Archive for the 'Cuzco' Category

Dossiê Peru

1-Peru 1005

Este post encerra a fase peruana do blog e resume tudo que falei sobre Lima, Cuzco, Aguas Calientes e Machu Picchu. Além de indexar os posts anteriores, deixo mais algumas informações que não falei antes. Alguns posts estão citados mais de uma vez, mas é que eu não sou mesmo muito organizada…

 

ROTEIRO: para saber quantos dias ficar em cada lugar, como fazer os deslocamentos e programar os passeios

Peru: planejando a viagem

Planejando os passeios em Cuzco

Planejando os passeios em Cuzco II: a missão

O Vale Sagrado: Ollantaytambo

A caminho de Machu Picchu

Machu Picchu: informações úteis

  

CUSTOS E DINHEIRO

Peru: planejando a viagem

Panaca! (sobre o costume da pechincha)

Um detalhe sobre o dinheiro: é preciso conferir as cédulas de dólar que se pretende levar. Principalmente em cidades menores, como Ollanta e Aguas Calientes, tivemos dificuldade de trocar cédulas de dólar que estivessem desgastadas ou rasgadas nas bordas. A nota tem de estar novinha, se não, ninguém recebe. Apenas em Lima, no último dia da viagem, consegui me livrar de uma cédula que tinha um rasguinho mínimo na borda…

 

SAÚDE

Chegada a Cuzco

Para viajar ao Peru, é preciso ter o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela. Essa vacina demora 10 dias para se tornar eficaz, então, é preciso tomar com antecedência. Ela está disponível gratuitamente nos postos da ANVISA, local em que também se faz o certificado internacional. Para pegar o certificado, é bom preencher o roteiro de viagem com antecedência no site da ANVISA, para agilizar o procedimento.

Acho importante ter um seguro saúde à disposição sempre que viajo. Dessa vez, não comprei nenhum, mas liguei antes para a administradora do cartão de crédito que usei na compra das passagens para me certificar de como seria a cobertura, quais os telefones de contato etc. Ainda bem que não precisei testar!

Não tivemos problemas com o mal da altitude, os efeitos foram leves, mas levei na bagagem comprimidos Cibalena-A, que combatem o problema. Não custa lembrar que um médico deve ser consultado antes do uso de qualquer medicamento desconhecido.

 

LIMA

- Passeios

Primeiras impressões

A segunda vez é sempre melhor

- Restaurantes

À mesa em Lima

- Compras e artesanato

Só uma lembrancinha

 

CUZCO

- Passeios

Planejando os passeios em Cuzco

Planejando os passeios em Cuzco II: a missão

O Vale Sagrado: Chinchero

O Vale Sagrado: Ollantaytambo

O Vale Sagrado: Pisac

City tour

San Blas

O Vale Sagrado Sul

Deixei numa caixa de comentários a seguinte mensagem sobre o guia de turismo que nos acompanhou em Cuzco:

“Eu e minhas amigas fomos muito bem atendidas pelo Sr. Carlos e achamos o preço cobrado pelos passeios (50,00 dólares p 3 pessoas pelo passeio de 1 dia) bastante justo, tanto que nem negociamos com ele (e isso indica que ainda pode haver algum desconto…).

Agora, tenho que te alertar para um detalhe: o fato de ele ser ou não guia oficial de turismo, registrado no INC, não ficou claro para nós. Primeiro, perguntamos por isso, e ele respondeu afirmativamente. Mas, quando fizemos o último passeio, no meio de uma conversa, ele deu a entender que não era guia registrado. Eu acredito que ele não seja mesmo, até porque nos disse que foi empregado de um banco por muitos anos antes de assumir a profissão de guia.

Mas isso não prejudicou em nada a qualidade do serviço. Com certeza ele poderá atendê-lo muito bem. Ao negociar, pergunte logo por todas as opções de passeio. Ele deve te oferecer 3: o Vale Sagrado “tradicional”, semelhante às excursões, o passeio pela parte Sul do Vale Sagrado, que já inclui outros sítios, como Tipón (que visitamos e é lindíssimo!) e um terceiro, para dois outros sítios (Maras e Moray), que não chegamos a fazer. O preço desse último tour era mais barato (40,00 dólares).

Bom, o contato é o seguinte: Carlos Gonzalez Gamarra
084-984756898 - e-mail: cargonga@hotmail.com

- Restaurantes

À mesa em Cuzco

- Compras e artesanato

O Vale Sagrado: Chinchero

Da mesma forma como em Lima, em Cuzco também há várias lojinhas de artesanato mais sofisticado (preço idem, claro…). Algumas delas: Pedazo de Arte (Calle Plateros, 334-B), Kuna, by Alpaca111 (Plaza Regocijo, 202, e outros endereços, inclusive no Larcomar, em Lima), Peru Artcrafts (também na Plaza Recocijo, não peguei o número). Em San Blas, perde-se a conta das lojas e ateliês!

 

AGUAS CALIENTES E MACHU PICCHU

A caminho de Machu Picchu

Machu Picchu: informações úteis

 

UMA INSPIRAÇÃO: galerias de fotos

Cores de Cuzco

Em Machu Picchu

 

NA INTERNET: blogs de viagem e sites interessantes sobre o Peru

Idas e Vindas

Viaggiando

Dividindo a Bagagem

Agora Vai

O Meu Lugar (um relato histórico) 

En Peru (em inglês. No Twitter, procurar por @stuenperu)

Cucharas Bravas (em espanhol)

NY Times (36 horas em Lima – em inglês)

 

UPDATE: PERU OFF  MACHU PICCHU

Nos últimos meses, o Viaje na Viagem publicou uma série de posts sobre a viagem do Ernesto ao Peru, passando por vários locais surpreendentes: Nazca, Paracas, Islas Balestras, Huancayo, Ayacucho e Quinua. O Ernesto passou também por Lima, onde também esteve o Edu Luz, numa viagem gourmet. Para quem quer conhecer um pouco mais do país, esses posts são a melhor fonte de pesquisa.

O Vale Sagrado Sul

No nosso quarto dia em Cuzco, depois de já termos feito o City Tur e visitado o Vale Sagrado, teríamos de voltar a Ollantaytambo à tarde, para pegar o trem para Aguas Calientes. Mas combinamos um último passeio com nosso guia, Seu Carlos, antes que ele nos deixasse em Ollanta. Fomos conhecer a parte sul do Vale Sagrado, ou o Valle Sagrado Sur: Tipón, Andahuaylillas e Piquillacta. A entrada para esses sítios está incluída no Boleto Turístico.

A primeira parada foi em Tipón. Lá, funcionava uma espécie de jardim botânico dos incas, com uma série de “andenes” (degraus para agricultura) mais baixas do que as que tínhamos visto em Ollanta e em Pisac. Ao que parece, os terraços de Tipón não tinham finalidade agrícola, mas apenas ornamental. O lugar servia para descanso do Inca (o chefe desse povo) e sua família.

Peru 754

Ali existe uma complexa rede de irrigação, com canais por onde até hoje corre a água resultante do degelo de neves eternas das montanhas andinas. É possível também experimentar o trono onde o Inca em pessoa permanecia para receber oferendas e banhavar na água das fontes.

Peru 778

Quem tem crenças místicas, diz que a energia de Tipón é maravilhosa, mas eu, que sou muito cética, fiquei impressionada mesmo foi com o visual. O lugar é lindo! 

Peru 787

Em seguida, fomos conhecer Andahuaylillas, um povoado em que os espanhois construiram uma pequena igreja que é um encanto! Por fora, ela é bem singela, e ainda está com a fachada toda coberta pelos andaimes usados na restauração. Mas o interior…  Não é para menos que a chamam de “a Capela Sistina das Américas”.

Peru 790

Em Andahuaylillas, é possível ver como muitas das divindades incas – o sol, a lua – foram utilizadas em representações católicas, tudo para facilitar a conversão dos indígenas à nova religião. Os altares são decorados com muito ouro e têm um colorido que não é comum em imagens católicas. As paredes também são todas recobertas de pinturas, no melhor estilho da escola cusqueña. Infelizmente, não é possível fotografar o interior da igreja, mas achei estas imagens:

Na porta da igreja, mais um mercado indígena, mas Andahuaylillas é um lugar tão pequeno e tão tranquilo que nem os vendedores se importam em correr atrás dos turistas!

A terceira parada foi em Piquillacta, um sítio arqueológico deixado pela cultura Wari, que é tida como uma das precursoras dos incas. Aqui, existe toda uma cidade murada, que se estende por vários quilômetros. As ruínas ainda estão sendo restauradas – e estarão assim ainda por muito tempo, em razão de sua grande extensão. Mas já dá para ver que ali existe muita história para ser conhecida… 

Peru 803

Peru 806

1Peru 794

Como última parada antes de Ollanta, voltamos a Pisac, para dar uma olhada no mercado de artesanato mais famoso do Peru. Quer saber? Depois de tudo o que já tínhamos visto em Cuzco e mesmo em Lima, achei apenas mais do mesmo. Fiz umas comprinhas rápidas só por achar que era mesmo a última oportunidade, mas não encontrei lá nada que não pudesse achar em outros locais. Os preços também não eram dos melhores… Claro que a fama de Pisac inflaciona os preços!

O que chamou mesmo a atenção foi o milho. Ah, o milho peruano! Já tínhamos visto alguns exemplares de espigas de milho por lá, em restaurantes, mas provar aqueles grãos gigantescos é uma experiência divertida de um jeito quase infantil!

1-Peru 817

O sabor não tem muita diferença em relação ao que a gente encontra pra vender em toda esquina no Nordeste no mês de junho, época de São João. Mas, nesse dia, almoçamos só isso aí mesmo: uma suculenta espiga de milho com queijo!

À mesa em Cuzco

Peru 652

Como já contei aqui, nossa primeira refeição em Cuzco não foi nada agradável… Mas essa foi uma experiência isolada. Embora em Cuzco a cena gastronômica não seja tão desenvolvida quanto em Lima, lá também é possível comer muito bem.

Para compensar a primeira experiência desastrada, fomos jantar num restaurante italiano bem legal, o Incanto. Fica pertinho da Plaza de Armas, num ambiente moderno e muito gostoso. Provamos um risoto e uma massa, tudo delicioso. No andar de cima do mesmo prédio, funciona o Greens, um restaurante com comida natural ideal para um bom almoço, e que a LuMalheiros já testou.

Experimentamos também a pizza mais tradicional da cidade, na Chez Maggy. Antes de entrar, paramos na porta para ver o cardápio e logo um grupo de pessoas que estava jantando nos avisou: ” -  Podem entrar, é aqui mesmo a melhor pizza de Cuzco!”. Obedecemos imediatamente! São dois restaurantes funcionando na Calle Procuradores, um de frente pro outro, o que obriga os garçons a, de vez em quando, cruzar a rua levando as pizzas para clientes na outra casa. O local é bem descontraído, e a pizza é preparada bem à vista dos clientes, quase no meio do salão. Comemos uma pizza bem básica, tipo marguerita, muuuito boa (e olha que, das massas, a pizza é a que menos aprecio…). Gostamos tanto que voltamos no restaurante de Aguas Calientes.

Outro lugar muito bom onde comemos foi o Inka Grill. Essa dica, peguei com a Carla. O restaurante fica na Plaza de Armas e tem um cardápio mais sofisticado, usando muitos ingredientes tipicamente peruanos. Aqui, fiz questão de pedir a sobremesa (pura gula!), e não me decepcionei.

Na única noite em que conseguimos encontrar os restaurantes de San Blás abertos, não queríamos jantar, estávamos procurando um lugar para fazer um lanche. Então, fomos ao Jack’s Café, uma mistura de lanchonete e boteco, onde comemos uns sanduíches (gigantes) com batatas fritas. Foi dica da LuMalheiros e era o lugar mais movimentado de San Blas naquela noite.

Durante a nossa visita ao Vale Sagrado, almoçamos em Urubamba. Fomos a um buffet andino, onde provamos vários pratos típicos da comida peruana, tudo muito saboroso. Infelizmente, não guardei o nome do local, que foi indicado pelo nosso guia. Mas sei que, como ele, existem vários outros restaurantes funcionando no mesmo esquema na região, com preços e cardápio semelhantes.

Onde não deu tempo de ir:

- MAP Café, dentro do Museo de Arte Precolombino;

- Cicciolina, queria ter ido tomar café da manhã um dia, jantar em outro…

- Pacha Papa, comida peruana, em San Blas;

- Chicha, restaurante de Gaston Acurio em Cuzco, inaugurado em fevereiro, já mencionado no Tripadvisor e comentado aqui.

P.S.: não tenho mais os preços das refeições em Cuzco, mas o custo não é alto. Nos restaurantes em torno da Plaza de Armas, onde se concentram os “pega-turista”, a dica é olhar o cardápio antes de entrar. Os bons restaurantes cobram preços justos.

Cores de Cuzco

Todo mundo que vai a Cuzco se impressiona com o colorido da cidade e com as manifestações culturais de seu povo. Comigo não foi diferente…

A começar pela coloridíssima bandeira da cidade: qualquer semelhança com aquela outra (do movimento GLS), é mera coincidência! Segundo a Wikipedia, a bandeira de Cuzco foi inspirada em um estandarte utilizado pelos incas.

Peru 662

Peru 599

Como aconteceu no Brasil, a Igreja Católica teve muita influência no período colonial no Peru, mas o povo peruano também deixou sua marca na Igreja Católica… Basta ver o colorido desta decoração!

Peru 606

No fim de semana que passamos em Cuzco, vimos uma grande festa na Plaza de Armas, com apresentações de vários grupos folclóricos. Acho que esse tipo de evento é comum por lá: atrai os turistas e rende lindas fotos!

Peru 574

Peru 573-1

Peru 584

Peru 579

Peru 576

Peru 582

San Blas

Em Cuzco, saindo da Plaza de Armas pela Calle Triunfo, ao lado da Catedral, depois de uma looonga subida, chega-se ao bairro de San Blas. Ok, não é uma subida tão longa assim, mas é bem íngrime, tanto que, em alguns pontos, as calçadas viram escadas, e, quando se está a mais de 3.000m de altitude, qualquer degrau a mais faz diferença. Dá pra ir de táxi da Plaza de Armas até San Blas rapidinho, mas o passeio a pé vale a pena.

Peru 612

Logo no começo da Calle Triunfo, ainda perto da Plaza de Armas, o movimento de turistas ainda é grande. Ali é comum encontrar pessoas vestidas com roupas típicas do Peru servindo de modelo para os fotógrafos (e todo modelo cobra cachê, claro!). Varias das casas dessa parte da cidade foram erguidas sobre antigas construçõs incas, então é comum encontrar paredes como a da fato abaixo. Aliás, essa pedra maior, bem no centro da foto, é atração turística, por ter 12 ângulos em sua face frontal, tudo para permitir um encaixe perfeito (coisas dos incas…). É impressionante mesmo, porque essas pedras nem são tão pequenininhas como parecem na foto…  

Peru 614

Na esquina com a Calle Herrajes, a Triunfo passa a se chamar Calle Hatum Rumiyoc. Bem nesse cruzamento, fica o Museo de Arte Religioso. Não entramos por pura falta de tempo (aliás, não visitei nenhum dos Museus de Cuzco…), mas de fora me pareceu muito bonito. Acho que a visita vale a pena, nem que seja só para admirar o prédio.

Quando a gente se afasta um pouco do Centro, começa a perceber que as lojinhas para turista vão sendo substituídas por… outras lojinhas para turistas! San Blas concentra muitos ateliês de artesãos, então, é possível encontrar ali um artesanato mais sofisticado e verdadeiras obras de arte. Os preços acompanham a qualidade dos trabalhos. Infelizmente, no dia em que fui conhecer o bairro de dia, era domingo, e a maioria dos ateliês estava fechado.

Na parte mais alta do bairro, a cidade ganha uma tranquilidade inesperada. Parece que ninguém tem ânimo de subir até ali e volta para a Plaza de Armas do meio do caminho. Mas é ótimo passear pelas ruazinhas desertas, cheias de casas coloniais. Até parece que o tempo parou ali! 

Peru 619

Peru 621

Um bom lugar para fazer uma parada (e um lanchinho) são os cafés ao redor da Plazoleta San Blas, essa pracinha bem ao lado da Iglesia de San Blas. O local é uma delícia, dá vontade de passar horas por ali. 

Peru 639 Peru 641

O bairro é cheia de hostais e albergues minúsculos, do tipo que só se descobre chegando lá, com a mochila nas costas. O que aparece na foto abaixo, Casa San Blas, parece ser uma graça (não entrei para ver os quartos) e tem um restaurantezinho bem charmoso do lado.

Peru 649

Acho que ficar em San Blas é uma ótima alternativa à região da Plaza de Armas, porque é fácil descer até a Plaza para visitar as atrações principais da cidade e, à noite, quando a gente volta dos passeios, já está pertinho dos lugares para sair, porque a noite de Cuzco acontece em San Blas.

Aliás, foi difícil entender o conceito da “noite” em Cuzco. Na nossa primeira tentativa, depois de um dia passeando pelo Vale Sagrado, ficamos descansando um pouco no hotel é só chegamos a San Blas ali pelas 22:00h. Resultado: encontramos o lugar bem deserto, e alguns restaurantes já fechando as portas. Demos umas voltinhas, meio inseguras, e voltamos pra Plaza de Armas, pra comer pizza na Chez Maggy, dica de todo mundo que já esteve em Cuzco; deliciosa, por sinal.

Mas não desistimos: caminhando por San Blas durante o dia, identificamos o problema: claro que, em uma cidade na qual os exaustivos passeios turísticos começam normalmente bem cedo da manhã, a “noite” praticamente equivale a uma happy hour! 

Então, na noite seguinte, voltamo a San Blas mais cedo, umas 20:30h. A essa hora, as ruas estavam mais movimentadas, e os restaurantes, todos funcionando! Acabamos indo na dica da Lu Malheiro, o Jack’s Café, que foi onde encontramos mais movimento mesmo (até teve fila na porta uma hora) e não queríamos exatamente jantar. O lugar tem é bem descontraído e quentinho (uma delícia para quem sai das ruas geladas de Cuzco). No cardápio, há várias opções de sanduíches com batatas fritas, em porções bem generosas. Adoramos!

Mas, para quem quer varar a madrugada, as opções são os bares em torno da Plaza de Armas. Bem do lado do nosso hotel, tinha uma boite que ficava aberta até as 4:00h da manhã (pelo menos), o que constatei do meu quarto mesmo. Acabei usando os protetores de ouvido que o próprio hotel oferece…

City Tour

Quando começamos a planejar nossos passeios em Cuzco, a idéia era evitar os passeios do tipo excursão, pelos motivos que expliquei aqui e aqui. Então, o City Tour, que é o primeiro passeio que todo mundo faz em Cuzco, acabou ficando para o terceiro dia da cidade, depois que já havíamos visitado o Vale Sagrado. E fizemos esse tour de ônibus mesmo, pois nosso guia, Seu Carlos, estaria ocupado nesse dia e também não encontrou outra pessoa que pudesse nos levar. Então, já cansadas de procurar táxi na praça, acabamos nos convencendo a pegar o ônibus, até pra ver a diferença da excursão para o nosso passeio personalizado do dia anterior.

Quanto à qualidade do passeio em si, não há comparação. Ter de fazer o tour com mais 30 pessoas (ou bem mais, se contarmos que vários ônibus saem no mesmo horário), com um guia que, por mais que se esforçasse, mal conseguíamos ouvir, por causa do barulho dos outros guias e dos turistas, não foi tão agradável quanto termos um guia-motorista particular.

Para mim, uma das grandes vantagens de fazer o tour de táxi foi a liberdade para ficar o tempo que queríamos em cada lugar. Na excursão, passei a tarde inteira correndo atrás do grupo, já que eu sempre queria tirar mais fotos, de preferência, depois que o povo já tivesse desocupado o cenário…

O preço do passeio oferecido pelas agências varia de 15,00 a 25,00 soles (5,00 a 8,33 dólares). As diferenças entre as várias agências são duas: algumas oferecem o guia apenas em espanhol, outras, em espanhol e inglês; algumas incluem a Catedral no passeio, outras não.

Um resumo do City Tour:

1) Qoricancha 

Peru 675

Peru 685

 2) Sacsayhuaman

Peru 692

Peru 705

Peru 714

3) Qenqo 

Peru 721

4) Puca Pucara

Peru 729

Peru 730

Peru 734

5) Tambomachay 

Peru 737

Peru 740

O Vale Sagrado: Pisac

 Peru 458

Nossa visita a Pisac começou perto das 16:00h. Já era tarde, por isso fomos direto visitar as ruínas. O plano era depois seguir para o Mercado de Pisac, que, (surpresa!), não funciona apenas aos domingos, terças e quintas-feiras, como eu havia lido tantas vezes antes de viajar. Nesses dias, a feira é maior, mas, nos outros, a maior parte das banquinhas de artesanato continuam por lá.

Em Pisac, fizemos uma trilha com duração de cerca de 1 hora e 30 minutos. Começamos na parte mais alta da montanha e fomos descendo em direção às “andenes”, que são aqueles “degraus” enormes que, segundo a gente aprendeu na escola, permitem que a agricultura seja praticada mesmo em um terreno muito íngreme, como o dos Andes. Nas fotos, esses degraus parecem pequenos, mas, no local, cada um deles chega a ter seis metros de altura.

Conversando com a Camila, concluí que fizemos o passeio por uma trilha um pouco diferente do dela, que fez uma excursão. Nosso guia nos deixou num mirante que fica acima do estacionamento usado pelos ônibus de excursão, e nós fomos descemos para encontrá-lo de novo nesse estacionamento. Já os grupos que vêm de ônibus fazem apenas a parte final dessa trilha, pois seguem por ela até a cidadela e voltam pelo mesmo caminho.  Na foto abaixo, dá para ver o local de parada dos ônibus e ver como começamos a trilha em uma parte bem mais alta. Uma vantagem do nosso caminho é que ele é quase sempre uma descida, então, o cansaço é menor. 

Peru 500

 O começo da trilha é tranquilo, sem passagens muito estreitas e o terreno não é íngrime, já que, embora haja algumas subidas, nosso objetivo é descer. 

Peru 465

Mas não é sempre essa moleza. Algumas das escadarias que tivemos de subir tinham os degraus muito estreitos e cheios de areia. Pior que, se a gente olhasse pro chão pra ver onde estava pisando, via também o abismo ali do ladinho… Também passamos por um tunelzinho escavado na montanha.

Peru 503

Peru 504

Peru 511

No meio do caminho, passamos por ruínas de uma cidadela construída pelos Incas. Como em Ollantaytambo, ali existe um sistema de distribuição de água que continua em perfeito funcionamento até hoje. Paramos para descansar um pouco ali, mas não tínhamos muito tempo, afinal, o sol estava caindo, e nós estávamos na face da montanha que já não recebia luz.

Peru 519

Peru 537

Passamos por alguns momentos de tensão no fim da caminhada. Depois de sair pela cidadela, tomamos o caminho errado e fomos para numa trilha sem saída… ou melhor, a saída era o penhasco! Também já tínhamos perdido de vista o último guia que passou por nós e, àquela hora, não parecia haver mais ninguém para atrás, éramos as últimas na trilha! Mas foi só volta um pouco pelo mesmo caminho e facilmente encontramos a rota certa. Essa trilha não tem mesmo dificuldade nenhuma, mas ficamos preocupadas pelo fato de o sol já estar se pondo. E o mercado de Pisac teve que ficar pra outro dia…

Peru 560

Apesar de essa caminhada ser leve e rápida, no final, eu cheguei completamente acabada, sem fôlego, e, nesse dia, senti um pouco do mal da altitude: dor de cabeça e falta de ar. Mas nada que uma Cibalena-A não tenha resolvido. E a paisagem linda valeu o sacrifício!

O Vale Sagrado: Ollantaytambo

Peru 406

De Chinchero, fomos para Ollantaytambo.

Ollanta não era uma fortaleza, nem um local de culto aos deuses; era uma verdadeira cidade inca, habitada pelas pessoas comuns desse povo. A cidade  é todo recortado por pequenos canais nos quais a água que vem de lençóis freáticos ou de degelo (não  me lembro ao certo) circulava continuamente, servindo à população local. E essa água continua fluindo por ali até hoje, como no tempo dos incas. E não é pouca água, não!

Peru 412

Como aqui seria a melhor oportunidade de conhecermos o modo de vida dos Incas, optamos por não ir às ruínas localizadas nas montanhas, destinadas à agricultura, que, segundo nosso guia, Seu Carlos, tinham semelhança com as de Pisac, que ainda veríamos à tarde. Então, fomos visitar o povoado e uma das casas que eram usadas como moradia pelas famílias incas.

Peru 419

Ollanta tem muitas dessas casas, agrupadas de quatro em quatro, com um pátio no centro. Cada uma delas era ocupada por uma família e tinha somente um cômodo, sem divisões internas. Seu Carlos quis nos convencer de que a família cuja casa visitamos vive na mesma construção igualzinha ao jeito que era na época do império Inca. U-hum! Se o povo tem até celular, como é que vai se acostumar a viver em uma casa onde, no mesmo cômodo, fica a sala, a cozinha, o quarto e o quintal?

 De todo modo, foi interessante ver uma dessas casinhas por dentro e conhecer a criação doméstica de cuyes (animais parecidos com o porquinho da índia).

Peru 436

Peru 441

Ainda paramos para observar algumas ruínas nas montanhas no entorno da cidade, e também uma formação rochosa que se parece um rosto. Esta foto mostra bem:

Peru 428

Peru 408

Depois disso, fomos a Urubamba, outra cidade do Vale Sagrado que, coitada, não tem ruínas pra chamar de suas… Então, se vira como pode: lá tem muitos restaurantes e é onde todo mundo que está visitando o Vale Sagrado vai almoçar. 

Ainda voltamos a Ollanta dois dias depois, para pegar o trem em direção a Aguas Calientes (Machu Picchu). Caminhamos um pouco por lá, até a estação de trem, e deu para ver que a cidade tem uma estrutura razoável para passar uma noite. Vimos vários albergues bonitinhos e até alguns hotéis maiores. Na praça central, há restaurantes e cafés.

Os primeiros trens de Ollanta para Aguas Calientes são os seguintes:

Backpacker: 05:37h, chegando a AC às 07:01h

Vistadome: 06:40, chegando a AC às 08:01h. 

Ou seja, dormir em Ollanta me parece uma boa alternativa para quem não quer passar a noite em Aguas Calientes (a hospedagem lá realmente não é das mais confortáveis e baratas), mas também não quer chegar a Machu Picchu junto com todo mundo que vai direto de Cuzco (os primeiros trens que saem de Cuzco chegam a AC às 10:51 – Backpacker – e às 09:52h – Vistadome). 

 

O Vale Sagrado: Chinchero

Peru 312-2

Finalmente, pegamos a estrada para conhecer o Vale Sagrado dos Incas!

A paisagem da região de Cuzco por si só já valeria a viagem. Os Andes circundam o vale do Rio Vilcanota, também conhecido como Rio Urubamba, e, de vez em quando, surge um pico nevado no horizonte. Pegamos dias de muito sol, com céu azul e temperatura agradável. As estradas também são ótimas.  

Nossa primeira parada foi em Chinchero. Mas, antes de visitarmos as ruínas propriamente ditas, paramos em um pequeno ateliê. Vimos as artesãs preparando a lã de alpaca e demonstrando o uso de corantes naturais para colorir os fios, o que é interessantíssimo, pois as cores se alteram com a simples adição de outras substâncias simples, como sal e limão.

Peru 347

Peru 345

Nesse lugar, não é preciso pagar pela demonstração e pelas fotos, já que se espera que os turistas comprem os produtos à venda. Como não comprei nada, deixei uma gorjeta. Apesar de aqui as artesãs não terem dado nenhum desconto em suas peças (!), acho que umas comprinhas teriam valido a pena. É que depois percebi que os produtos delas eram mais bonitos e autênticos do que a maioria dos outros que encontrei até o fim da viagem. Mas, a essa altura, eu ainda não sabia disso…

Peru 338

Peru 340

Peru 351

Depois, seguimos para as ruínas. Em Chinchero, os espanhóis aproveitaram as construções incas para servir de base para os seus próprios prédios. Visitamos uma igreja construída assim. Lá, vimos o estilo de pintura da escola cuzquenha, presente em várias igrejas do período colonial erguidas no Vale Sagrado. 

Vale Sagrado041

Do lado de fora da igreja, funciona o Mercado de Chinchero, onde alguns vendedores expõem seus produtos, mas, no horário em que passamos lá, não tinha praticamente ninguém. O normal é que os ônibus de excursão passem por Chinchero mais tarde. Por isso, aproveitamos para apreciar a paisagem sem intromissões…

Peru 368

Peru 375 

Planejando os passeios em Cuzco II: a missão!

Como eu ia dizendo, existem umas 2.565 agências oferecendo os dois passeios mais comuns na região de Cuzco, todos eles padronizados e com pouca variação de preço. Mas nós não queríamos fazer a coisa desse jeito simples e cômodo. Queríamos chegar nos lugares antes de todo mundo, tirar foto naquela paisagem de cartão postal, com tudo vazio, só pra gente. Como estávamos em três, acreditamos que dava para fugir dos pacotes e fretar um táxi só nosso com um guia particular. Muito finas, nós…

Então, começamos a procurar nas agências um serviço como esse, exclusivo. Recebemos uns preços meio salgados: 100,00 dólares, sendo 50,00 pro guia e 50,00 pro motorista. Disseram que guia não podia ser motorista e vice-versa, então, a gente precisava contratar 2 pessoas. Buscamos junto ao nosso hotel e foi a mesma coisa (o hotel também tinha sua própria agência, não tinha interesse em nos vender passeio particular). Chegamos num preço de 90,00 soles em uma agência, mas ficamos inseguras sobre a idoneidade do guia, que não conheceríamos com antecedência, e esse precinho… quando a esmola é muita, o santo desconfia!

Daí, concluímos que estávamos procurando o serviço no lugar errado: se a gente queria ir de táxi, tinha de tratar diretamente com os taxistas! O primeiro nos ofereceu o passeio por 100,00 soles (50,00 pra ele, 50,00 pro guia), mas não sentimos firmeza na conversa. E ficamos por ali, procurando um outro taxista que parecesse mais confiável.

Nessa indecisão toda, já era quase 10:00h da manhã, e começamos a pensar que, se continuássemos com tantas dúvidas, a gente acabaria não decidindo antes das duas da tarde, e aí só nos restaria fazer o city tour de busão mesmo.

Foi aí que apareceu Seu Carlos. Ele se apresentou como guia oficial de turismo e, quando perguntamos informações sobre o Boleto Turístico, disse que era coordenador regional (ou algo do gênero) da organização que administra esse ticket. Falou também que não havia nenhum problema de o guia servir de motorista, o que era o caso dele. E ainda por cima quis nos convencer a fazer primeiro o passeio ao Vale Sagrado, e não o City Tour, quebrando a regra de ouro segundo a qual devíamos ir do mais básico ao mais complexo, para não tirar a graça do que ainda estava por vir. Claro que, pra ele, era mais vantagem que a gente o contratasse pra um passeio de dia inteiro do que pra o de meio dia… O preço do passeio ao Vale Sagrado: 150,00 soles. 50,00 soles por pessoa seriam apenas 15,00 soles a mais do que o passeio feito de ônibus. Bem razoável.

Pressionadas pelo relógio, decidimos fazer o Vale Sagrado com esse motorista/guia e nem nos preocupamos de pedir a carteira de guia oficial dele pra conferir o registro. Concordamos que seria contraditório ir a Pisac no dia seguinte, domingo, principal dia de funcionamento do mercado, se queríamos fugir da multidão, de modo que seria melhor mesmo inverter a ordem dos passeios, deixando o City Tour para o dia seguinte. Decidimos também fazer o circuito de trás pra frente, evitando os grupos de turistas que já estavam fazendo o passeio nos ônibus naquele dia mesmo (e haviam saído às 9:00h da manhã, portanto, com 1 hora de vantagem em relação à gente).

Ainda houve um episódio chatíssimo, porque, depois de já estarmos no carro, Seu Carlos começou a nos oferecer outro passeio, organizado em dois dias, incluindo outros sítios arqueológicos que não fazem parte dos tours tradicionais. Até pareceu interessante, especialmente considerando o nosso roteiro de viagem, que previa tomar o trem para Machu Picchu em Ollanta, e ele poderia nos deixar lá para a nossa partida. Mas o fato é que não tínhamos tempo para pensar, fazer contas, e optamos pelo que tinha sido originalmente combinado. Seu Carlos achou que a gente não tinha aceitado a oferta por estar desconfiando dele – lá em Cuzco, fica mesmo difícil confiar de cara em taxistas e outros prestadores de serviços para turistas. Nessa hora, eu quase me arrependi de tê-lo escolhido como guia, mas, logo depois tudo voltou à perfeita paz.


Blogs de Viagem

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 108 outros seguidores