Archive for the 'Buenos Aires' Category

Um alerta

Apesar de o blog não ter posts novos há bastante tempo, considero necessário escrever este, já que boa parte das pessoas que chega aqui busca informações sobre Buenos Aires.

Acabei de voltar da minha quinta viagem à cidade e, pela primeira vez, passei por uma situação desagradável ali. Tive meu celular roubado quando saía do Museu de Arte Decorativo, na Avenida Libertador. Era perto do meio dia, havia pessoas na rua, e o pátio do café do museu (que fica na frente do próprio museu) estava lotado. Eu saía dali para pegar um táxi na Avenida Libertador e estava com o telefone na mão, checando uma mensagem. Nesse instante, passou um rapaz de bicicleta e pediu uma informação. Mais por reflexo do que pela intenção de ajudá-lo, levantei os olhos. Foi quando ele disse que tinha uma arma embaixo da camisa e me mandou entregar o telefone. Eu não sou do tipo que desafia esse tipo de situação, não “penso em alternativas”, e entreguei o telefone. O ladrão saiu tão rápido como chegou, e eu não tive muito o que fazer.

Enfim, pensando na situação depois, acredito que o ladrão não tinha arma nenhuma, mas, como eu disse, não me disponho a pagar pra ver em uma situação desse tipo. Era um rapaz bem jovem – uns 18, 19 anos – e não estava mal vestido, enfim, nada que pudesse despertar nenhuma cautela.

A minha conduta também não foi especialmente descuidada. Buenos Aires ainda não é uma cidade perigosa ao ponto de as pessoas não poderem exibir um celular na rua à luz do dia sob pena de serem assaltadas. Depois do que aconteceu, passei a observar o comportamento das pessoas, para ver se eu tinha dado muita bobeira usando o celular na rua, e não pude concluir isso.  Também não acho que tenha sido “premiada” por ser turista, porque não parece ter sido a situação em que o golpista se aproveita da desinformação ou do descuido do viajante. Pegar táxi na rua, ao menos durante o dia, também não é uma conduta de risco. Tanto é que, enquanto eu ainda me recuperava do susto, outras pessoas saíram do museu e foram em busca de um táxi exatamente como eu tinha feito.

Acho que o fator mais relevante para eu ter sido escolhida para vítima foi que a “oportunidade” pareceu perfeita: no exato instante em que eu saía do restaurante, não havia ninguém próximo na calçada, e eu estava sozinha (se estivesse com mais alguém, duvido que tivesse acontecido).

Até agora, não li relatos de pessoas que sofreram algum tipo de ameaça em Buenos Aires. Golpes e furtos contra turistas, batedores de carteiras e coisas do gênero existem em qualquer lugar, mas ameaça de uso de uma arma, como aconteceu comigo, considero uma situação diferente e mais preocupante.

Não acho Buenos Aires uma cidade perigosa, do tipo que se deve evitar por causa da violência (e olha que eu evito viajar sozinha no Brasil por causa disso). Mesmo depois do que aconteceu, continuei na cidade até a data programada e me diverti bastante – pelo menos quando eu conseguia me esquecer de que já não tinha o meu tão querido telefone :-). Escrevo este post apenas como alerta para outras pessoas que vão visitar a cidade, para que tenham cautela e na medida do possível evitem passar pelo mesmo problema.

Buenos Aires: roteiro básico

 

A Silvinha me pediu um roteiro básico para não se perder em sua primeira viagem a Buenos Aires, então, decidir transformar em post o roteiro que fiz pra minha irmã, que também está programando sua primeira viagem pra este ano. Não me preocupei em sugerir restaurantes, barzinhos e shows de tango porque o objetivo é apenas dar uma idéia de como organizar os dias para não correr o risco de sair de Buenos Aires sem ver o papa… quer dizer, a Casa Rosada! 

Dia 01: a chegada 

O aeroporto de Ezeiza fica um pouco distante do centro de Buenos Aires, uns 45 minutos de deslocamento. Já o Aeroparque Jorge Newberry, que está recebendo alguns vôos do Brasil agora, é bem mais central. Contando com o tempo da imigração, da retirada das malas, do freeshop e do câmbio de moeda, é fácil perder umas duas em Ezeiza. Ainda mais se o seu vôo for longo, não vai dar para programar muita coisa pra esse primeiro dia, seja pela falta de tempo, seja pelo cansaço da viagem. 

O melhor é só fazer o “reconhecimento de área”, dar umas voltas por perto do hotel ou apartamento para saber a estrutura que vai ter perto “de casa” e descansar pra começar o dia seguinte renovada. 

Se alugou apartamento, é hora de ir fazer umas comprinhas básicas (água, lanches, papel higiênico etc.). Felizmente, Buenos Aires – a Recoleta, pelo menos – é cheia de kioscos, que são minimercados com todos os itens de primeira necessidade. Pergunte para o pessoal da imobiliária quais os supermercados próximos. 

Se sobrar tempo, dá pra começar a programação turística propriamente dita, fazendo algum dos passeios mais próximos de casa ou com um belo jantar. 

Dia 02: os cartões postais 

Acho que todo mundo que vai pra Buenos Aires pela primeira vez, quer logo ver os cartões postais mais famosos (foi assim comigo!). Então, o jeito ideal de começar o primeiro dia de “turistagem” é na Plaza de Mayo, onde está a Casa Rosada. De lá, pode-se caminhar até o Congreso, pela Avenida de Mayo (com direito a uma paradinha no Café Tortoni, claro), e depois voltar um pouquinho, para ir aos pés do Obelisco, pela Avenida 9 de Julio. E agora o Teatro Colón  está reaberto! 

Há visitas guiadas gratuitas ao prédio do Congreso e à Casa Rosada. A do Congreso é dividida em duas partes, uma, para a Camara de Senadores, a outra, para a Camara de Diputados. Eu fiz só a primeira. Também fiz a da Casa Rosada e acredito que só funcione aos domingos (não consegui confirmar essa informação). As duas valeram a pena, porque esses prédios são lindos por dentro. As visitas ao Teatro Colón estão para recomeçar e, se você tiver a oportunidade, vá, pois acho que será até mais legal que essas outras! 

Hora de passear também pela Calle Florida, uma rua de comércio que já foi muito chique e hoje não é mais. Há quem goste dessa rua para comprar peças em couro, mas eu acho que só continua valendo a pena ir lá por causa das Galerias Pacífico, o shopping mais lindo da cidade!

Para descansar no final da tarde, escolha entre a Plaza San Martin ou Puerto Madero.  

Dia 03: a Recoleta 

Comece o dia no cemitério da Recoleta. Pode parecer mórbido, mas eu adoro esse cemitério. Vou explicar: o lugar é praticamente um pátio de esculturas, encaro como uma museu a céu aberto, de tão lindos que são os ornamentos de alguns dos túmulos. Se bem que, já andei por lá tantas vezes que até presenciei um enterro (sim, trata-se de um cemitério em atividade). Adoro ir lá para fotografar. Se alguém se interessar pelo tema, está aqui um blog que esclarece tudo sobre o cemitério. Há visitas guiadas gratuitas (e ótimas!), onde você fica sabendo de todas as fofocas sobre os finados mais chiques de Buenos Aires. E tem gente que vai lá só pra ver o túmulo de Evita… 

A Basílica de Nossa Senhora del Pilar, que fica do lado do cemitério, com sua simplicidade exterior, também merece uma visita. 

Seguindo adiante, está o Buenos Aires Design, shopping só de lojas de móveis e decoração. A loja Morph (tem várias pela cidade, mas essa é a maior que conheço) é irresistível. 

No fim de semana, sábado e domingo, tem uma feirinha de artesanato nessa áera. O lugar fica muito cheio! 

Atravessando a Avenida del Libertador, chega-se ao Museo Nacional de Bellas Artes, o meu preferido em Buenos Aires. O acervo tem peças de artistas argentinos e também uma coleção de pintura européia. A entrada é gratuita. Dependendo de seus interesses, pode substituir o MNBA pelo Museo de Arte Decorativo ou pelo MALBA (o melhor mesmo é ir ao MALBA de todo jeito, nem que seja só para ver o Abaporu, de Tarcila do Amaral. Uma lástima, uma tela tão brasileira exilada em solo argentino…). 

Depois do Museu, um passeio pela Avenida Alvear, uma das mais chiques de Buenos Aires. Nela, estão as lojas mais caras da cidade e alguns dos casarões e hotéis mais finos também. No fim dessa rua, ficam as Embaixadas do Brasil e da França, verdadeiros palácios! 

Tem um shopping ali perto, o Pátio Bullrich, se quiser um lugar com ar condicionado (ou aquecimento, dependendo da época do ano) para descansar (compras, nem pensar, que aí é tudo muito caro!). 

Viu quantas vezes usei as palavras “chique”, “fino”, “caro”? Pois é, esse é o espírito da Recoleta… 

Dia 04: manhã no parque, tarde de compras

De manhã, vá de tênis e roupa de ginástica para os Parques de Palermo. Nessa parte de Buenos Aires, há vários parques enormes, todos vizinhos uns dos outros. Você pode aproveitar para queimar um pouco das calorias adquiridas até então, ou, muito pelo contrário, passar antes no supermercado, comprar uns pães, uns queijos e outros produtos locais para fazer um piquenique. Tem o Jardim Japonês, o Rosedal, o Jardim Botânico, o Zoológico… 

À tarde, enfim, é hora de fazer compras. Gosto muito da Avenida Santa Fé para isso. Principalmente em uma primeira viagem a Buenos Aires, quando você ainda não conhece as marcas locais, não acho uma grande vantagem “perder” um dia nos out-lets da Avenida Córdoba ou da Calle Aguirre (mas, se fizer questão, aqui  estão as informações mais detalhadas sobre o assunto). Melhor ficar pela Santa Fé mesmo, que, afinal, promete mais do que roupas! 

É lá que está a livraria mais linda do mundo, a Ateneo Grand Explendid, que já foi um cinema/teatro e tem um café delicioso no local em que ficava o palco. Aliás, livraria é o que não falta em Buenos Aires. As da rede Yenni são ótimas. 

Aproveite o fim de tarde em Palermo Viejo. É a região mais “moderninha” de BsAs, e, além dos cafés e restaurantes com mesas na calçada, dá para continuar no ritmo de compras, porque são muitas as lojas de objetos para a casa e de roupas e acessórios. Muito difícil resistir! Uma das minhas preferidas é a Papelera Palermo (eu adoro uma papelaria…). Comece o passeio na Plaza Serrano e pode andar sem rumo pelas ruas próximas. Se for no fim de semana, prepare-se, porque fica tudo lotado! 

Dia 05: “o domingo”

Não importa a ordem dos dias, mas essa sugestão é para o domingo em que você estiver em Buenos Aires. O começo do passeio, eu vou sugerir sem nunca ter feito. Mas, se você for acompanhada por um amigo/namorado/marido, enfim, um homem, ele deve gostar. 

Pegue um táxi e siga para La Bobonera, o estádio do Boca Júniors. Tem umas visitas guiadas e um museu, mas é preciso confirmar os horários de funcionamento, pois há restrições em dia de jogo. 

Saindo do estádio, siga para o Caminito. Lá estão aquelas casinhas coloridas (que formam um museu a céu aberto), uma marca de BsAs. Eu também não conheço o Caminito. Sempre li que era programa pega-turista e por isso nunca tive vontade de passar por ali. Mas, enfim, se é para fazer os passeios básicos de Buenos Aires, não poderia deixar de citar esse…

Todos os deslocamentos no bairro de La Boca devem ser feitos de táxi, pois a região não é das mais seguras. Se não quiser pegar o táxi na porta de “casa”, dá para ir de metrô até a Plaza de Mayo e tomar o táxi dali.

Depois de La Bobonera e do Caminito, vem a parte que eu conheço (e adoro): a feira de San Telmo! Essa feira de antiguidades só acontece aos domingos. É bem animado por lá. Se estiver fazendo sol, fica apertado mesmo! Também dá pra ver e ouvir tango por ali. Ainda que não dê pra ir a San Telmo no domingo, vale passear por lá para visitar o Mercado de San Telmo e os antiquários do bairro.

Dia 06: dia de descanso

Esse dia é pra repetir o que você tiver gostado mais, umas férias das férias, pois os outros terão sido bem puxados, ou para incluir aquele passeio que só cabe no seu gosto.

Se não quiser repetir nada, estique até Colonia del Sacramento, no Uruguai (fui no verão, e achei a cidade uma delícia, mas no frio, não sei se gostaria…) ou faça o passeio ao Delta do Tigre (a Carla Portilho, do Idas e Vindas, é quem melhor entende do assunto).

Preferindo ficar em Buenos Aires, mas sem querer repetir nada, deixo uma sugestões:

– visitar o Museo de Arte Decorativo ou o Palácio San Martin. Essa dica é pra quem gosta de arquitetura, pois é a oportunidade de ver um desses belos palacetes de Buenos Aires por dentro;

– caminhar pelas avenidas del Libertador e Figueroa Alcorta até o MALBA (Museo de Arte Latino Americano), para ver o Abaporu, como falei antes;

– para quem gosta de tango, visitar o Museo Carlos Gardel, perto do shopping Abasto e ir a alguma milonga. Mesmo se não for dançar, dá para assistir à dança de um jeito mais autêntico que nos shows. (ótimas dicas aqui);

– Evita também tem um museu dedicado a ela, em Palermo;

– conferir a programação de cinema. Ano passado, dei a sorte de ver em Buenos Aires o filme que acabou ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro: El secreto de tus ojos. 

Dia 07: como assim, dia 07? 

Eu nunca conto o dia da saída, porque o aeroporto é longe, e o freeshop é grande! Quem vê até pensa que eu faço muitas compras, mas não é isso: como estou dando dicas – e brasileiro adora fazer compras nas férias –, não custa lembrar que é importante separar tempo para essa tarefa. Tem também de chegar com antecedência para fazer os procedimentos de tax free, caso tenha feito compras com direito a devolução de tributos.

Plaza San Martin

Depois de uma looonga pausa, retomo os post falando sobre os meus lugares preferidos em Buenos Aires. Acho que demorei tanto pra postar de novo porque, não importa se faz seis dias ou seis meses que não vou lá, sempre que vejo fotos ou leio sobre a cidade, dá uma saudade de Buenos Aires… Pra começar, nada melhor do que o lugar que me deu a primeira impressão da cidade, a Plaza San Martin. Na minha primeira visita, fiquei hospedada num hotel ali do ladinho, o Loi Suites Arenales. Assim que fiz o check in, fui correndo dar uma volta pelos arredores, que eram a própria praça.   

A Plaza San Martin é como se fosse um oásis no centro de Buenos Aires. Parece até que a gente não está no centro (e sim na Recoleta!). É uma grande área verde, rodeada por prédios lindíssimos, onde, em outros tempos, viveram algumas das famílias mais importantes da Argentina. Os que ainda hoje funcionam como residências são tão chiques que deixam a gente imaginando mil coisas sobre a vida das pessoas que vivem ali.   

Um desses prédios é o Edificio Kavanagh, de estilo art deco. Construído na década de 1930, por Corina Kavanagh, matriarca de uma das famílias mais ricas da cidade (rica, mas sem tradição…), chegou a ser o prédio mais alto da América do Sul na época.

   

Momento Caras: reza a lenda que o prédio foi erguido para impedir que a família Anchorena – outra da fina flor portenha – avistasse de sua casa, o atual Palácio San Martin, a fachada da igreja que eles haviam construído ali próximo, a Basilica del Santisimo Sacramento. De fato, a pobre da igreja ficou tão escondidinha que é preciso dar a volta no Edificio Kavanagh para enxergá-la. E isso tudo porque Mercedes Anchorena não havia permitido que um de seus filhos se casasse com a filha de Corina, já que a família Kavanagh não era de origem argentina!

Tá dando pra ver a Basílica ali atrás, à esquerda?

Para saber a versão menos romântica dessa fofoca histórica, é preciso visitar o Palácio San Martin. Atualmente funciona lá um anexo da Cancilleria Argentina (Ministério das Relações Exteriores), cujo prédio principal, bem contemporâneo, fica do outro lado da rua, e cria um contraste bonito com o palácio construído em estilo francês do fim do século XIX. 

A visita guiada ao Palácio San Martin é gratuita, mas é bom ligar antes para confirmar, porque pode ser que haja alguma solenidade marcada, o que suspende o acesso do público. Quando fiz a visita, a guia era ótima, e o passeio não foi nada chato. Uma curiosidade: nos jardins do palácio, há um pedaço do Muro de Berlim, doado pela Alemanha como presente à Argentina. No lado oposto da praça, está o Círculo Militar, antigo Palácio Paz, outra bela construção de época aberta a visitação (mas aqui é preciso pagar). Não entrei nesse ainda, mas, na próxima viagem…  

Voltando à Plaza San Martin… a tranqüilidade do lugar contrasta com a confusão do centro da cidade, por isso, os moradores da cidade usam bastante a praça. Muita gente que trabalha no centro aproveita a sombra das árvores para almoçar por lá. Também há um espaço para os passeadores de cachorros, essas figuras tão típicas de Buenos Aires. Mas a praça está sempre limpa, porque, fora do cercadinho, é proibido andar com cachorro! E tem ainda um imenso gramado onde o povo toma sol. 

 

Dali, a vista da Torre de Ingleses é linda, principalmente no fim da tarde. Essa torre, que é uma réplica do Big Ben, mudou oficialmente de nome depois da Guerra das Malvinas, mas ninguém se acostumou com o novo nome, do qual eu nem me lembro! Por mais que os argentinos tentem, não conseguem se livrar dos sinais da presença dos ingleses em sua capital… A torre abre ao público durante alguns períodos do ano, mas eu nunca consegui vê-la aberta. 

Descendo as escadarias laterais da praça em direção à Torre, fica um monumento em homenagem aos soldados mortos na Guerra das Malvinas, e, mais adiante, a estação de trens e ônibus do Retiro (que dá nome ao bairro, aliás), com uma concentração enorme dos coloridíssimos ônibus de Buenos Aires (que eu acho uma graça!). 

    

Na esquina da Plaza San Martin com a Avenida Santa Fé, tem um café que adoro, o Desiderio, que fica aberto o dia inteiro e serve do café da manhã ao jantar. Outra opção, mais fina, é o restaurante Bengal, que já foi visitado pelos Destemperados.

Onde ficar em Buenos Aires? Retiro (ou o mais perto do Centro onde é razoável se hospedar)

Você está indo pela primeira vez a Buenos Aires e não abre mão de se hospedar no Centro, porque acha que vai ficar mais perto das atrações que visitará numa primeira viagem?
É verdade que muitos dos pontos turísticos que todo mundo quer ver da primeira vez em Buenos Aires estão no Centro ou perto dele (e por “Centro”, entenda-se o que eles chamam de “Microcentro”). Mas a minha impressão dessa parte da cidade não é das melhores… Eu acho o lugar muito barulhento e cheio de gente durante o dia e meio suspeito à noite. Ou seja, é como o centro de qualquer grande capital aqui do Brasil, e esse não é o tipo de lugar em que eu gostaria de dormir e acordar.

Mas existe um pedacinho da cidade cheio de charme bem perto dali. Estou falando do Retiro, o bairro que fica no entorno da Plaza San Martin, até a Avenida 9 de Julio. 

BsAs-Retiro

A cara do Retiro

A “identidade visual” do Retiro tem mais a ver com a Recoleta do que com o Centro propriamente dito. Eu sempre penso nele como um pedaço da Recoleta que ficou do lado errado da Avenida 9 de Julio!

Esse aqui não é o post adequado para eu falar de tudo o que gosto no Retiro (vou fazer outro post sobre esse assunto), mas o fato é que as ruas ali são mais tranqüilas e mais bonitas que no resto do Centro e acho o local seguro (já fiquei hospedada em um hotel nessa região).

E tudo isso está a uns 5 minutos de caminhada da Calle Florida, a rua de pedestres em que todo brasileiro adora fazer compras e que liga a Plaza San Martin à Plaza de Mayo, onde está a Casa Rosada. Ou seja, o Retiro é central o suficiente para fazer a pé todos os passeios que você quiser. Não é à toa que muitos hotéis de luxo têm unidades nesse bairro, como é o caso do Sofitel, do Marriot e do Sheraton.

No Retiro – que em alguns sites de imobiliárias está registrado como “Plaza San Martin” mesmo -, eu gosto mais da parte que fica entre as Avenidas Santa Fé e as Calles Arenales, Juncal, Arroyo e suas transversais.

Eu sei, eu sei, olhando no mapa, isso corresponde a um espaço bem pequenininho, mas eu avisei que não gostava do Centro, não foi?

Onde ficar em Buenos Aires? Palermo

Primeiro, uma explicação didática sobre as divisões desse imenso bairro de Buenos Aires. Por ser tão extenso, e porque cada parte dele tem características bem distintas, hoje existem vários “Palermos”. Para ter uma idéia da quantidade de subdivisões do bairro, basta ver a Wikipédia… Vou tentar resumir, então:

Palermo (sem qualificação), ou Palermo Botánico: região mais próxima dos parques (Jardim Botânico, Rosedal, Jardim Japones e Parque Tres de Febrero);

Alto Palermo: região próxima do Shopping de mesmo nome (na esquina da Av. Santa Fé com Bulnes). Concentra consultórios de psicólogos, psiquiatras e assemelhados, daí também ser conhecido Villa Freud; 

Palermo Viejo: engloba Palermo Soho e Palermo Hollywood; 

Palermo Soho: é a região no entorno da Plaza Serrano (ou Plaza Cortázar). Quanto mais perto da praça, mais Soho é Palermo. O nome vem da comparação com o Soho de Nova York. Essa parte de Palermo vai até a linha de trem que corta o bairro, margeando a Av. Juan B. Justo;

Palermo Hollywood: fica do outro lado da linha do trem, até a Calle Dorrego. Tem esse nome por causa das produtoras de TV que se concentram na região. 

Dito isto, falemos de hospedagem.

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Parque Rosedal, em Palermo

Palermo ou Palermo Botánico: essa parte do bairro é bem residencial, com um comércio não tão interessante, mas é um ótimo lugar para ficar, especialmente para quem não abre mão de manter a rotina de exercícios mesmo quando está viajando. Com os parques ali do lado, fica irresistível! Acho que essa é a principal vantagem da região.

Nesse trecho, minha parte preferida são as ruas que ficam ao lado do Jardim Zoológico (República de la India, Lafinur, República Arabe Síria e suas transversais).

Alto Palermo: é uma opção para quem quer ficar perto de uma estação de metrô, que passa na Av. Santa Fé. Essa parte de Palermo não tem grandes atrações, fora das ruas principais é um bairro residencial como outro qualquer.

Mas, se o metrô for mesmo essencial nos planos de viagem, eu escolheria um apartamento próximo às estações Bullnes ou Scalabrini Ortiz. Explico: além de ter um shopping como ponto de apoio (o Alto Palermo), na Calle Charcas, tem uma pequena área com cafés, perto da Plaza Güemes, o que é muito útil para começar o dia ou para um lanche na volta dos passeios. Já a região perto da estação Plaza Itália é muuuito muvucada e sem nenhum atrativo. Eu evitaria especialmente a Av. Santa Fé e as Calles Borges e Thames, que concentram o trânsito de e para Palermo Viejo.

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A cara de Palermo Soho

Palermo Soho: se o objetivo da viagem é fartar-se com a gastronomia portenha, uma boa opção de hospedagem é Palermo Soho, já que grande parte dos restaurantes mais interessantes de BsAs está ali (ou em Palermo Hollywood, em Las Cañitas etc.). E essa parte do bairro também é interessante durante o dia, porque é cheia de lojinhas de objetos de design, de roupas, de quinquilharias em geral e cafés deliciosos, com mesas nas calçadas.

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Essa também é a cara de Palermo Soho

Agora, ninguém se engane pensando que Palermo Soho é todo perfeitinho. O bairro, até pouco tempo atrás, não tinha esse ar descolado de hoje. Então, do lado das boutiques moderninhas, pode aparecer… uma oficina mecânica, uma serralharia e coisas do gênero. Mas nada que estrague o charme do lugar.

Como já falei antes, quanto mais perto da Plaza Serrano (Plaza Cortázar), mais interessante fica o bairro, regra que vale para escolher a melhor localização para o apartamento.

Palermo Hollywood: sobre esse pedaço de Palermo, Ricardo Freire acaba de deixar seu veredicto aqui: “Mas o que deu para sacar mesmo, e eu já deveria ter imaginado, é que Palermo Hollywood não é um lugar agradável de dia. De noite a muvuca dos restaurantes é bacana, mas de dia não tem graça nenhuma — tem um comércio de bairro que nem pitoresco mais é. Ou seja: ou você está bem instalado, num apê ou num hotel onde seja muito gostoso ficar, ou nada feito. (A mesma situação de decepção com apartamento na Recoleta ou em Palermo Soho seria bem mais contornável: basta descer e fazer dos cafés a sua área social…)”. Nem me atrevo a acrescentar mais nada! 

Uma dúvida que pode surgir na hora de optar por uma hospedagem em Palermo (em geral) é relativa à distância dos outros bairros. Olhando no mapa, é verdade que uma caminhada de Palermo até o centro não é viável (a não ser para um maratonista…). Mas é verdade também que os táxis em Buenos Aires continuam bem baratos (uma corrida desse tipo não deve passar de uns $ 25,00 pesos – R$ 12,50). E também dá para combinar o táxi com o metrô, economizando um pouco mais ou mesmo para evitar o trânsito nos horários de pico. Então, embora eu ache que, numa primeira viagem, a gente tem mais programas pra fazer lá para os lados do Centro, não acho de todo inadequada uma hospedagem em Palermo, é só uma questão de estilo. Até porque, ficando em outra parte da cidade, vai ser preciso ir a Palermo (ou além!) para jantar várias vezes…

Onde ficar em Buenos Aires? Recoleta e Barrio Norte

No post anterior, falei sobre as vantagens de alugar um apartamento de temporada para se hospedar em Buenos Aires. Depois de tomada a decisão de dispensar o hotel, surge a dúvida: qual o melhor bairro para ficar? Para ajudar a resolver a questão, vou fazer um guiazinho sobre os locais que considero mais interessantes para ficar na cidade.
BsAs-Recoleta

A cara da Recoleta

Recoleta: essa é a minha parte preferida de Buenos Aires. O bairro tem uma cara francesa, com um café em cada esquina, muitas praças, lojas finas para distrair a vista e prédios luxuosos, para sonhar…

Apesar de ser um bairro residencial, as ruas principais têm bastante movimento e um ótimo comércio de bairro. Em cada quadra, existe um “quiosco”, uma espécie de mini mercado, que vende os itens de primeira necessidade, ótimo para quem aluga apartamento e precisa abastecer armário e geladeira. Além disso, o bairro é seguro, o movimento de pessoas nas ruas é grande mesmo tarde da noite. 

Ficar na Recoleta é bom mesmo para o turista que viaja pela primeira vez à cidade, já que o bairro é central, tem fácil acesso para o sul (Centro, San Telmo, La Boca) e para o norte (Palermo). Quem gosta de caminhar, pode até ir ao centro a pé. Além disso, na Recoleta mesmo, há muitas atrações turísticas: o Museo de Bellas Artes, o cemitério da Recoleta, a feirinha da Plaza Francia nos fins de semana, a escultura Floralis Generica etc. 

O mapa abaixo, retirado do guia Time Out (incluí nele só o nome da Avenida 9 de Julio), mostra com clareza os limites de cada bairro. Toda a Recoleta é uma região boa para se hospedar, mas vou tentar explicar as características de cada parte do bairro. 

Mapa Time Out - Recoleta e Barrio Norte

Recoleta e Barrio Norte - Fonte: http://www.guiatimeout.estadao.com.br

A parte que fica entre a Av. 9 de Julio (que, no mapa, aparece só o comecinho), à esquerda do cemitério, é a mais charmosa e sofisticada. Eu só evitaria as ruas principais, a Callao e a Cerrito, pelo barulho e pelo trânsito. As calles Posadas, Alvear, Quintana, Guido e Vicente Lopes e suas transversais são todas ótimas. 

Mais para os lados das Avenidas Santa Fé e Las Heras, e perto da Av. Pueyrredon, acima do cemitério, o bairro continua ótimo, mas tem um pouco mais de comércio, os prédios já não são tão finos… Eu até prefiro ficar nessa área, porque já está a uma distância caminhável do metrô (a estação mais próxima está na Santa Fé com a Pueyrredon, já no Barrio Norte). Nessa região, qualquer apartamento na Pacheco de Melo, Peña, French, Juncal e Arenales e suas transversais é válido. Por causa do barulho, mais uma vez, eu evitaria as avenidas principais (Santa Fé, Las Heras e Pueyrredon). 

Do outro lado do cemitério, à direita da Av. Pueyrredon, fica um pedaço da Recoleta conhecido como La Isla (no mapa, é onde tem um emaranhado de ruazinhas entre o cemitério e a Biblioteca Nacional). Quem passa por ali entende o porquê do nome: uma elevação do terreno em relação à Avenida del Libertador faz com que esse pedacinho do bairro fique meio isolado, como se fosse uma ilha mesmo. Nos sites de imobiliárias, não me lembro de ter encontrado apartamentos localizados por aí, mas é um lugar bem agradável, tranqüilíssimo, mesmo estando ao lado da Av. Las Heras. Ficaria lá se encontrasse um apartamento bom. 

BsAs-Barrio Norte

A cara do Barrio Norte

Barrio Norte: é a continuação natural da Recoleta. Dá para ver no mapa que, na altura da Av. Callao, a Santa Fé já não faz parte da Recoleta, e sim do Barrio Norte. Essa região, que vai desde a Recoleta e está limitada pelas Avenidas Santa Fé e Pueyrredon, é ótima para se hospedar. 

As vantagens de ficar nessa área são a proximidade do metrô, que tem algumas estações na Av. Santa Fé, e o comércio dessa rua, que dispensa perder tempo indo aos shoppings. Na minha última viagem, fiquei bem na divisa Recoleta-Barrio Norte, na esquina das calles Juncal e Uriburu, um local excelente! 

No Barrio Norte, eu evitaria ficar para além das fronteiras da Santa Fé e da Pueyrredon. Não é que fora dessa área seja ruim ou perigoso, nem nada: é apenas sem graça. A regra é essa: quanto mais distante da Recoleta, mais sem graça para o turista fica o Barrio Norte. Então, se a gente encontra ótimos apartamentos num lugar mais charmoso, porque ficar num local tão sem atrativos?

Continuarei o assunto no próximo post.

Alugar apartamento de temporada em Buenos Aires vale a pena?

Apartamentos

Nas últimas vezes em que fui a Buenos Aires, troquei o hotel por um apartamento. Só fiquei em hotel na primeira visita à cidade, e isso mesmo porque, nessa época, o aluguel ainda não estava tão disseminado, e, como eu não conhecia a cidade, fiquei insegura quanto à melhor localização.

A minha impressão é de que alugar apartamento proporciona uma experiência mais próxima da “vida normal” dos moradores da cidade, já que, tendo uma casa, a gente vai ao supermercado, à lavanderia, conversa com o porteiro, com o zelador etc. 

É claro que existem desvantagens ao optar pelo aluguel temporário. A mais óbvia é a falta dos serviços que um hotel oferece, como recepção e serviço de quarto 24h, arrumadeira todo dia, café-da-manhã. 

Mas não ter serviço de quarto abre duas opções igualmente interessantes: encher a geladeira de lanchinhos deliciosos ou explorar os cafés e restaurantes do bairro (e, acredite, BsAs é cheia de ótimas surpresas em cada esquina). 

É claro que, por não ter uma recepção funcionando 24 horas, ao alugar um apartamento, é preciso certa organização para fazer o check in e o check out. Algumas agências cobram uma taxa extra para entregar o apartamento fora do horário comercial ou nos fins de semana; outras, podem não entregar durante a madrugada, mesmo que o cliente se proponha a pagar um acréscimo. Mas tudo isso pode ser resolvido com planejamento e com um telefonema logo que o avião pousar, para fazer com que o procedimento de entrega seja mais rápido. 

Pode até surgir uma certa insegurança ao alugar um apartamento em outro país, afinal, se houver algum problema, como resolver? Mas a verdade é que, hoje, esse negócio está muito profissionalizado, e são raros os relatos de pessoas que se decepcionaram com o aluguel. Fazer uma boa pesquisa, com exame minucioso das fotos e uma leitura cuidadosa das características do apartamento e das regras do contrato também previnem problemas. E também não há garantias de que o hotelzinho que parece charmoso e confortável nas fotos do site seja assim ao vivo… 

Mas a grande vantagem do apartamento é o precinho amigo. Numa determinada faixa de preço, é possível alugar um apartamento muito melhor e mais espaçoso do que um quarto de hotel de preço equivalente. Assim: se você se dispõe a pagar U$100,00 de diária, pode escolher entre um hotel médio numa localização sem graça e um apartamento de luxo! 

E, se procurar um apartamento com o mesmo nível de conforto daquele hotel médio, vai pagar menos da metade do preço do hotel, e, provavelmente, conseguirá uma localização melhor. Hoje, por cerca de U$ 300,00 dólares (ou até menos, sabendo pesquisar), um casal pode se hospedar em BsAs por 07 dias em um estúdio confortável e com excelente localização. U$43,00 por dia é um preço imbatível!

Esse post do Idas & Vindas  tem muitas informações importantes sobre o aluguel de apartamentos em Buenos Aires. Neste outro, do Viaje na Viagem, há uma lista de várias imobiliárias que oferecem o serviço (eu mesma só testei a ByTArgentina e recomendo).


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