Metrô de Moscou: muito além de um meio de transporte

Reservei a minha manhã de domingo em Moscou para visitar algumas estações de metrô, aproveitando que estariam mais vazias no fim de semana.

O metrô de Moscou é uma das atrações mais famosas da cidade, porque, além do aspecto utilitário, a ideologia comunista entendia esse espaço como sendo os “palácios do povo”. Por isso, muitas das estações têm uma arquitetura suntuosa e rebuscada, buscando transmitir o poder do Estado, e são cheias de símbolos e imagens da propaganda do regime comunista.

Apesar de tudo o que eu tinha lido sobre o metrô, não pude deixar de me impressionar com o que vi. Não só a beleza de algumas estações – e o exagero de outras! – chamou a minha atenção: a extrema limpeza do metrô foi o que mais me surpreendeu. Todas as estações por que passei eram muito bem conservadas e imaculadamente limpas, ao contrário de outros sistemas de metrô que já vi mundo afora. O único lixo que vi – e esse é onipresente em toda a cidade – foram garrafas de bebida abandonadas, mas nada de papel, resto de comida, cigarros jogados pelo chão, e muito menos animais…

Fiz um roteirinho sugerido no meu guia Lonely Planet Moscou, parando em quase todas as estações sugeridas. As minhas preferidas foram:

Arbatskaya

Komsomolskaya

Novoslobodskaya

Prospekt Mira

Kievskaya

Ploshchad Revolutsii

Mayakovskaya

(Eu sei que vou parecer repetitiva, mas, se alguém chegou aqui no blog procurando informações práticas sobre como usar o metrô de Moscou, o melhor lugar para encontrar respostas é o post do Trip Advisor, que já citei várias vezes aqui).

Depois que terminei de ver o metrô, subi à superfície, e o tempo tinha virado completamente. O dia que tinha começado ensolarado virou uma tempestade, e eu decidi ir ver a Nova Galeria Tretyakov, um segundo prédio da Galeria Tretyakov, sobre a qual falei num outro post.

Tomei o metrô mais uma vez, desci na estação Polianka e… fiquei totalmente perdida! Essa estação está numa área mais residencial, e não consegui localizar em que direção devia seguir para chegar à galeria. Debaixo de uma chuva torrencial, saí caminhando para tentar me localizar a partir da esquina mais próxima, mas, ou o meu mapa omitia algumas ruas, ou elas tinham outro nome. Naquela chuva, a rua estava vazia. Ainda encontrei um senhor para pedir ajuda, mas, apesar da boa vontade dele, não consegui fazê-lo entender onde eu queria chegar. Quando eu falava “Tretyakov”, com meu melhor sotaque russo, ele achava que eu queria ir à Galeria Tretyakov, o outro prédio que eu já havia visitado antes, e não à “Nova Galeria Tretyakov”. E quando eu apontava no mapa o local da “Nova Galeria”, ele achava que eu estava apontado para o lugar onde estávamos parados… Como a chuva não diminuía e eu não conseguia entender mesmo o caminho, decidi voltar para o metrô antes de me perder ainda mais.

Todos os meus planos para o resto do dia envolviam parques e monumentos, nada que combinasse com chuva, então, troquei-os por um momento de “férias das férias”: passar a tarde num café, acompanhada de uma boa leitura. Pra mim, é a maior vantagem do slow travel, poder matar tempo sem culpa!

Nessa noite, fui assistir a uma apresentação do Ballet Bolshoi no segundo teatro deles, que fica bem próximo ao principal.

Não sei se estava com expectativas exageradas ou se estou sendo exigente demais – se bem que, pelo preço que paguei, tinha direito de esperar muito! -, mas não fiquei satisfeita com o espetáculo. Saí com a impressão de que era “coisa pra turista”. Mesmo sendo um espetáculo menor, composto de trechos de vários ballets, pensei que veria uma boa apresentação, afinal, o Bolshoi tem um nome a zelar… Mas, não. Eu não voltaria a ver um ballet no teatro secundário, mas, se fosse no principal, acho que a curiosidade seria mais forte…

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4 Responses to “Metrô de Moscou: muito além de um meio de transporte”


  1. 1 Gustavo - Viajar e Pensar 29/10/2012 às 22:17

    Esse Metro é incrível, e o interessante e que apesar da grandeza dele e a disponibilidade dele, os Moscovitas andem tanto de carro e possuam aquele trânsito terrível.
    Não se notasse na Ploshchad Revolutsii, que possui estátuas de pessoas, muitos dos pés das estátuas estavam lisos, eles passam a mão nos pés para dar sorte.

    Sobre o Ballet vimos o Gisele tb no segundo teatro e foi incrível, uma pena vc não ter gostado.

    @GusBelli

    • 2 Wanessa 29/10/2012 às 22:37

      Eu percebi esse detalhe nas estátuas da Ploshchad Revolutsii, Gustavo! Vi muitas pessoas passando a mão no focinho da estátua de um cachorro. Os russo são cheios de superstições. Eu achava que fossem manias das pessoas mais velhas, mas vi adolescentes indo lá, prestar reverência ao cachorro. E não é só tocar na estátua, tem gente que para e faz uma prece ao bicho (pelo menos, parecia uma prece, mas vai saber…) Bem curioso.
      Se fosse Giselle, eu não perderia por nada, é meu ballet preferido! Nessa viagem, vi a montagem do Mariinsky, em São Petersburgo, e foi maravilhoso. Acho que não dei sorte com o Bolshoi.


  1. 1 A Nova Moscou* « Cadernos de Viagem Trackback em 03/11/2012 às 13:47
  2. 2 O incrível metrô de Moscou - Vontade de viajar Trackback em 27/08/2014 às 10:04
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