Da Catedral de Cristo Salvador à Praça Vermelha (pelo caminho mais longo!)

Mais um dia nublado em Moscou, mas eu não tinha como saber se teria dias de sol daí pra frente – e, a julgar pelos acertos da previsão do tempo até então, não teria… O jeito era fazer minha agenda apesar do tempo fechado.

Aliás, cabe um aparte sobre o clima na Rússia: apesar de eu ter viajado no verão, o que significa dias quentes e muito longos, peguei bastante chuva em Moscou e tempo instável em São Petersburgo. Segundo havia lido nos fóruns da Rússia no TripAdvisor, o pior período para visitar o país é na primavera, por causa do degelo da neve, que deixa as cidades sujas de lama, mas acho que isso se aplica mais ao mês de março, quando ainda há neve. A Geórgia deixou um comentário em outro post falando do clima durante sua viagem à Rússia em abril, e aparentemente ela pegou um tempo bem melhor do que eu.

Nesse segundo dia, fui à pé do hotel até a Catedral de Cristo Salvador, uma das igrejas ortodoxas mais importantes de Moscou. Evitei as ruas principais para conhecer um pouco do bairro de Khamovniki. É uma área residencial, bem agradável para caminhar, com casas e prédios baixos, alguns de arquitetura art nouveau.

A Catedral de Cristo Salvador é um prédio de linhas clássicas, todo em mármore branco, e decorada com esculturas em bronze e cúpulas douradas. É uma construção monumental como só os russos sabem fazer.

Essa igreja tem uma história interessante. Durante o período comunista, ela foi demolida por Stálin, que pretendia construir no local o “Palácio dos Sovietes”, mas o espaço acabou sendo ocupado por uma grande piscina pública, vista na foto abaixo (a maior do mundo, segundo o meu guia de viagem e a Wikipedia).

Depois da queda do comunismo, a igreja foi reconstruída e ficou pronta em 1997. O interior é bem mais amplo do que o das igrejas ortodoxas que eu havia visitado no dia anterior e fiquei mais tempo admirando a rica iconostase e observando os fiéis, que fazem fila para fazer uma prece em frente aos seus ícones de devoção. Mas não é possível tirar fotos do interior…

A melhor vista da Catedral de Cristo Salvador é a da ponte de pedestres que fica atrás da igreja, a Ponte do Patriarca.

Dela também se tem uma boa vista da Estátua de Pedro, o Grande (que não é tão fotogênica quanto a igreja, não…), e da sede da antiga fábrica de chocolates Red October. Nesse local, hoje funcionam galerias de arte, cafés e bares.

A vista do Kremlin daqui também é linda…

… mas é só um vislumbre do que eu ainda veria nesse passeio.

Atravessei toda a ilha, descendo na outra margem do Rio Moscou. Fui caminhando até chegar à Lavrushinsky perelouk e interrompi meu roteiro para visitar a Galeria Tretyakov, principal museu dedicado à arte russa em Moscou.

A galeria tem várias sedes, e esta da Lavrushinsky perelouk é famosa pela enorme coleção de ícones, imagens religiosas num estilo que é bem característico da Rússia. O audio guide foi bastante útil para entender o simbolismo contido nessas obras. Mas a minha parte preferida foram as obras do final do século XIX e início do século XX. São desse período as minhas obras preferidas. Não sei como vivi sem nunca ter ouvido falar de tantos artistas impressionantes! Seguem alguns exemplos (as imagens foram retiradas do site da galeria):

Quem vai visitar a Galeria Tretyakov (ou qualquer atração turística na Rússia, na verdade), deve perguntar pela entrada que permite tirar fotos. Explico: na maioria desses locais, é possível tirar fotos no interior, mas só com um bilhete específico, um pouco mais caro. Eles entregam um adesivo, que serve para identificar os que têm direito a fotografar. Mas aí vem a pegadinha: ninguém na bilheteria vai perguntar se você quer esse tipo de entrada ou a simples. É preciso ter iniciativa! E pode ser que você siga até a metade do museu sem saber de nada disso, sem adesivo, tirando um monte de fotos. Mas, no seu momento de maior distração, vai vir uma dessas senhorinhas que fiscalizam as salas do museu para dar o flagrante! Aí, vai rolar uma troca de sinais, e, dependendo da sua cara de decepção, ela pode até deixar tirar mais uma ou duas fotos! Falo por experiência própria… 🙂

Depois de sair do museu, caminhei de volta em direção ao Rio Moscou e atravessei mais uma ponte de pedestres, a Ponte Luhzkov. Essa ponte é a versão local da parisiense Pont des Arts, onde os casais deixam cadeados para garantir que seu amor seja eterno… Só que aqui acharam uma solução criativa para evitar que a estrutura da própria ponte seja usada para isso: colocaram umas armações de metal que, quando cheias de cadeado, parecem umas arvorezinhas!

Quando passei por lá, estavam gravando cenas para o programa Amazing Race, e a prova exigia abrir um monte de cadeados dessas “árvores”.

Dessa ponte, dá para ver algumas fontes no leito do Rio Moscou…

… e mais noivas:

Do outro lado da ponte, está a Bolotnaya Ploschad. Essa praça tem uma escultura muito interessante, chamada “As crianças são as vítimas dos vícios adultos”, de Mikhail Chemiakin.

Nesse dia, a praça estava bem tranquila, mas ela costuma ser o centro das manifestações políticas contra o governo Putin.

Segui pela praça até chegar à Ponte Bolshoy Moskvoretskiy, para voltar em direção à Praça Vermelha. Essa ponte é um ótimo local para fotos panorâmicas de Moscou, inclusive do Kremlin e da Catedral de São Basílio.

Se a praça estivesse aberta, teria me demorado mais um tempo por ali, mas o clima continuava chuvoso, e eu fui procurar um café para fazer um lanche (até esqueci de almoçar nesse dia…).

Atravessei o bairro de Kitai Gorod, que é uma parte bem antiga de Moscou, mas, como estava cansada, pensei em voltar outro dia com mais calma, o que acabou não acontecendo…

Depois desse passeio, já dava pra tirar algumas conclusões sobre Moscou: é uma cidade linda, com todas as igrejas ortodoxas e suas cúpulas coloridas e douradas, mas também surpreende pelos jardins bem cuidados, a limpeza de suas ruas, a arquitetura bem preservada nos prédios dos bairros mais centrais. Só que ela não é uma cidade muito amigável para o pedestre. É cheia de avenidas larguíssimas, com trânsito intenso e qualquer distância é maior do que a gente imagina ao olhar no mapa. Passear por Moscou é ótimo, mas exige tempo e cansa um bocado!

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17 Responses to “Da Catedral de Cristo Salvador à Praça Vermelha (pelo caminho mais longo!)”


  1. 1 Georgia 18/09/2012 às 21:11

    Wanessa, estou aqui lamantendo novamente o fato de ter ido antes de vc. Os seus posts são muuuuito bons.
    As fotos estão lindas e acho que eu perdi uns bons ângulos!!
    Beijos

  2. 2 Georgia 18/09/2012 às 21:16

    Momento Tommy num blog fantástico desse? Não vou dormir hoje. Obrigada, beijos!

    • 3 Wanessa 18/09/2012 às 21:52

      Geórgia, eu que agradeço!
      Estou gostando do seu contraponto. Até agora, tivemos experiências diferentes em relação ao clima e ao conhecimento da língua inglesa nos restaurantes. Antes de viajar, eu tinha lido algumas opiniões contraditórias sobre esse último assunto, até no VnV mesmo: gente dizendo que tinha se deparado com muitas pessoas falando inglês, e outros dizendo o oposto. Eu fiquei sem saber em quem “acreditar”, mas já estou achando que é possível ter experiências bem distintas na Rússia…
      Ah! Eu acho que encontrei mesmo uns pontos bem interessantes pra fotografar a cidade. Só lamento não ter feito esse passeio num dia com sol…

      • 4 Georgia 24/09/2012 às 11:26

        Oi Wanessa, verdade. As nossas experiências refletem exatamente o que vimos nos comentários do VNV e outros. Realmente pode ser bem diferente.
        Mas o que eu queria mesmo é que vc fosse antes a todos os lugares que pretendo visitar para não perder seus ângulos e pontos de vista!
        Adorei de verdade os seus relatos.
        Beijos!

        • 5 Wanessa Lima 25/09/2012 às 10:12

          Obrigada, Geórgia! Pode deixar a lista de suas próximas viagens aqui e prometo me esforçar! 🙂

          Enviado via celular

          • 6 Georgia 25/09/2012 às 13:37

            Wan, vc terá que ser rápida pois estou indo para O sudeste asiático no
            mês que vem!😳

            • 7 Wanessa Lima 25/09/2012 às 20:12

              Ah, assim fica difícil! 🙂 Tenho muita vontade de conhecer essa regiao, mas ainda nao tenho planos concretos. Boa viagem!

  3. 8 Bóia Paulista 24/09/2012 às 10:58

    Oi, Wanessa. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

  4. 11 Gustavo - Viajar e Pensar 24/09/2012 às 14:18

    Show de relato Wanessa

    Moscou é uma cidade linda, porém necessita de estudo para aproveitá-la ao máximo, concordo que é de difícl locomoção ao turista. Que azar a Praça Vermelha fechada.
    Quanto ao clima, este ano fui no Verão e Inverno para Moscou, e posso afirmar que com neve e frio, a cidade é mais linda, tem uma magia estas igrejas ilumindas refletem na neve é D+.

    Vou acompanhar deus relatos para matar a saudade.

    @GusBelli

    • 12 Wanessa Lima 25/09/2012 às 10:16

      Gustavo, acho que no inverno, Moscou deve ficar linda mesmo! Eu adoraria vê-lá coberta de neve. O único problema é o frio… Também estou acompanhando (eadorando!) seus relatos sobre a transiberiana! Um dia quero fazer essa viagem também.

      Enviado via celular

  5. 13 Diogo Avila 25/09/2012 às 7:16

    Nossa, eu teria esperado fácil para ver o pessoal do Amazing Race passar, ou até pular no tapete do pitstop!!!

    • 14 Wanessa Lima 25/09/2012 às 10:19

      Oi, Diogo! Eu nao assisto ao Amazing Race, nem sabia o que viria a seguir…

      Enviado via celular

  6. 15 Andréa 04/02/2016 às 17:33

    Adorei as fotos e os comentários. Viajarei a Moscou em maio e vou anotar os lugares para tirar fotos incríveis que nem as suas. Chegarei dia 30-abril à noite, 1º de maio a praça vermelha estará fechada, mas creio que os outros dias não… espero que eu esteja certa. ficarei até o dia 4. Parabéns!


  1. 1 Metrô de Moscou: muito além de um meio de transporte « Cadernos de Viagem Trackback em 27/10/2012 às 20:54
  2. 2 Cadeados do amor - Vontade de viajar Trackback em 13/08/2014 às 10:04
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