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A Nova Moscou*

O último dia em uma cidade é hora de estabelecer prioridades e admitir que não vai dar tempo de ver tudo o que estava nos planos (pra mim, nunca dá!).

Eu queria evitar a Praça Vermelha e a Avenida Tverskaya, porque era o Dia da Rússia e estava programada uma grande manifestação dos opositores do presidente Putin, com uma caminhada desde a Triumfalnaya Ploschad até a Praça Vermelha.

Minha prioridade absoluta foi a Nova Galeria Tretyakov. Dessa vez, ao invés de ir pela estação Polianka do metrô, resolvi chegar ao museu pela estação Oktyabraskaya. Foi bem mais fácil de achar o caminho, e ainda passei por essa enorme estátua no final da Leninsky Prospekt.

O acervo da Nova Galeria Tretyakov abrange obras de arte russa moderna e contemporânea. É aqui que estão as obras do realismo socialista, que serviam à propaganda do regime comunista. Mais uma vez, fiquei encantada com o acervo e preciso registrá-lo aqui:

Meu plano para depois da galeria era ir ao Parque Gorki, quase em frente ao museu. Esse é um parque muito popular em Moscou, e estaria bem animado por causa do feriado. Mas estava se formando uma grande tempestade, com muito vento e nuvens negras, então decidi para o hotel para deixar os livros (pesadíssimos!) que tinha comprado na galeria e ver como o clima ia ficar.

Não demorou para começar a chover, e aproveitei o tempo para finalmente entrar nas lojinhas de souvenir na rua Arbat, que até agora eu tinha visto só por fora.

Todas vendem quase os mesmos produtos e acho que a maioria deles é feita na China mesmo. Então, não vale a pena passar muito tempo olhando cada uma. É escolher as lembrancinhas, barganhar o preço e comprar.

Como a chuva não passava, desisti de outros passeios ao ar livre e fui visitar o Museu Pushkin de Belas Artes. O museu surgiu no início do século XX. Atualmente, o acervo está dividido em três prédios, mas visitei apenas o prédio principal, onde está a coleção de antiguidades e de esculturas clássicas e renascentistas. Muitas dessas esculturas são apenas cópias. É que, antes da criação do museu, essas cópias pertenciam à Universidade de Moscou e eram usadas pelos estudantes de belas artes em seu aprendizado. Essas coleções foram a origem do Museu Pushkin.

Nesse dia, o museu estava bastante cheio, acho que todo mundo estava fugindo da chuva, e isso não contribuiu para a qualidade da minha visita… Eu provavelmente teria gostado mais dos outros dois prédios, dedicados à pintura européia. Quando comprei o ingresso, achei que os prédios fossem interligados e que o ingresso servisse para todas as coleções, mas não é assim: para cada galeria, um ingresso. Não tive tempo de visitar as outras duas, mas, em compensação, o tempo estava aberto quando saí e percebi que conseguiria fazer um último passeio pela cidade.

Minha intenção era fazer o passeio de barco pelo Rio Moscou organizado pelo Hotel Radisson. De acordo com o que tinha lido no site, a saída do barco era em frente ao Hotel Ukraina, então, peguei o metrô para descer na estação Kievskaya.

Mas antes, fui aproveitar a vista da passarela de pedestres sobre o rio, a ponte Bogdana Khmelnitskogo, e vi outro cais de onde saem outro barcos de passeio pelo rio.

Acabei escolhendo um desses mais básicos, com medo de não chegar a tempo até o Hotel Ukraina. No mapa, a distância parece curta, mas, em se tratando de Moscou…

O barco não tinha nem de longe o luxo dos do Radisson (que aparecem na foto abaixo), mas acabou sendo um ótimo passeio!

O roteiro começa na Praça Europa, e logo da saída, dá para ver a Casa Branca, que já foi sede da Duma, o parlamento russo, e hoje é a sede do governo…

… e a City, uma espécie de distrito financeiro de Moscou, ainda em construção (e o contraste com o barco ferro-velho é tão familiar a nós, brasileiros…).

Passa pelo Convento Novodevichy…

… e pelo parque Vorobevy Gory, locais onde eu tinha estado no dia anterior,

… e pelo Parque Gorki, onde os locais aproveitavam o dia de verão.

Depois de cruzar várias pontes, a gente chega até a parte mais central de Moscou, passando pela antiga fábrica de chocolates Red October…

… a estátua de Pedro, o Grande (menos horrível sob a luz do fim da tarde)…

… pela Catedral de Cristo Salvador…

… até chegar ao Kremlin e à Praça Vermelha.

Alguns passeios se estendem até o Convento Novospasky, como o que a Lili fez e mostrou nesse post. Mas o meu só foi até o edifício Kotelnicheskaya, que é uma das Sete Irmãs. Não sei se o roteiro é sempre esse, pode ser que tenha sido encurtado por causa do horário (embora não pareça, já eram 21:00h), e o convento não estava mais aberto a visitação.

Esse passeio é ótimo para se ter uma visão geral de Moscou e para se orientar melhor sobre a geografia da cidade. Estava nos meus planos para o começo da viagem, mas, com os dias chuvosos, fui adiando até o fim. Acabou sendo a forma perfeita de encerrar meus dias em Moscou e de me deixar com vontade de voltar…

*Nova Moscou (1937) é o título desse quadro de Pimenov, hoje exposto na Nova Galeria Tretyakov, e foi o meu preferido nesse museu. Ele mostra uma Moscou vibrante e luminosa, exatamente como a que vi no meu último dia na cidade.

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