Um dia de sol em Moscou

Desde o meu segundo dia em Moscou, minha câmera vinha apresentando falhas, no começo, de forma intermitente, mas foi piorando até eu não conseguir mais usá-la. Vinha resistindo à ideia de comprar outra, porque os preços na Rússia não são nada convidativos, mas ainda teria 10 dias no país e não podia prescindir de uma câmera para registrar tudo o que ainda tinha para ver.

Pela internet, achei uma loja de produtos de fotografia e fui às compras no Shopping Europa. A ida ao shopping acabou sendo produtiva, pois vi que lá havia vários guichês de venda de bilhetes do passeio de barco do Hotel Radisson, que eu ainda pretendia fazer.

Resolvido esse problema, aproveitei o dia ensolarado para fazer alguns passeios ao ar livre que vinha postergando por causa do mal tempo.

A primeira parada foi o Convento Novodevichy. O caminho desde a estação de metro Sportivnaya é bem sinalizado e, mesmo sendo uma segunda feira, havia vários turistas fazendo o mesmo passeio.

Não vi nada muito interessante nas exposições mantidas no museu do convento, talvez por as legendas serem apenas em russo e limitarem a nossa compreensão do acervo. Então, poderia até ter dispensado o ingresso, que não é necessário para passear na parte externa do convento.

O que vale mais a pena é dar a volta no lago que fica no parque vizinho. Do outro lado do lago, a vista das cúpulas douradas do convento é linda!

Depois, segui para o cemitério de Novodevichy, este sim, um lugar interessantíssimo. A decoração dos túmulos impressiona. Apesar de ter uma listinha das figuras ilustres enterradas ali, não me prendi a isso. Só de observar a decoração das sepulturas, dá para perceber que ali estão sepultadas muitas vítimas de guerra,  artistas e… astronautas.

Aproveitando que o tempo continuava firme, segui para visitar um lugar que ainda era uma de minhas prioridades nessa viagem: o mirante da Universidade Estatal de Moscou. Foi de longe um dos meus lugares preferidos na cidade!

Quando estava planejando a viagem, li no Tripadvisor que a melhor estação do metrô para fazer esse passeio era a Vorobevy Gory, mas, no Google Maps, ela fica no meio de uma ponte sobre o Rio Moscou. Pesquisando mais, descobri que é isso mesmo: a ponte tem dois andares, e num deles fica a estação de metrô. De lá, já se tem uma bela vista da cidade.

A saída da estação é no meio de um bosque. Para chegar ao mirante, é preciso subir por uma trilha.

O caminho é bem estruturado (tem pavimentação e escadas), só que sem nenhuma sinalização. Mas, seguindo o instinto – e o fluxo de gente fazendo o mesmo passeio – dá pra chegar lá em cima.

A vista de Moscou compensa. Lá de cima, a gente percebe como a cidade é essencialmente cinza, mas pontuada pelas cúpulas douradas das igrejas.

O mirante está bem de frente para o Estádio Luzhniki, palco das Olimpíadas de 1980, e de lá dá para ver os 7 arranha-céus de Stalin, chamados de Sete Irmãs, mas um desses prédios está às nossas costas: é a Universidade Estatal de Moscou.

Fui caminhando até os pés desse edifício gigante para ver os detalhes da fachada. O que mais chama a minha atenção nas Sete Irmãs não é a altura desses prédios, já que existem outros bem mais altos, mas a sua extensão. Eles ocupam uma área enorme, parecem indestrutíveis, inabaláveis. São construções feitas para intimidar e, pelo menos comigo, a mensagem funciona direitinho…

Depois de ficar um tempo observando o prédio e as pessoas aproveitando o dia de sol nos jardins da universidade, voltei para o metrô e cruzei a cidade até seu outro extremo, para ver mais alguns marcos da era soviética: o Museu da Cosmonautica, o Hotel Cosmos e o Centro de Exposições de Toda a Rússia (VDNKh), que estão todos bem próximos entre si.

Saindo do metro (estação VDNKh), já dá para ver o museu. Não tinha muito interesse pelo acervo, mas estava muito curiosa para ver o museu por fora, porque o monumento em homenagem aos astronautas russos é muito interessante e de perto, ainda mais, pois a estrutura é bem maior do que eu pensava.

Do outro lado da rua, está o Hotel Cosmos, um imenso hotel – tem mais de 1.600 quartos –, construído para as Olimpíadas de 1980. O ideal seria vê-lo à noite, quando sua iluminação estivesse funcionando, só que eu não consegui fazer isso nessa viagem, com a noite caindo só depois das 10:00h.

Fui caminhando para o lado do Centro de Exposições de Toda a Rússia, mas desisti de entrar. Era véspera do feriado do Dia da Rússia, e o povo já estava em plena comemoração. O parque estava lotadíssimo, e eu preferi evitar a multidão. Acabei indo embora sem ver de perto a escultura Operário e Camponesa de Kolkhoz, (mas depois acabei vendo uma miniatura dela na Nova Galeria Tretyakov, que visitei no dia seguinte). Peguei o eficientíssimo metrô mais uma vez e em menos de meia hora já estava de volta à familiar Arbat.

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4 Responses to “Um dia de sol em Moscou”


  1. 1 Camila Navarro 03/11/2012 às 10:12

    Wanessa, ainda bem que você conseguiu comprar uma câmera nova. Imagina só a frustração por não poder registrar (além da memoria) os lugares lindos que você viu na Rússia!

    Senti esse problema das legendas apenas em russo em alguns lugares de São Petersburgo também, principalmente na Catedral de São Pedro e São Paulo. Ainda bem que eram apenas túmulos e bem parecidos, mas ainda assim queria saber quem estava enterrado lá. Com a sucessão de nomes de czares iguais, saber o alfabeto cirílico nem ajudava muito. 😉

    • 2 Wanessa 03/11/2012 às 12:33

      Não tinha como ficar sem câmara, Camila, mas eu resisti muito, porque era algo totalmente fora dos planos e nem tive tempo de pesquisar que modelo comprar. Acabou sendo uma boa aquisição.
      Eu também fiquei confusa na Catedral de São Pedro e São Paulo (e me lembrei do post em que você comentava esse problema!). Não custava nada ter umas plaquinhas com legendas pra ajudar.

  2. 3 Flávio Campos 06/07/2013 às 23:35

    Wanessa.
    Parabéns. Suas fotos são lindas e retratam a beleza desta cidade.
    Estou indo para Moscou daqui alguns dias e gostaria de saber como foi sua entrada na Russia. Tudo correu bem na imigração?
    Vou desembarcar no Aeroporto de Domodedovo. Já verifiquei que é bem tranquilo se deslocar até o centro através do trem Aeroexpress. Só me preocupo um pouco com a questão idioma na hora da imigração.
    Se puder contar como foi sua experiência ficaria muito agradecido.

    • 4 Wanessa 07/07/2013 às 0:21

      Obrigada, Flávio!
      A imigração foi tranquilíssima, o funcionário nem me dirigiu a palavra. Entreguei o passaporte, ele olhou, digitou umas coisas, carimbou e me devolveu, junto com um cartão que a gente deve guardar para entregar ao deixar a Rússia.
      Também cheguei por Domodedovo. Não usei o Aeroexpress, porque minha chegada foi às 5:00h da manhã. Mas, se fosse chegar num horário mais conveniente, usaria o serviço combinado de trem + táxi.


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