De como passei 6 dias em Moscou e não visitei o Kremlin

Depois de dois dias perambulando a pé por Moscou, achei que já era hora de enfrentar o metrô, até porque eu precisaria dele para voltar para o hotel depois do teatro nessa noite. Ah, se eu soubesse que ia ser tão fácil, teria poupado bastante tempo…

Nessa ponto, eu já estava bem treinado para ler o cirílico, então foi muito fácil me entender com o metrô. Todas as estações são muito bem sinalizadas (em russo, evidentemente) e basta ter o nome da estação de destino nessa língua para conseguir se deslocar. Eu nasci sem GPS, mas mesmo assim não me perdi nenhuma vez dentro do metrô de Moscou (dentro, porque fora dele aconteceu…). O tutorial do TripAdvisor é o guia definitivo para usar o metrô de Moscou, por isso me abstenho de outros comentários.

Tinha separado esse dia para visitar o Kremlin e teria sido perfeito, porque finalmente havia sol em Moscou! Mas essa foi a grande frustração da viagem…

Ao chegar lá, soube que, por causa do feriado do dia 12.06 – sempre ele –, o Kremlin só estava recebendo visitantes individuais para o Fundo de Diamantes (ou era para a Sala de Armas, já nem me lembro).

Havia confiado numa informação que li antes de viajar no fórum do TripAdvisor, de que o Kremlin estaria aberto a visitação mesmo no período em que a Praça Vermelha ficaria fechada para a preparação das comemorações do Dia da Rússia. As visitas só ficariam suspensas no próprio dia 12 de junho.

Só que essa era uma verdade parcial, porque a visita ao “conjunto arquitetônico do Kremlin”, ou seja, ao interior das muralhas, para ver as igrejas e palácios, só estava disponível nesse período para grupos organizados (excursões), e não para visitantes individuais, como era o meu caso.

Eu só consegui entender que havia essa possibilidade quando entrei na página do Kremlin em russo e traduzi, porque, na página em inglês, não havia informação nem mesmo sobre o fechamento, e na própria bilheteria, havia um cartaz informando somente que as visitas estavam restritas ao Fundo de Diamantes (ou Sala de Armas, não me lembro bem), sem nenhuma referência à possibilidade de fazer o passeio com um grupo organizado.

Ainda pedi ajuda no hotel para conseguir me encaixar em uma excursão, mas nem me deram muita esperança, pois já fazia alguns dias que não conseguiam lugar para outros hóspedes, porque todos os passeios estavam lotados… E não conseguiram mesmo.

O resultado é que passei 6 dias em Moscou e não entrei no Kremlin!

Ainda poderia ter visitado pelo menos a parte que estava aberta para visitantes independentes (Fundo de Diamantes ou Sala de Armas), mas o fato é que eu não tinha muito interesse em visitar essas coleções, queria mesmo era ver o interior das muralhas, as igrejas, os palácios…

Ficaram duas lições: 1) é melhor consultar sempre o site russo das atrações turísticas, porque a chance de estar atualizado é maior (usando o Google Chrome, que faz a tradução automática do russo, fica bem fácil); e 2) se tem um passeio que você considera essencial para fazer, é melhor reservar uma excursão ou pelo menos um passeio com guia, porque essa pessoa ficará encarregada de descobrir todas as informações sobre horários e datas de funcionamento, e até pode conseguir uma maneira alternativa de fazer o passeio.

Nesse dia, eu fiquei bem decepcionada de ir tão longe e não poder visitar uma das principais atrações turísticas da cidade – mesmo ficando lá durante 6 dias! –, mas pelo menos, tenho um motivo muito justificável para voltar a Moscou!

Depois desse contratempo e das minhas idas e vindas para tentar resolver a questão, meu dia acabou ficando um pouco curto, também por causa da ida ao teatro (o espetáculo começava cedo, às 19:00h).

Aproveitei o tempo bom para passear por duas das principais avenidas do centro de Moscou, a Tverskaya Ulitsa (e seus arredores) e a Novy Arbat.

A Tverskaya é uma grande avenida, que conserva alguns prédios históricos, muitos deles ainda com marcas do período comunista.

Falei um pouco sobre essa região num post anterior, pois é a mais recomendada para hospedagem em Moscou. Nas ruas próximas, principalmente a Petrovka e a Stoleshnikov, ficam as lojas mais sofisticadas, de estilistas internacionais. A Kamergersky perelouk é uma rua de pedestres com restaurantes e cafés.

Passei também pela Lubyanka Ploschad, onde está a antiga prisão de Lubyanka, sede da KGB, hoje, sede do Serviço Federal de Segurança, pela Teatralnaya Ploschad, praça em frente ao Teatro Bolshoy, e pela Ploschad Revolyutsii.

A Novy Arbat é uma grande avenida que liga o Kremlin à Casa Branca, a sede do governo da Rússia atualmente. Ela não tem nada de turística, mas é interessante caminhar por ela para entrar em supermercados e lojas comuns e observar o dia a dia das pessoas da cidade.

À noite, fui à ópera. Não sou fã do gênero, mas, numa apresentação ao vivo e sendo uma dessas montagens mais conhecidas, até gosto. Eu queria mesmo era entrar no Teatro Bolshoy, mas, como não tinha nenhuma apresentação de ballet nesse teatro nas datas em que estaria na cidade, o jeito foi ir à ópera mesmo.

Comprei a entrada pelo próprio site do teatro, mas não havia muita disponibilidade, mesmo eu tendo buscado com bastante antecedência. Em minhas pesquisas, descobri que se deve comprar somente do site oficial, pois os atravessadores às vezes cobram comissões abusivas, de 30 a 50% do valor do bilhete. Mesmo no site do teatro, os ingressos não são baratos. O programa costuma ser anunciado cerca de 3 meses antes da data do espetáculo, que é a antecedência certa para procurar por bilhetes.

Acabei adorando a experiência! O espetáculo era Turandot. Não tenho muito parâmetro para avaliar a qualidade da montagem, mas gostei dos cantores, e a música é dessas que estão no inconsciente coletivo, todo mundo conhece. O ideal é ler um pouco sobre o espetáculo antes, porque legendas em russo são inuteis! O teatro é realmente lindo e está muito bem cuidado, depois da reforma que terminou no ano passado. Achei que valeu muito a pena.

Não tenho muitas fotos desse dia, e boa parte delas foi feita com o IPhone, porque a minha câmara começou a dar problema – ela acabou parando de funcionar totalmente no dia seguinte. Definitivamente, eu não estava com muita “sorte”…

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13 Responses to “De como passei 6 dias em Moscou e não visitei o Kremlin”


  1. 1 Vitaly 13/05/2013 às 13:16

    lamento muito sobre o Kremlin, ao mesmo tempo imagine, que as vézes a gente não pode nem ver a Praça Vermelha – por exemplo, por causa do desfile de 9 de mayo. Além de isso o Teatro Bolshoi normalmente esta de ferias… Você teve sorte!!!

      • 3 Vitaly 14/05/2013 às 9:23

        o verão é muito curto na Russia, por isso temos de comprimir todo esse periodo de turismo, festas e aventuras em só 4 meses))) Não é fácil. A vantagem é que ainda não há muitos turistas em Moscou, as filas nãs são tão insuportáveis como em Roma, que é uma verdadeira Meca turistica. Também sempre se pode encontrar “eventos compensatorios”. Assim, a Praça Vermelha esta bloqueada os primeiros 10 dias de Mayo, e ao mesmo tempo os turitas podem ver os ensaios do desfile de 9 de Mayo) Alem de isso, muitas ruas se trocam pedonais y se pode ver a cidade de novos ângulos.

        • 4 Wanessa 14/05/2013 às 19:32

          A praça fica fechada por 10 dias seguidos? Isso acontece todos os anos, Vitaly? Eu teria ficado arrasada se coincidisse com minha viagem!

  2. 5 Anne Cristine 14/05/2013 às 8:47

    Eiii, és de Recife? Tô adorando seu blog e aproveitando várias dicas, pois estarei indo à Moscou e à São Petersburgo no próximo dia 25/05.

    • 6 Vitaly 14/05/2013 às 9:02

      oi, Anne Cristine! eu também tento ajudar e aqui escrevi uns conselhos –

      http://guiademoscou.blogspot.ru/2013/04/bem-vindos-russia.html

    • 7 Wanessa 14/05/2013 às 19:30

      Olá, Anne! Passou perto: moro em João Pessoa. Se ainda tiver alguma duvida sobre a viagem, fique à vontade para perguntar.

      • 8 Anne Cristine 14/05/2013 às 21:42

        Foi mesmo, sou de Recife. Perguntei pq em alguma publicação vc comentou sobre o calor do lugar onde morava…
        Vc andava com o seu passaporte ou com alguma cópia? Ou sempre ficava no hotel?
        Li em alguns comentários que podia ser exigido na rua, durante os passeios.
        Obg.

        • 9 Wanessa 14/05/2013 às 23:22

          Anne, eu deixava no hotel mesmo, ficava somente com uma copia colorida na carteira. Apenas no dia 12.06, que é um feriado cívico, decidi levar o original, porque imaginei que a chance de ser abordada na rua seria mais alta (além das comemorações oficiais, tinha uma manifestação dos opositores do Putin marcada para o mesmo dia), mas mesmo assim, não foi necessário. Fico mais segura sabendo que o passaporte está são e salvo no hotel.

          Enviado via iPad

          • 10 Anne Cristine 15/05/2013 às 7:53

            Valeu. Outra coisa, não tomei a vacina contra a febre amarela, pois fiz várias pesquisas e, no site do consulado, nada fala, não constando também na relação de países referida pela ANVISA.
            Vc tomou por precaução?

            • 11 Wanessa 15/05/2013 às 9:03

              No para essa viagem, mas tomei essa vacina antes de ir ao Peru e guardo o meu carto internacional de vacinao junto com o passaporte (no me pediram isso na imigrao. Alis, no me dirigiram qualquer palavra na imigrao!). Anne, nunca imaginei que houvesse febre amarela na Rssia…

  3. 12 Anne Cristine 16/05/2013 às 9:53

    Acho que não me expressei bem. A questão não é me contaminar lá, mas de ser um possível agente transmissor, pois algumas regiões do mundo são consideradas de risco para tal doença (acho que aqui é no norte do país). Daí a preocupação de certos países em exigir a carteira internacional de vacinação para os turistas.
    Como já falei, não vi tal exigência no site do consulado russo e nem na relação disponibilizada pela ANVISA, mas, mesmo assim, algumas pessoas têm essa preocupação.
    Mais uma vez, obg. pelas informações.
    Valeu.

    • 13 Wanessa 16/05/2013 às 17:34

      Anne, eu q entendi muito mal, vc tem toda razão! Desculpe-me! : ) Como adiantei, eu tomei a vacina e fiz o cartão, o que me permite esquecer do assunto por 10 anos. Acho uma boa ideia tomar, nao por essa viagem especificamente, mas para nao ter que se preocupar mais com isso.

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