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Projeto A Volta ao Mundo em 198 Livros

Quando vi esse post da Camila Navarro, do blog Viaggiando, fiquei imediatamente tentada a copiar o roteiro da viagem que ela está para começar, afinal, sempre sonhei com uma volta ao mundo (ainda que de forma meio alternativa): a proposta é ler um livro de cada um dos 193 países reconhecidos pela ONU e também dos dois estados-observadores desse ente (Palestina e Vaticano) e de Kosovo, Taiwan e Saara Ocidental, totalizando 198 livros.

A inspiração veio da Ann Morgan, que teve a ideia depois de se dar conta do quão reduzido era o espectro geográfico dos livros que costumava ler. A partir das justificativas dela, fui forçada à mesma constatação: minha estante é uma grande coleção de livros ingleses ou norte-americanos, passando por alguns brasileiros, franceses e russos. O resto é exceção. Uma vergonha!

E isso porque sempre gostei de ler. Não consigo lembrar quando surgiu esse gosto. No colégio, enquanto todo mundo achava um sacrifício ler uma pequena lista de livros obrigatórios, para mim, ela era só um ponto de partida. Uma coisa é certa: foram os livros que me fizeram ter consciência de que o mundo é muito maior e mais diverso do que o que está ao alcance dos meus olhos e que me instigaram a conhecer de perto outros lugares, outros modos de viver, a viajar.

Depois de descobrir tantos lugares por meio dos livros, já fiz as malas e comecei a me aventurar pelo mundo real, experiências maravilhosas e insubstituíveis. Mas eis que, não tendo (ainda!) conseguido percorrer o mundo inteiro, decidi tentar fazer essa viagem pela literatura e, fazendo o caminho inverso, trazer um pouco mais de cor e diversidade às minhas leituras.

Ao me propor essa expedição, terei uma limitação não enfrentada pela Ann Morgan e pela Camila, porque não leio em língua inglesa (bom, até leio, mas não com a fluência que uma leitura prazerosa exige). Isso tende a reduzir as minhas opções em relação a “destinos mais remotos” (pode até impedir algumas “visitas”…). Mas, do mesmo jeito que não falar inglês fluentemente ainda não me impediu de ir a nenhum destino, acho que vou encontrar uma solução adequada – quem sabe, procurando algum texto mais curto do que um romance inteiro –, para que a leitura não se torne cansativa. Enfim, quando a questão se tornar um problema, decido. Não sei se vou ter pique para concluir esse projeto, mas, até onde conseguir chegar, sei que valerá a pena.

Aproveitarei os planos já traçados pela Camila aqui e também irei acompanhá-la em cada destino sorteado. O primeiro será a República Tcheca, e a partida é no dia 01.08.2013, sem data para terminar!

Berlim: do oriente ao ocidente no ônibus da linha 100

A dica eu peguei em um dos posts do Viaje na Viagem sobre Berlim: a linha de ônibus nº 100 é perfeita pra fazer um city tour pelos principais pontos turísticos da cidade. É pura verdade. Essa linha cruza a cidade de leste a oeste (ou o contrário, se preferir), da Alexanderplatz ao Zoológico, e é um jeito ótimo para se localizar e “entender” Berlim. Pena que eu só segui a dica no penúltimo dia de viagem, porque acabei concluindo que esse é o melhor jeito de começar uma visita à cidade.

Mas, vamos à rota (os nomes em negrito são as identificações de cada parada). 

O passeio começa na esquina da Karl-Liebknecht-Strasse com a Dircksenstrasse, pertinho da Alexanderplatz, a praça que era um símbolo da ex-Berlim Oriental. Do outro lado da praça começa a Karl-Marx Alee, uma avenida enoooorme, cheia de predinhos idênticos uns aos outros, tudo como era nos tempos do Muro. É curioso ir lá ver como era a cara da arquitetura socialista, mas é tudo tão parado e igual que cansa logo… Enfim, hoje, os arredores da Alexanderplatz foram tomados por lojas e mais lojas. Por ali ainda está a Torre de TV, que representava todo o avanço tecnológico de Berlim Oriental e hoje é um mirante muito visitado (passeio que deixei pra próxima vez…). 

Fiquei hospedada ali perto e as estações de metrô e trem da Alexanderplatz têm ótimas conexões para toda a cidade, sem contar que o ponto do ônibus que vai para o aeroporto ficava a uma quadra do hotel, no mesmo local onde para o da linha 100. 

A segunda parada é a Spandauer strasse, mas nem vale a pena tomar o ônibus para descer nela, porque é muito perto da anterior, já na praça por trás da Torre de TV. Só vale se bater uma preguiça… Aqui, dá para visitar a Berliner Rathaus (Prefeitura), com a linda fonte de Netuno em frente, e a Marienkirche, uma igreja medieval que está sendo restaurada atualmente. 

A próxima parada é a Lustgarten, na Museumsinsel, a Ilha dos Museus. É difícil escolher um só e ao fazer esse roteirinho do ônibus, é melhor só dar uma passeada por fora. Eu fui ao Pergamon (maravilhoso!) e entrei também na Neue Galerie, mas a visita foi rapidinha. Visitei também a Berliner Dom, a Catedral de Berlim, que é maravilhosa e tem uma vista linda lá do domo. 

A Staatsoper, próxima parada, é ópera de Berlim. Aqui, o ônibus já está percorrendo a Unter den Linden, avenida que é comparada à Champs Elisée de Paris. Essa região é linda, vale a pena descer do ônibus e seguir caminhando um pouco até a Bebelplatz e a Gendarmenmarkt, uma praça rodeada por prédios históricos. Aliás, esse é o lugar ideal para uma parada em um dos cafés/restaurantes com mesinhas na rua. Depois, já dá para pegar o ônibus na parada seguinte, a Friedrichstrasse

Brandenburg Tor é a parada seguinte. O Portão de Brandemburgo é um dos monumentos mais marcantes de Berlim. A região é tomada pelos turistas e, na Pariser Platz, em frente ao portão, há várias figuras bizarras esperando para serem fotografadas, desde soldados em uniformes de guerra até índios apaches. Um dos hotéis mais finos da cidade, o Adlon, fica bem ali do lado. 

A próxima parada, Bundestag/Reischtag, fica pertinho e por isso é melhor ir a pé. Também só assim dá para achar o melhor ângulo para fotografar a cúpula de vidro de Sir Norman Foster (maravilhosa, por sinal).

Depois de sair do Reischtag, o ônibus 100 corta o Tiergarten, um parque gigante, e dá para escolher qualquer das paradas – Platz der Republik, Haus der Kulturen der Welt e Schloss Belevue – para fazer uma caminhada em meio ao verde. Dentro do parque, há uns prédios residenciais que deixam o lugar com um jeito meio parecido com Brasília (minha opinião!). 

Uma idéia é descer na estação Schloss Belevue para visitar esse palácio e seguir a pé até a parada seguinte, a Grober Stern, onde está a Siegessaule, aquela estátua dourada de um anjo que aparece no filme Asas do Desejo, de Win Wenders (e que estava coberta por andaimes, em limpeza, quando passei por lá…). 

Terminado o passeio pelo Tiergarten, o melhor é pegar o ônibus 100 na próxima parada – Nordische Botschaften/Adenauer-Stiftung – e descansar um pouco, vendo a antiga Berlim Ocidental passar pela janela. Depois de quatro paradas (Lützolplatz, Schilltrasse, Bayreuther Strasse e Breitscheidplatz), chega-se ao ponto final do ônibus 100, o Zoologischer Garten

Aqui, as opções são muitas: dá para ir ao Zoológico, à Kaiser Wilhelm Kirche, uma igreja belíssima que foi destruída na Segunda Guerra e cujas ruínas permanecem em exposição (aliás, para visitar a igreja, é até melhor descer uma parada antes, na Breitscheidplatz), ou então simplesmente olhar as vitrines na Kurfürstendamm, a rua mais chique da antiga Berlim Ocidental. Vale qualquer coisa, desde que o passeio termine no 6º andar da KaDeWe, a loja de departamentos que era símbolo do luxo e da pujança do ocidente. Esse andar é dedicado aos produtos gourmet, um deleite para os olhos, o olfato e o paladar, e é impossível passar ali sem parar em pelo menos um dos quiosques (tá, em uns dois ou três)…

P.S.: o ônibus 200 tem uma rota bem parecida com a da linha 100 e inicia o trajeto bem antes da Alexanderplatz, em Prenzlauer Berg.


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