Onde ficar em Moscou

Ao pesquisar hotéis em Moscou, me deparei com opiniões unânimes: quanto mais perto da Praça Vermelha, melhor, sempre dentro do chamado Garden Ring, e especialmente nas proximidades da Tverskaya Ulitsa. Basta olhar a localização dos hotéis mais caros das redes internacionais para perceber a grande concentração deles nessa região. 

Essa localização é boa porque permite ir a pé à Praça Vermelha – o primeiro passeio que todo mundo quer fazer na cidade – e, estando ali tão perto, dá para evitar o “confronto” com o metrô logo de cara. Além disso, a oferta de cafés e restaurantes por ali é grande (a Kamergersky Perelouk, transversal à Tverskaya, por exemplo, é uma rua de pedestres com muitas opções). É nessa parte da cidade também que estão as lojas mais chiques (mas, se até o preço da Zara em Moscou é proibitivo…). 

O problema é que, no centro, há muitos hotéis caríssimos e alguns outros antigões, “da era soviética”. Tudo bem que eu queria ver os vestígios dessa época, mas não precisava dormir neles… Senti falta dos hotéis moderninhos, que unem boa localização, um certo grau de conforto e bons preços, que encontramos em outras capitais europeias. Todos os hotéis na região recomendada têm diárias bem caras… 

No Tripadvisor, se você pergunta por hospedagem com boa localização e preço abordável, sempre indicam o Hotel Budapeste, que é uma pechincha escondida entre os hotéis caros perto da Tverskaya. 

Cheguei a fazer uma reserva no Budapeste, mas antes da minha viagem, surgiu uma segunda opção: o Mercure Arbat. 

Ele não está na área tida como a melhor para ficar, mas também é bem central e próximo de outra das principais atrações turísticas da cidade, a Arbat Ulitsa, uma rua de pedestres cheia de cafés, restaurantes, artistas de rua e lojas de suvenires. A Arbat é um dos locais por onde mais circulam turistas em Moscou, então, as pessoas estão acostumadas a lidar com estrangeiros (o que é ótimo no fim do dia, quando você está cansado de tentar decifrar o alfabeto cirílico e pode relaxar lendo um menu em inglês!). 

O preço do Mercure estava melhor que o do Budapeste, e, em relação às instalações, o Mercure ganhava fácil, por ser um hotel novíssimo (a inauguração oficial foi durante a minha estadia) e confortável. Já o Budapeste, é bem antigo e sem renovação há muitos anos (as resenhas do Tripadvisor e Booking alertam para as camas desconfortáveis…). Acabei me decidindo pelo conforto do Mercure, porque, para 7 noites, melhor evitar o risco de um hotel ruim.

 

Não me arrependi da escolha. Apesar de ter verificado que a localização do Hotel Budapeste é mesmo ótima, a do Mercure não fica atrás, porque é suficientemente central para fazer passeios a pé, O hotel, até por ser bem novo, é bastante confortável, o que compensou alguns problemas que tive lá… 

Minha chegada a Moscou foi pela manhã bem cedo e não foi possível fazer o check-in imediato. Eu estava preparada para isso, mas fiquei esperando no lobby do hotel e eles “esqueceram” de me entregar o quarto quando ficou disponível. Só quando vi pessoas fazendo o check-in subindo direto para os quartos e fui perguntar pelo meu é que se lembraram de mim… Depois, no meu penúltimo dia em Moscou, encontrei um vazamento no banheiro, que não pôde ser consertado, e tive de trocar de quarto. Foi bem inconveniente reunir toda a bagunça correndo depois de 6 noites… E me deram um quarto pior do que o anterior, pois era o único disponível na hora. 

Para compensar: uma noite, pedi serviço de quarto, mas, como demoraram para atender o pedido, não cobraram nada e ainda me mandaram uma cortesia. 

Um inconveniente é que, se o café da manhã não estiver incluído na diária, o preço é bem caro, o que não chega a ser um problema porque a Arbat e seus incontáveis cafés estão a poucos passos.

Apesar dos contratempos, ficaria novamente no hotel. Achei a relação custo x benefício muito razoável, e a localização foi bem conveniente, com metrô praticamente na porta (tão próximo que às vezes é possível ouvi-lo no hotel, mas nada que incomode). Além disso, toda a equipe da recepção fala inglês bem melhor que eu e todos foram atenciosos, mesmo para ouvir as minhas críticas. 

Depois de ir a Moscou e usar o metrô para me locomover por toda a cidade, posso dizer que ficar no centro (dentro do Garden Ring) facilita mesmo a vida do turista, mas achei um pouco exageradas as recomendações para ficar necessariamente nessa área. Se não der para ficar no centro, porque os preços de hospedagem não costumam ser nada razoáveis, acho perfeitamente viável reservar um hotel mais afastado e aproveitar a viagem sem maiores dificuldades. Minha única preocupação seria encontrar um hotel perto do metrô, de preferência, de uma linha que vá direto para o centro. Eu me adaptei muito bem ao metrô, consegui aprender rapidinho a “ler” os nomes das estações, e os trens passam com grande frequência, mesmo no fim de semana. 

Quem quiser preços melhores para se hospedar, deve passar por Moscou no fim de semana. Como a cidade recebe muitos visitantes de negócios, os preços caem nesses dias (que, aliás, são os melhores pra passear pela cidade). E os corajosos devem ir no inverno, quando os preços também são mais baixos.

(As fotos do post são do próprio site www.accorhotels.com, mas são bem fiéis ao que vi no Mercure Arbat)

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11 Responses to “Onde ficar em Moscou”


  1. 1 Georgia 25/07/2012 às 23:29

    Oi Wanessa, ótimo post!!
    Concordo com vc no exagero das recomendações. Eu fiquei no Novotel Moscow centre na rua Novoslobodskaya. Consegui pegar aquele city breaks que inclui o café. Embora tenha ficado caro, ainda estava aceitável. Tinha estação de metro na porta. Adorei.
    Beijos

    • 2 Wanessa 26/07/2012 às 7:12

      Oi, Georgia!
      Que bom que você concordou comigo!
      E tem outro detalhe: pra quem fica só 2 dias em Moscou, até acho que não vai se afastar muito do centro, mas, do terceiro dia em diante, pegar algum transporte público vai ser inevitável.

  2. 3 Nívia 25/07/2012 às 23:37

    Wanessa, esta semana mesmo falei para os meus pais: Se voltar à Europa ano que vem, vou à Russia. A resposta foi: Maluca! Lá ninguém fala inglês!! Quanto à primeira parte discordo, mas quanto à segunda, é realmente impossível a comunicação?

    • 4 Wanessa 26/07/2012 às 7:28

      Oi, Nívia!
      Também discordo dos seus pais! 🙂
      É verdade que a comunicação é mais difícil que em outros locais da Europa, porque, principalmente em Moscou, exceto por algumas placas indicando a direção de pontos turísticos, não existe nem mesmo sinalização pública em nosso alfabeto. Então, você vai precisar aprender o alfabeto cirílico pra poder se deslocar pela cidade.
      Quanto à comunicação oral, realmente a maior parte das pessoas a quem me dirigi na rua para pedir informações, e mesmo garçons em restaurantes e cafés, não fala inglês, mesmo os mais jovens. Já nos hotéis em que fiquei, todos falavam perfeitamente. Acho que a situação é semelhante à de um estrangeiro que chega ao Brasil, porque aqui pouca gente fala inglês, mesmo nos serviços mais turísticos.
      Agora, isso não foi um problema para mim. Aprendi o cirílico rapidinho e isso facilitou meus deslocamentos. Também achei as pessoas bem prestativas, querendo ajudar mesmo sem falar nada de inglês. E sou tolerante, porque eu mesma não falo inglês direito e estou acostumada a viajar apesar da minha limitação.
      Então, Nívia, a dificuldade de comunicação existe, mas não afeta muito a viagem e não é motivo de jeito nenhum pra você mudar de ideia!

      • 5 Georgia 16/09/2012 às 20:53

        OI Wanessa!!!
        Concordo que alguma dificuldade existe mas é perfeitamente possível se virar por lá. Eu não lembro de ter ido a nenhum restaurante em Moscou onde as pessoas não falavam Inglês. Fiquei com raiva de mim, dos medos bobos que eu tive antes de ir pra lá.

        • 6 Wanessa 16/09/2012 às 21:39

          Oi, Geórgia!
          Em Moscou, eu fui mais a cafés do que restaurantes propriamente ditos, e, para falar a verdade, encontrei poucos garçons e atendentes que se comunicavam em inglês. Mesmo na rua Arbat, com todos os turistas circulando por ali, a situação era essa. Achei bem similar ao que acontece no Brasil. Talvez nos restaurantes eles contratem um pessoal mais qualificado, será? Mas isso não chegou a ser um problema, porque sempre havia algum cardápio em inglês ou um balcão com produtos expostos. O fato é que não veio nenhum pedido errado! 🙂
          Eu também tinha um certo receio em relação a essa viagem, mas desmistifiquei completamente e voltaria à Rússia sem pestanejar!

  3. 7 Lu Malheiros 07/08/2012 às 21:37

    Wanessa,
    Que delícia, você esteve na Rússia! Tá na minha lista de países a visitar, mas vai demorar um pouquinho!
    Estudei um pouco de russo: êta língua complicadinha…
    Bjs

    • 8 Wanessa 08/08/2012 às 7:23

      Oi, Lu! É um lugar maravilhoso, eu fiquei com vontade de ir outra vez! A língua é beeem complicada mesmo, mas aprender o alfabeto já ajuda demais. E eu me senti muito inteligente decifrando aquelas letras! 🙂


  1. 1 Em Moscou « Cadernos de Viagem Trackback em 16/09/2012 às 10:46
  2. 2 De como passei 6 dias em Moscou e não visitei o Kremlin « Cadernos de Viagem Trackback em 19/09/2012 às 21:14
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