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Um roteiro de viagem por Budapeste, Viena e Praga: o relato do João

 

Neste post do Viaje na Viagem, relatei uma viagem que fiz para Budapeste, Viena e Praga. Depois de usar as dicas do post, o João deixou o relato de sua própria viagem nos comentários aqui do blog. Como as dicas estão novinhas, resolvi transformar em post. Segue o relato do João: 

“Em Budapeste (linda e ampla cidade, pessoal ameno e receptivo) a dica é o hotel La Prima, na rua Pesti Barnabás, nº 6. É um hotel novo e moderno, inaugurado em 2011, muito bem localizado (meia quadra da rua Vaci e 1 quadra e meia do Danúbio, próximo à ponte Elizabeth), excelente serviço, staff atencioso, 82 euros/dia, com café-da-manhã, reservei pelo booking. 

Bem embaixo do hotel tem um restaurante italiano, La Porta di Taormina, muito recomendável, música suave ao vivo, 49 euros para 2 pessoas (entrada, prato, vinho, café). Outra dica gastronômica – restaurante Menza, próximo ao Conservatório Lizst. Ambiente moderno, boa cozinha típica. 

Por falar no Conservatório, não pudemos visitá~lo, pois está em obras. Uma pena! 

Nós tomamos o ônibus turístico HopON HopOFF nos 2 primeiros dias, o que facilitou o deslocamento e localização na cidade e inclui ida e volta à ilha Margarida. Nos outros 2 dias ficamos “on my own”. 

Vale muito um passeio pela Ilha Margarida – muito bem cuidada, toda florida, local de lazer para os nativos, momento para não fazer nada e depois descansar… 

Vale também subir na torre da Basílica de Santo Estevão, a vista é muito linda, tem-se uma boa noção de Budapeste lá de cima. Tem elevador! 

No lado Buda, o Castelo, o Bastião dos Pescadores e a Igreja Matyas… subir no funicular é pitoresco! 

Tomar cuidado na estação Keleti – há uma máfia com uniforme da MAV que, a pretexto de ajudar na localização da plataforma e dos trens, procura extorquir o turista. De mim levaram 2 euros somente, mas vi literalmente pegarem da carteira de um casal de japoneses uma nota, só não vi quanto… melhor não aceitar ajuda!!!. 

Viena impressionou pela limpeza, organização, segurança e funcionalidade da cidade – o transporte é integrado (metrô, tram, ônibus); não se vê policiamento ostensivo e parece não haver controles – compramos o passe de transporte de 72h e nunca nos solicitaram! 

A dica de hotel para quem chega de trem de Budapeste (nosso caso!) é o Motel One, junto à estação Westbahnhoff – novo, funcional, bom serviço, 69 euros/dia para 2 pessoas, sem café-da-manhã (acho que era uma promoção, pois tinha reservado por 84 euros e a diferença a menor veio em boa hora!). É do tipo Ibis – grande, talvez meio impessoal, mas na minha opinião, um Ibis melhorado! A distância ao centro não foi problema: uma boa caminhada pela rua Mariahilfer ou o metrô resolvem o assunto… 

Vale muito uma visita à Ópera de Viena, mesmo somente como tour, e também ao Musikverein (aqui assistimos a Filarmônica e a Sinfônica de Viena, simplesmente fantásticas!) 

Válida também uma ida ao Teatro de Marionetes do Palácio Schonbrunn (assistimos à Flauta Mágica de Mozart – excelente, a sincronia do movimento das marionetes com a música é fora-de-série!). É em alemão, lógico, mas tem folder em espanhol sobre o espetáculo, o treinamento dos “marioneteiros” e a confecção das marionetes. 

O Museu Freud e a Mozarthaus valem a visita também! 

Fomos ainda assistir a apresentação de cavalos na Escola de Equitação Espanhola no Palácio Hofburg, centro de Viena – o treinamento dos animais é impressionante! 

Em relação a restaurantes – o Figlmüller, desde 1905 (o maior schnitzel de Viena!), é recomendável; válida também é uma ida à Grinzing para almoçar numa Heuringen (taverna) – servem schnitzel, entre ouros pratos, e vinho do ano. Pegue o tram 38 na estação Schottentor e vá até o fim da linha. 

De Viena fomos de trem para Praga. 

Praga é mais suja que Budapeste e Viena, principalmente, mas tem seus encantos.

O Relógio Astronômico na praça da Prefeitura / Staromestské Námestí, cujas baladadas são puxadas por um esqueleto, é fantástico. Fiquei com a impressão que os tchecos pensam na morte e lidam muito bem ela, certamente reflexo da história deste povo! 

Ficamos no hotel Falkensteiner Maria Prag, na frente da estação de trens. A zona não é assim uma brastemp, como diria o Comandante do Vnv Ricardo Freire, mas facilitou a chegada e a saída com as malas e a ida à Ópera, localizada a 2 quadras do hotel, na mesma noite da chegada. Bom hotel, bom serviço, pessoal atencioso e prestativo, café-da-manhã exagerado até, 101 euros a diária para 2 pessoas com CM, reservei pelo booking. 

Além dos passeios básicos, recomendaria a Ópera (assistimos o balé Gisele – fantástico, obrigado pela recomendação Wanessa!), o Rudolfinum (assistimos a Filarmônica Tcheca na sua própria casa, a sala é belíssima, excelente programa!) e a Smetana Hall, a Casa Municipal (lindíssima decoração, assistimos a um quinteto de cordas tocando Mozart e Dvorák). 

Vale também uma visita ao Museu do Comunismo – muitas peças da época, bustos, estátuas de Lenin e Stálin, a propaganda comunista, registros da Primavera de Praga e da queda do comunismo. Fiquei com a idéia que o regime comunista mentiu muito sobre o Ocidente, exagerando seus defeitos e suas mazelas para a população, e que a democracia ocidental foi mais realista e verdadeira conosco sobre o comunismo. 

Imperdível é o Museu Kafka, em Mala Strana, faz pensar! 

Há uma instalação do polêmico escultor tcheco David Cerny na frente do museu (2 homens urinando sobre o mapa da República Tcheca, um deles inclusive, mexe com o quadril para um lado e para outro – entenda se puder!) e várias outras espalhadas pela cidade. 

Restaurantes, recomendaria o U Laury, Nerudova 10 (na subida para o castelo, calçada da direita para quem sobe) – entra-se por uma grande porta, é um pátio interno, muito acolhedor; comemos uma tábua tcheca para 2 pessoas – carne de pato, cervo, porco junto pirê assado, pão de arroz e salada mista, acompanhando de 500ml de cerveja pilsen – o almoço foi às 15h e o prato é tão farto que não conseguimos jantar naquela noite! E um restaurante, não lembro o nome, que fica no pátio interno atrás do museu do comunismo. Comida típica, garçonete muito atenciosa. Não confundir com o McDonald’s que existe junto! 

Em Praga fomos para o aeroporto num ônibus (express shuttle) que se pega na estação central – foi um pouco trabalhoso, meio complicado achar o local, mal sinalizado, ônibus cheio, teria sido bem mais confortável um transfer, embora mais caro; preço: 2 euros por pessoa. Não recomendo, melhor o transfer a 20 euros para 2 pessoas! 

Finalmente Paris! 

Chegamos às 15h e, como era uma noite só, ficamos Ibis do aeroporto CDG, fizemos o check-in e fomos direto para o centro. Pegamos o RER (não recomendo – trem velho, sujo, muito cheio, desconfortável, melhor o Roissy Bus até a Ópera) e caminhamos pela Íle de la Cité, Sena, Notre Dame e por Saint Germain, onde havíamos ficado em 2010. Foi muito prazeroso este passeio descompromissado! 

Quero deixar a recomendação da rua Gregoire de Tours – é uma travessa do Boulevard Saint Germain, onde existem vários restaurantes.  Jantamos na creperia La Petit Tour, no nº 6. É a 3ª vez que jantamos lá, 2 em 2010 quando ficamos 10 dias em Paris, e continua muito boa, recomendável, embora o preço tenha subido sensivelmente. 

Voltamos para o CDG por volta das 22h no RER, a volta foi bem mais tranquila, quase sem paradas intermediárias e, na manhã seguinte, tomamos o vôo para o Brasil. 

A ilusão, ou melhor, as férias, estavam acabando… 

Era isto, pessoal. Espero que ajude alguns viajantes.”.

Muito obrigada pelas dicas, João! Tenho certeza de que ajudarão outras pessoas a ter uma viagem tão linda quanto a sua!

De Berlim a Praga: os planos

O roteiro: os meus planos* para essa viagem incluíam Berlim – Cracóvia – Varsóvia – Budapeste – Viena – Praga. O plano original era ir para Berlim, Budapeste, Viena e Praga, mas, depois de olhar o mapa e ler um pouco sobre esses destinos, a Polônia entrou no roteiro com duas cidades. Toda essa região tem uma identidade histórica e cultural parecida (a Casa dos Habsburgos, as duas guerras mundiais, o socialismo, a queda desse regime), e achei que seria interessante condensar tudo em uma mesma viagem. 

Tinha bastante tempo para viajar, pretendia cumprir o roteiro em mais de 20 dias. No final, meu tempo foi distribuído assim: 

Berlim – 05 dias inteiros (sem incluir o dia da chegada e o da saída);

Cracóvia – 02 dias inteiros;

Varsóvia – 02 dias inteiros;

Budapeste – 03 dias inteiros;

Viena – 03 dias inteiros (talve com um pulinho em Bratislava);

Praga – 05 dias inteiros.

A ordem das cidades pode parecer meio estranha, porque, olhando no mapa, Varsóvia está mais perto de Berlim que Cracóvia, que está mais perto de Budapeste do que Varsóvia. Mas escolhi essa organização por causa dos meios de transporte entre as cidades. O que leva ao próximo tópico…

Os meios de transporte: adoro viajar de trem na Europa. Acho TÃO civilizado! Mas o meu roteiro tinha cidades bem distantes entre si. De Berlim para Varsóvia, por exemplo, eram quase seis horas; de Cracóvia para Budapeste, quase dez horas, na melhor das hipóteses (os horários estão aqui). Também não estava disposta a pegar trem noturno. Então, minha primeira decisão foi de que, pelo menos para Budapeste, eu iria de avião.

Aí, Cracóvia, que está no sul da Polônia, fica mais perto de Budapeste. Mas os vôos entre as duas cidades passavam necessariamente por Varsóvia ou por Viena ou por… Enfim, não havia vôos diretos. Além disso, pesquisando no Kayak, os preços do trecho Cracóvia – Budapeste sempre eram muito mais altos que os dos vôos partindo de Varsóvia. Também encontrei uma passagem com preço razoável de Berlim para Cracóvia, direto, uma horinha de viagem, pela Air Berlim.

Então, decidi fazer assim: de Berlim pra Cracóvia de avião; de lá para Varsóvia de trem (cerca de três horas de viagem) e depois de avião, pela LOT Polish, para Budapeste. Os demais trechos, entre Budapeste, Viena e Praga, faria de trem.

Um detalhe: os trechos de avião que passavam pela Polônia não foram lá muito baratos… É preciso pesquisar bastante! Uma dica que achei no Viaje na Viagem e que não usei, mas pode ser útil, é o Click4sky, um site de vendas de passagens da Czech Airlines, a principal companhia aérea tcheca, a preço promocional.

Passagem Brasil – Europa: comprei com a TAM. Na ida, fui de São Paulo a Berlim, via Londres (o trecho Londres – Berlim foi operado pela BMI). A volta seria Praga – São Paulo, via Frankfurt (Praga – Frankfurt, pela Lufthansa), mas acabou sendo Budapeste – São Paulo, também via Frankfurt.

Para mim, que moro no Nordeste, a primeira opção é sempre a TAP , entrando por Lisboa. Mas, se fosse voar pela TAP, precisaria fazer duas conexões na Europa, já que não abria mão de começar a viagem por Berlim, e a TAP não voa pra lá. Na volta, também precisaria fazer outras duas conexões ainda na Europa.

Quando pensei no programa de fidelidade da TAM, onde concentro minhas milhas, acabei decidindo viajar com essa empresa, apesar de o loooongo vôo partindo de São Paulo me desanimar um pouco. No final, nem foi tão ruim como eu pensava…

Dinheiro: estava pensando em me jogar no cartão de crédito nessa viagem, mas poucos dias antes de partir, a Grécia degringolou de vez, e o euro começou a subir. Então, decidi apelar mais uma vez para o Visa Travel Money. Sábia decisão! Nem sei se ganhei ou perdi dinheiro, pois não acompanhei mais o câmbio (se aconteceu, a diferença foi mínima), mas foi muito prático poder sacar dinheiro nos caixas eletrônicos de cada país nas moedas locais e não ter que me preocupar em cambiar euros a cada parada (Polônia, Hungria e República Tcheca estão fora da zona do euro).

* Como falei no post anterior, essa viagem não chegou a ser concluída, então, parte do roteiro ficou só nos planos mesmo…


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