Sacramento, no Uruguai (fui no verão, e achei a cidade uma delícia, mas no frio, não sei se gostaria…) ou faça o passeio ao Delta do Tigre (a Carla Portilho, do Idas e Vindas, é quem melhor entende do assunto).

Preferindo ficar em Buenos Aires, mas sem querer repetir nada, deixo uma sugestões:

– visitar o Museo de Arte Decorativo ou o Palácio San Martin. Essa dica é pra quem gosta de arquitetura, pois é a oportunidade de ver um desses belos palacetes de Buenos Aires por dentro;

– caminhar pelas avenidas del Libertador e Figueroa Alcorta até o MALBA (Museo de Arte Latino Americano), para ver o Abaporu, como falei antes;

– para quem gosta de tango, visitar o Museo Carlos Gardel, perto do shopping Abasto e ir a alguma milonga. Mesmo se não for dançar, dá para assistir à dança de um jeito mais autêntico que nos shows. (ótimas dicas aqui);

– Evita também tem um museu dedicado a ela, em Palermo;

– conferir a programação de cinema. Ano passado, dei a sorte de ver em Buenos Aires o filme que acabou ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro: El secreto de tus ojos. 

Dia 07: como assim, dia 07? 

Eu nunca conto o dia da saída, porque o aeroporto é longe, e o freeshop é grande! Quem vê até pensa que eu faço muitas compras, mas não é isso: como estou dando dicas – e brasileiro adora fazer compras nas férias –, não custa lembrar que é importante separar tempo para essa tarefa. Tem também de chegar com antecedência para fazer os procedimentos de tax free, caso tenha feito compras com direito a devolução de tributos.

Plaza San Martin

Depois de uma looonga pausa, retomo os post falando sobre os meus lugares preferidos em Buenos Aires. Acho que demorei tanto pra postar de novo porque, não importa se faz seis dias ou seis meses que não vou lá, sempre que vejo fotos ou leio sobre a cidade, dá uma saudade de Buenos Aires… Pra começar, nada melhor do que o lugar que me deu a primeira impressão da cidade, a Plaza San Martin. Na minha primeira visita, fiquei hospedada num hotel ali do ladinho, o Loi Suites Arenales. Assim que fiz o check in, fui correndo dar uma volta pelos arredores, que eram a própria praça.   

A Plaza San Martin é como se fosse um oásis no centro de Buenos Aires. Parece até que a gente não está no centro (e sim na Recoleta!). É uma grande área verde, rodeada por prédios lindíssimos, onde, em outros tempos, viveram algumas das famílias mais importantes da Argentina. Os que ainda hoje funcionam como residências são tão chiques que deixam a gente imaginando mil coisas sobre a vida das pessoas que vivem ali.   

Um desses prédios é o Edificio Kavanagh, de estilo art deco. Construído na década de 1930, por Corina Kavanagh, matriarca de uma das famílias mais ricas da cidade (rica, mas sem tradição…), chegou a ser o prédio mais alto da América do Sul na época.

   

Momento Caras: reza a lenda que o prédio foi erguido para impedir que a família Anchorena – outra da fina flor portenha – avistasse de sua casa, o atual Palácio San Martin, a fachada da igreja que eles haviam construído ali próximo, a Basilica del Santisimo Sacramento. De fato, a pobre da igreja ficou tão escondidinha que é preciso dar a volta no Edificio Kavanagh para enxergá-la. E isso tudo porque Mercedes Anchorena não havia permitido que um de seus filhos se casasse com a filha de Corina, já que a família Kavanagh não era de origem argentina!

Tá dando pra ver a Basílica ali atrás, à esquerda?

Para saber a versão menos romântica dessa fofoca histórica, é preciso visitar o Palácio San Martin. Atualmente funciona lá um anexo da Cancilleria Argentina (Ministério das Relações Exteriores), cujo prédio principal, bem contemporâneo, fica do outro lado da rua, e cria um contraste bonito com o palácio construído em estilo francês do fim do século XIX. 

A visita guiada ao Palácio San Martin é gratuita, mas é bom ligar antes para confirmar, porque pode ser que haja alguma solenidade marcada, o que suspende o acesso do público. Quando fiz a visita, a guia era ótima, e o passeio não foi nada chato. Uma curiosidade: nos jardins do palácio, há um pedaço do Muro de Berlim, doado pela Alemanha como presente à Argentina. No lado oposto da praça, está o Círculo Militar, antigo Palácio Paz, outra bela construção de época aberta a visitação (mas aqui é preciso pagar). Não entrei nesse ainda, mas, na próxima viagem…  

Voltando à Plaza San Martin… a tranqüilidade do lugar contrasta com a confusão do centro da cidade, por isso, os moradores da cidade usam bastante a praça. Muita gente que trabalha no centro aproveita a sombra das árvores para almoçar por lá. Também há um espaço para os passeadores de cachorros, essas figuras tão típicas de Buenos Aires. Mas a praça está sempre limpa, porque, fora do cercadinho, é proibido andar com cachorro! E tem ainda um imenso gramado onde o povo toma sol. 

 

Dali, a vista da Torre de Ingleses é linda, principalmente no fim da tarde. Essa torre, que é uma réplica do Big Ben, mudou oficialmente de nome depois da Guerra das Malvinas, mas ninguém se acostumou com o novo nome, do qual eu nem me lembro! Por mais que os argentinos tentem, não conseguem se livrar dos sinais da presença dos ingleses em sua capital… A torre abre ao público durante alguns períodos do ano, mas eu nunca consegui vê-la aberta. 

Descendo as escadarias laterais da praça em direção à Torre, fica um monumento em homenagem aos soldados mortos na Guerra das Malvinas, e, mais adiante, a estação de trens e ônibus do Retiro (que dá nome ao bairro, aliás), com uma concentração enorme dos coloridíssimos ônibus de Buenos Aires (que eu acho uma graça!). 

    

Na esquina da Plaza San Martin com a Avenida Santa Fé, tem um café que adoro, o Desiderio, que fica aberto o dia inteiro e serve do café da manhã ao jantar. Outra opção, mais fina, é o restaurante Bengal, que já foi visitado pelos Destemperados.


Anúncios
Blogs de Viagem