Não, não foi a promoção da TAM, com passagens a U$ 99,00 de São Paulo a Lima, que me levou a viajar para o Peru. Muito antes disso, uma amiga me falou de seu interesse em ir a Machu Picchu, e comecei a pesquisar informações para a viagem dela. Aí, descobri que o Peru não é só Machu Picchu e não demorou muito para eu resolver ir junto. Uma outra amiga juntou-se a nós depois.
A viagem foi toda decidida e comprada pela internet. Como duas de nós moramos na Paraíba, e a outra, no Rio Grande do Sul, trocamos muitos e-mails para poder formatar nosso roteiro e fazer as reservas. Escolhemos um roteiro mais “relaxado” do que o normalmente oferecido pelas agências de viagem. Ao invés de 5 ou 6 noites, optamos por 8 noites distribuídas entre Lima, Cuzco e Aguas Calientes (base para Machu Picchu). Nosso objetivo sempre foi fugir da multidão e, com mais tempo, poderíamos visitar com calma cada um dos destinos. Fechamos o seguinte roteiro:
Dia 01 – João Pessoa/POA – Lima
Dia 02 – Lima
Dia 03 – Lima – Cuzco
Dia 04 – Cuzco
Dia 05 – Cuzco
Dia 06 – Cuzco – Ollanta – Aguas Calientes
Dia 07 – Aguas Calientes (Machu Picchu) – Ollanta – Cuzco
Dia 08 – Cuzco – Lima
Dia 09 – Lima – João Pessoa/POA
As passagens foram compradas com a TACA por um preço que se tornou exorbitante depois da promoção da TAM, mas que, de acordo com o monitoramento que eu vinha fazendo até então, eram uma boa oferta. Compramos no Decolar. Quando saiu a tal promoção, a diferença era tão grande que pensamos em pedir o reembolso à Decolar e fazer a compra no site da TAM, mas a coisa não era tão simples: a passagem da TACA incluía um trecho interno (de Lima a Cuzco) que queríamos manter, e os horários dos vôos da TAM eram muito inconvenientes para nós, pois seria preciso passar a madrugada no aeroporto ou ir para São Paulo com mais antecedência (mas nenhuma de nós tinha tempo para isso) e ainda pagar diárias de hotel. Então, acabamos ficando com nossa escolha original.
Mas eis que, cinco dias antes da nossa partida, a TACA cancela o vôo que havíamos escolhido com tanto carinho! Correria para trocar as passagens de ida e volta de João Pessoa e Porto Alegre a São Paulo, e estresse, porque íamos passar a madrugada em Guarulhos justo no auge do pânico com a gripe suína (poderia haver lugar pior para fazer hora do que o saguão do principal aeroporto internacional do país??). Como não havia remédio (nem vacina), tivemos de aceitar o imprevisto…
Em março, bem antes de embarcar, também adiantamos a compra do trem para Machu Picchu, feita no site da Peru Rail. Durante o nosso planejamento, ficamos com medo de não conseguir o bilhete de trem, já que a opção para ir desde Cuzco estava praticamente esgotada desde fevereiro. Só depois da viagem consegui entender como a coisa funciona. É assim: desde que a Peru Rail passou a vender os bilhetes pelo site , as agências de viagem de Cuzco começaram a comprar muitos tickets com bastante antecedência para montar seus pacotes (antes, era possível reservar on line, mas a compra mesmo só era feita na estação de trem). Logo, sobram poucos lugares para os turistas independentes nos trens que partem de Cuzco.
Mas, nos trens que saem de Ollantaytambo, que está a uma hora e meia de carro desde Cuzco e para onde também se pode ir de ônibus, existe uma oferta bem maior de bilhetes, pelos quais as agências não têm muito interesse, porque preferem montar seus pacotes saindo de Cuzco. Então, adquirir as passagens desde Ollanta é mais tranqüilo.
Na ida, o trem em que viajamos era pequeno (apenas um vagão com cerca de 50 lugares) e mesmo assim não estava lotado. Na volta, o trem estava mais concorrido, mas ainda havia vagas. Então, acho difícil que alguém fique sem ir a Machu Picchu por falta de lugar no trem, até porque pode comprar um pacote com as agências. Na alta temporada (de junho a agosto), é que a coisa pode se complicar um pouco.
Os hotéis foram selecionados considerando principalmente as resenhas do TripAdvisor. Não usamos consolidadores para fazer as reservas, mas apenas para localizar ofertas melhores do que as oferecidas nos sites dos próprios hotéis e obtê-las diretamente. Deu certo! Os escolhidos foram:
em Lima: San Agustin Colonial (diária do quarto triplo: 91,80 dóares)
em Cuzco: Del Prado Inn (diária do quarto triplo: 100,00 dólares)
em Aguas Calientes: Wiracocha Inn (diária do quarto triplo: 70,00 dólares)
Segue um resumo aproximado dos nossos gastos “fixos”, em dólar:
Passagens aéreas GRU-LIM-CUZ-LIM-GRU: 656,00
Passagens trem Ollanta-AC-Ollanta: 113,00 (Vistadome ida e volta)
Ônibus para MP: 14,00 (ida e volta)
Hotel em Lima: 275,40 (91,80 por pessoa)
Hotel em Cuzco: 400,00 (133,33 por pessoa)
Hotel em Aguas Calientes: 70,00 (23,33 por pessoa)
Ticket de entrada em MP: 43,33 (o pagamento tem de ser feito em soles)
Boleto turístico Cuzco: 40,66 (o pagamento tem de ser feito em soles)
Pesquisamos bastante sobre a melhor forma de levar dinheiro para o Peru. Decidimos não levar muito dinheiro em espécie, já que nossos gerentes do Banco do Brasil (um de João Pessoa e um de Porto Alegre) disseram que daria para sacar diretamente de nossas contas, apenas pagando uma taxa de 2,5% do saque + 2,5 dólares por saque. Além disso, pretendíamos usar o cartão de crédito, porque achamos que a cotação do dólar já estava suficientemente estabilizada para isso.
Só que, chegando em solo peruano, veio a surpresa… Quando fomos fazer o primeiro saque, descobrimos que só poderíamos sacar 100,00 soles por vez, o equivalente a uns R$75,00. Até poderíamos fazer mais de um saque no mesmo dia, mas ficando sujeitas à cobrança de 2,5 dólares a cada saque… Logo depois dessa descoberta, liguei para a VISA no Brasil e me disseram também que havia uma limitação no valor total de saques, de R$ 1.200,00 (cartão Gold) e R$ 2.000,00 (Platinum). Essas relevantíssimas informações, nenhum dos gerentes nos passou! Enfim, mesmo assombradas pela miséria iminente, conseguimos nos virar com o cartão de crédito e uns poucos saques. Mas que o banco podia ter nos informado melhor, ah, podia!
Update: sobre o clima em Machu Picchu - No começo desse ano (2010), todo mundo viu as notícias sobre as chuvas em Aguas Calientes, que fecharam as trilhas para Machu Picchu e deixaram um monte de turistas presos na região por vários dias. Então, a recomendação é evitar ir àquela região nos meses mais chuvosos, de dezembro a março. O volume de chuvas cai drasticamente de abril em diante. Para mais detalhes, ver a média de precipitações por mês em Cuzco no Wunderground.
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