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À mesa em Lima

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Dizem que os Incas não conheciam a mesa (comiam sentados no chão mesmo), mas a boa comida, ah, isso eles deviam conhecer! É que se come muito bem no Peru, e, em boa parte, isso se deve à qualidade dos ingredientes peruanos, tão cuidadosamente cultivados pelas civilizações pré-colombianas, que desenvolveram técnicas agrícolas adotadas até hoje.

Em uma viagem a Lima, a gastronomia merece atenção especial. O país já tinha uma culinária típica bem interessante e sofreu muitas influências das correntes de imigração que se estabeleceram por ali. Pra completar, nos últimos tempos, a gastronomia peruana vem ganhando notoriedade mundo afora. O responsável por boa parte desse movimento é o Gastón Acúrio, chef sobre quem a Alexandra Forbes acaba de escrever tudo o que é preciso saber aqui. Eu mesma constatei o status de celebridade de Gastón no Peru. Recebi indicação de restaurantes dele até de motorista de táxi! Um amigo que havia conhecido o Astrid y Gastón, a principal casa do chef, em Santiago do Chile, disse que eu não podia sair de Lima sem conhecer esse restaurante. E é claro que segui o conselho!

Mas o primeiro contato com a comida de Gastón foi logo na primeira refeição em solo peruano. No primeiro dia em Lima, almoçamos no Café do Museo, restaurante do Museu Rafael Larco Herrera. Lá, já entramos nos pratos típicos: de aperitivo, nos serviram milho frito (chama-se “mote”, ou algo assim, e não é pipoca, mas sim o milho fresco frito. Delícia!). E não era o nosso milho, mas aquele de grãos gigantes que eles cultivam por lá. Depois, escolhemos ravioles de aji de gallina e lomo saltado, que, conforme o cardápio, era “hecho según receta de Gastón” (percebe o poder do homem? Só dizer que a receita é dele já agrega valor). Minha sobremesa foi uma torta de chocolate e bananas, fruta bastante consumida por lá. Preço: mais ou menos 38,00 dólares para 3 pessoas.

Mas a visita ao Astrid y Gaston foi feita só na última tarde em Lima. Já dava para intuir que ir no começo da viagem poderia estragar todas as refeições que viessem depois, pela comparação injusta. E, realmente, estava tudo tão delicioso que só saímos de lá às quatro da tarde!

A decoração do restaurante é sofisticada, mas a cozinha fica à vista, separada do salão por um vidro. Quando chegamos, éramos claramente as únicas turistas no lugar (depois apareceu um grupinho meio suspeito também). Nos preocupamos em fazer reserva, mas não teria sido necessário, pois era dia de semana e fomos para o almoço, então, menos de metade das mesas estava ocupadas.

Pedimos drinks de pisco com frutas (lúcuma, maracujá…) e começamos a estudar o cardápio, o que levou hooooras! Dispensamos a entrada pra poder conseguir chegar à sobremesa, mas o couvert já era bem criativo, com pães variados – feitos com ingredientes peruanos, como milho, claro – e uns molhinhos deliciosos (seria “rocoto”, seria “aji”?).

Como eu não tinha provado ainda a carne de alpaca, aproveitei a oportunidade, mesmo sabendo que o prato que comeria ali não serviria de parâmetro para dizer se a tal carne é saborosa (ali seria, óbvio). Mas, enfim, a alpaca estava maciíssima, quase derretia na boca, e veio num molho meio doce e picante, acompanhada de um arroz com coco e amêndoas. A minha amiga (pena… só uma delas foi comigo) pediu um atum que vinha com três tipos diferentes de massa de acompanhamento e também achou ótimo.

De sobremesa, pedimos uma degustação que vem com três das opções de doces do cardápio. Provamos o sorvete de camu camu, uma fruta peruana que se parece com o nosso cajá, mas é mais suave; os picarones, doce típico, semelhante aos nossos churros; e as trufas de chocolate (que tinham uma consistência de bolo) com sorvete de chá. No café, ainda vieram umas trufas (do modelo tradicional) de chocolate e um bolinho de maracujá.

A conta (a mais alta da viagem) deu cerca de 84,00 dólares, sem gorjeta, para duas pessoas, lembrando que não tomamos vinho, só os drinks. Achamos bem razoável, o valor. A experiência valeu cada centavo…

O pisco sour, drink mais tradicional do Peru (aliás, como é forte, o pisco!), provamos no Tanta, outra casa do Gastón. O restaurante é mais informal, serve principalmente lanches, saladas. Segundo um motorista de táxi que nos indicou o restaurante, “tanta” significa “pão” em quéchua. A Alexandra Forbes chutou que o nome tinha a ver com “tante”, “tia” em francês. Seria um trocadilho? Vai saber…

No Tanta, comemos uns lanchinhos (“empanadas”, “pasteles” e vários “montaditos” – pão com coberturas variadas, tipo um canapé maiorzinho). Também comi de sobremesa um “suspiro de limeña”, doce típico delicioso que lembra o doce de leite. Não tenho a conta total de lá, a minha parte deu 14,00 dólares.

Mas nem só de Gastón vive a comida peruana. A baixa gastronomia também tem seu valor…

Uma coisa que a gente percebe assim que chega a Lima é a influência da cultura chinesa na alimentação dos peruanos: em cada esquina, um “Chifa”, restaurante de comida chinesa com influências peruanas. Os melhores chifas estão no Jirón Capón, a Chinatown limenha, nas proximidades da Plaza de Armas, mas não tivemos tempo de almoçar lá (o NY Times indica o Salón Capón). Nós fomos no Xin Xin, pertinho do nosso hotel, freqüentado principalmente por pessoas que trabalham nas redondezas. Ótimo e baratinho (cerca de 15,00 dólares, para 3 pessoas).

Também provamos a Inca Kola, refrigerante que é a cara do Peru. Pela cor amarelo-limão do negócio, eu pensava que ia odiar aquilo, mas sabe que acabei gostando… O sabor de tutti-fruti é bem suave (até onde tutti-fruti pode ser suave) e achei meio parecido com o nosso guaraná. Quem já bebeu o guaraná Jesus, do Piauí, diz que é bastante parecido. Tomei bastante Inca Kola, porque achei os sucos peruanos bem aguados e sem graça em todos os lugares.

O restaurante mais “típico” que fomos em Lima foi o El Bolivariano (mais uma dica do #stuenperu, via Twitter), que funciona num casarão colonial enorme, tem vários salões, e, apesar de ser meio de semana no dia em que fomos, estava bastante movimentado. Quando digo “típico”, não quero dizer turístico. É que ali se serve a comida criolla tradicional. Arrisco dizer que poucos dos que estavam ali eram turistas: vi várias mesas com jarras de “chicha morada”, e só os peruanos conseguem apreciar assim essa bebida. Nós aproveitamos e provamos a chicha, mas beber um líquido doce com gosto de milho é algo que requer adaptação do paladar… Valeu a experiência.  Comi aqui o melhor lomo saltado da viagem. Aliás, os pratos são enormes, 2 deles servem bem 3 pessoas. Não aguentei pedir sobremesa… A conta deu mais ou menos 30,00 dólares para 3 pessoas.

No Shopping Larcomar, também há uma série de lugares para comer. A única refeição que fizemos lá foi um lanche, então, escolhemos o Cafe Cafe, que tem uma sacada com vista bem bonita do mar, mas não deu pra ficar lá por causa do excesso de fumantes… Comemos os crepes, que estavam bons, mas nada de extraordinário. (Não tenho o valor da conta).

Em Barranco, fomos ao Chala. Provamos outros drinks com pisco (eu já falei que é muuito forte, o pisco? Cuidado!) e comemos muito bem (eu, um filé com molho de pisco e vinho – achei pouco o drik –, com batatas e cebolas carameladas no jerez, e a minha amiga, camarões salteados na wok com risoto de milho e cogumelos). As sobremesas também estavam deliciosas (a minha, profiteroles recheados com um creme de amêndoas e bombons de chocolate com calda de framboesa, e a da minha amiga, uma mousse de chocolate e lúcuma com maracujá e calda de morango). A conta aqui, também para duas pessoas e sem vinho, deu cerca de 64,00 dólares.

O que faltou? Ceviche?? Sinto, mas não como peixes e frutos do mar…

[pausa para as pedradas]

… e como minhas amigas também não fizeram questão de provar… ficou faltando mesmo. Esse é o motivo de eu também não falar da cozinha Nikei, fusão da comida peruana com a japonesa.

Ainda considerando essa minha grave falha de caráter, a lista de restaurantes que colhi na internet e que não deu tempo de ir é imensa, afinal, entre um passeio e outro, nem sempre dá pra encaixar o restaurante escolhido. Mas vou deixar aqui a lista de lugares onde gostaria de comer, e quem for, me conta se é isso tudo:

Restaurante Huaca Pucllana (ao lado do sítio arqueológico de mesmo nome)  ;

Wa Lok (chifa, na Calle Capón) ;

Cala (especializado em pescados e ceviches, que não como, mas a vista do mar…);

La Rosa Náutica (falam que é pega-turista, mas a vista do mar…);

Dánica (fusion ítalo peruana);

Pasquale y Hermanos (lanchonete com cardápio assinado por Gastón Acúrio – virei fã!);

Maga Mis Suspiros (doceria com vários “sabores” de suspiro de limeña. Sou louca por doces!) .

A maioria das indicações peguei em blogs peruanos, que também deixo aqui:

http://www.cucharasbravas.com.pe/

http://verparacomer.blogspot.com/

http://labuenavida.bligoo.com/tag/lima

(Lamento dizer, mas não pensava em escrever um blog durante a viagem, e por isso não me preocupei em fotografar os pratos e anotar preços de cada um deles, essas coisas. Sorry!)


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