Projeto A Volta ao Mundo em 198 Livros

Quando vi esse post da Camila Navarro, do blog Viaggiando, fiquei imediatamente tentada a copiar o roteiro da viagem que ela está para começar, afinal, sempre sonhei com uma volta ao mundo (ainda que de forma meio alternativa): a proposta é ler um livro de cada um dos 193 países reconhecidos pela ONU e também dos dois estados-observadores desse ente (Palestina e Vaticano) e de Kosovo, Taiwan e Saara Ocidental, totalizando 198 livros.

A inspiração veio da Ann Morgan, que teve a ideia depois de se dar conta do quão reduzido era o espectro geográfico dos livros que costumava ler. A partir das justificativas dela, fui forçada à mesma constatação: minha estante é uma grande coleção de livros ingleses ou norte-americanos, passando por alguns brasileiros, franceses e russos. O resto é exceção. Uma vergonha!

E isso porque sempre gostei de ler. Não consigo lembrar quando surgiu esse gosto. No colégio, enquanto todo mundo achava um sacrifício ler uma pequena lista de livros obrigatórios, para mim, ela era só um ponto de partida. Uma coisa é certa: foram os livros que me fizeram ter consciência de que o mundo é muito maior e mais diverso do que o que está ao alcance dos meus olhos e que me instigaram a conhecer de perto outros lugares, outros modos de viver, a viajar.

Depois de descobrir tantos lugares por meio dos livros, já fiz as malas e comecei a me aventurar pelo mundo real, experiências maravilhosas e insubstituíveis. Mas eis que, não tendo (ainda!) conseguido percorrer o mundo inteiro, decidi tentar fazer essa viagem pela literatura e, fazendo o caminho inverso, trazer um pouco mais de cor e diversidade às minhas leituras.

Ao me propor essa expedição, terei uma limitação não enfrentada pela Ann Morgan e pela Camila, porque não leio em língua inglesa (bom, até leio, mas não com a fluência que uma leitura prazerosa exige). Isso tende a reduzir as minhas opções em relação a “destinos mais remotos” (pode até impedir algumas “visitas”…). Mas, do mesmo jeito que não falar inglês fluentemente ainda não me impediu de ir a nenhum destino, acho que vou encontrar uma solução adequada – quem sabe, procurando algum texto mais curto do que um romance inteiro –, para que a leitura não se torne cansativa. Enfim, quando a questão se tornar um problema, decido. Não sei se vou ter pique para concluir esse projeto, mas, até onde conseguir chegar, sei que valerá a pena.

Aproveitarei os planos já traçados pela Camila aqui e também irei acompanhá-la em cada destino sorteado. O primeiro será a República Tcheca, e a partida é no dia 01.08.2013, sem data para terminar!

Budapeste: roteiro de 3 dias

Percebi que uma grande quantidade de pessoas chega aqui no blog em busca de informações sobre Budapeste, então, resolvi transformar minhas anotações de viagem num roteiro para quem está se preparando pra visitar a cidade.

Eu estive em Budapeste duas vezes, sendo que, na primeira, não vi quase nada, porque precisei interromper minha viagem. A segunda foi quando pude aproveitar melhor a cidade. Assim, não vou descrever exatamente o que fiz, mas uma sugestão de como dividir os passeios em três dias.

Minhas impressões sobre transfer, transporte público e hospedagem ficaram nos comentários que viraram post do Viaje na Viagem.

Dia 01

Budapeste é uma cidade relativamente compacta e, se houver disposição, é possível visitar os principais pontos turísticos a pé.

Meu hotel, na segunda viagem, ficava perto da Ópera , e caminhar de lá até a colina de Buda foi bem tranqüilo.

Comecei o dia visitando a Basílica de Santo Estevão, a principal igreja católica da cidade e que está num ponto bem central.

De lá, segui em direção ao Rio Danúbio e atravessei a Praça Roosevelt (Roosevelt Ter). Nessa praça, há dois lindos edifícios, que merecem atenção: o do hotel Four Seasons e o da Academia de Ciências.

Cruzei o Rio Danúbio pela Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd), a mais famosa de Budapeste. Minha intenção era subir até o Castelo de Buda pelo funicular (siklo), mas ele estava em manutenção no dia. Subi a pé mesmo, e até gostei, porque do caminho se tem belas vistas do Parlamento.

No Castelo de Buda, funcionam alguns museus de belas artes e de história, mas eu decidi não visitá-los. Estava um dia bonito, e preferi passear por fora, aproveitando a vista da cidade, especialmente bonita a partir do Bastião dos Pescadores.

Ao lado desse monumento, fica a linda Igreja de São Matias. O exterior dessa igreja já impressiona, pelo teto de pastilhas coloridas (apesar dos andaimes de uma reforma em curso quando a visitei…), mas não imaginei que o interior pudesse ser também tão precioso, com as paredes inteiramente decoradas. Uma das igrejas mais bonitas que visitei, e as fotos não fazem justiça a ela!

Depois, caminhei pelas ruazinhas de Buda, cheias de casas coloridas, que preservam a arquitetura – e até a tranqüilidade – medieval. É fácil encontrar por ali um lugar interessante para fazer um lanche, tomar um café… As principais são a Uri utca e a Fortuna utca. No final dessa última, fica o Portão de Viena, de onde dá para pegar um ônibus até a estação de metrô mais próxima.

Nessa viagem, eu não fui até as termas do Hotel Gellert, pois já tinha entrado lá em uma passagem anterior por Budapeste. Mas essa é uma boa opção para continuar o passeio.

As termas têm uma linda decoração art nouveau e são uma visita imperdível para quem gosta desse tipo de arquitetura (e do banho turco também, é claro!). Da parte de trás do hotel, dá para ver as piscinas externas.

Do Hotel Gellert, é só atravessar a Ponte Szabadság para chegar ao Mercado Central, que, além de ter uma arquitetura linda, com o mesmo teto decorado por cerâmicas que é tão típico de Budapeste, é um ótimo local para conhecer os produtos locais: muita páprica, em todas as apresentações, e também para comprar souvenires.

Quase em frente ao mercado, começa a Vaci utca (não confundir com a Vaci ut, que é outro endereço). A Vaci utca é uma rua de pedestres, cheia de lojas de souvenires e cafés. O trecho mais próximo do mercado é o mais sem graça, pois predominam as lojinhas “pasteurizadas”, todas iguais, mas a rua vai ficando mais charmosa ao se aproximar da Vorosmarty Ter. Ali está um dos cafés mais tradicionais da cidade, o Gerbeaud.

Na praça e nos arredores, há várias opções de restaurantes e cafés para descansar depois de um dia de caminhadas pela cidade. Além de Gerbeaud, outros que testei nessa região foram o Café Anna, na Vaci utca, e o restaurante Duna Corso, já de frente para o Rio Danúbio, na Vigado Ter.

Outro, que não testei, mas que tinha anotado as recomendações era o Café Central.

Essa pode ser uma boa chance de provar uma das iguarias locais, o vinho Tokaji. A Hungria é produtora desse vinho doce de sabor excepcional. Não sabia disso na primeira vez que estive em Budapeste, até me dar conta de que qualquer lojinha de conveniência oferecia uma quantidade enorme de vinhos, o que deveria significar um gosto especial pela bebida. O Google rapidamente me ensinou um pouco sobre os Tokaji e localizei algumas wine stores. Fui a uma na Vaci utca, a Présház, onde o vendedor explicou vários detalhes sobre a escala de doçura dos vinhos, seu processo de fabricação e ainda provei algumas variedades – infelizmente, era de manhã cedo, e nem pude aproveitar muito! Também anotei a referência da Bortársaság, mas não cheguei a visitar a loja.

Dia 02

No segundo dia, é hora de visitar algumas das atrações mais afastadas do centro de Budapeste. Para isso, o metrô é bastante útil.

Comecei pela Praça dos Heróis, uma praça enorme, rodeada por estátua de personagens da história húngara. Para mim – e, arrisco dizer, para grande parte dos turistas –, que não conhecia a fundo a história húngara, o lugar não despertou muito interesse. Dos lados da praça, estão o Museu de Belas Artes e a Galeria Mücsarnok, que recebe exposições temporárias.

Ali perto fica o parque Városigled, uma das principais áreas de lazer de Budapeste. Fui até lá para ver o Castelo de Vajdahunyad, construído para ilustrar os vários tipos de arquitetura desenvolvidos ao longo da história húngara.

É lá que está a escultura do escritor anônimo, que aparece no filme Budapeste, baseado no livro de Chico Buarque. A estátua representa o autor do Gesta Hungarorun, o primeiro relato escrito da história do povo húngaro, cujo nome é desconhecido.

Nesse parque, também ficam as Termas Széchenyi, que tem algumas piscinas quentes ao ar livre e é uma das mais famosas da cidade, junto com as do Hotel Gellert. Mais para o fim do parque, está o restaurante Gundel, que é um dos mais antigos e tradicionais de Budapeste, mas eu não passei por lá num horário conveniente.

Depois do parque, uma boa opção é caminhar pela Avenida Andrassy, que alguns comparam com a parisiense Champs Élysées, mas eu não vi muita semelhança… É lá que fica a Terror Haz ou “Casa do Terror”, um museu que funciona no antigo prédio da polícia política húngara (eu deveria ter ido ao museu logo depois de voltar do parque, como estou sugerindo, mas preferi continuar aproveitando mais um dia de sol para passear na rua e não tive tempo de voltar depois).

Na Andrassy, também está a Opera Nacional. Aproveitei minha visita à cidade para assistir a um espetáculo ali e adorei, mas há visitas para quem não pretende ver uma apresentação.

Uma dica para quem viaja em março ou abril é verificar a programação do Festival de Primavera de Budapeste, pois há concertos, apresentações de música e dança diariamente.

A ópera já está pertinho do Bairro Judeu (Zsidó Negyed), mas dá para usar o metrô também, descendo na estação Deak Ferenk Ter. Nessa praça, fica a principal estação de metrô de Budapeste, onde as várias linhas se cruzam (por isso, esse também é um bom local para hospedagem). Para chegar à principal atração do bairro judeu – a Grande Sinagoga – , é mais fácil descer na estação Astoria, mas a minha intenção era caminhar um pouco pelas ruas do bairro.

Essa parte de Budapeste foi a mais marcante para mim. Os prédios ainda guardam os sinais da história recente da cidade, quando ali existia o gueto judeu. São prédios lindos, com uma arquitetura peculiar, mas muito degradados, alguns até mesmo com marcas de tiros em suas fachadas. É inevitável que esses prédios comecem a ser restaurados, principalmente porque estão numa área bem central de Budapeste – já havia alguns cafés e restaurantes bem moderninhos por lá –, e o bairro vai continuar lindo depois de uma renovação, mas eu gostei de vê-lo antes dessas mudanças. As ruas mais interessantes são: Anker koz, Kiraly, Sip e Dob.

A Grande Sinagoga está na Dohány utca. Esse é um dos pontos turísticos mais concorridos de Budapeste, mas a visita é tranquila. Além da sinagoga, há um museu e, nos fundos, uma interessante escultura em homenagem aos judeus vitimados pelo holocausto: em cada folha do salgueiro, o nome de uma pessoa.

Para o fim de tarde ou a noite, sugiro voltar à Andrassy ut, para aproveitar as opções da Liszt Ferénc Ter. Essa praça concentra vários cafés e restaurantes, com mesinhas na calçada, um lugar bem animado. É nessa praça que fica a Zeneakademia, uma sala de concertos muito tradicional e uma joia da arquitetura art nouveu (mas que estava fechada para reforma durante a minha viagem…).

Dia 03

Concentrei em um dia todos os passeios em lugares fechados. Costumo fazer isso quando planejo uma viagem para ter um plano no caso de pegar um dia de tempo muito ruim, do tipo que não dá pra passear na rua.

A impressionante sede do Parlamento húngaro é aberta para visitas, mas não tem como reservar com antecedência. Como eu queria muito conhecê-lo por dentro, segui as dicas da Mirella e as orientações do site do Parlamento. Valeu a pena acordar mais cedo para fazer essa visita.

Do lado de fora, vale aproveitar a linda vista do Castelo de Buda para algumas fotos. Próximo do Parlamento, na margem do Danúbio, há uma escultura de vários sapatos enfileirados, em homenagem às vítimas da Segunda Guerra Mundial que foram atiradas no Danúbio.

Se não tiver dado para visitar o Mercado Central no primeiro dia da viagem, essa é uma boa oportunidade. Depois do Parlamento, é só pegar o tram nº 2 para chegar até lá. Aliás, o tram nº 2 é ótimo para fazer um passeio por várias das atrações turísticas principais de Budapeste. Se você der a chance de sentar na janela, vai ver todo o panorama da cidade à margem do Rio Danúbio.

Na minha viagem, peguei um tempo tão bom que acabei não visitando nenhum dos vários museus que Budapeste oferece – e eu adoro um museu! –, mas deixo uma lista dos que tinham me interessado:

- Museu de Artes Aplicadas: nesse, ainda entrei rapidamente, embora não tenha tido tempo de ver o acervo. Mesmo assim, valeu a pena a visita relâmpago, só para ver mais um telhado revestido de pastilhas coloridas e o lindo hall central do prédio;

- Museu Nacional Húngaro: esse é um museu de história da Hungria;

- Museu de Belas Artes: museu de artes com obras nacionais e internacionais. Fica na Praça dos Heróis, sobre a qual falei no “dia 2”;

Com tempo bom, um passeio curioso é o Parque das Estátuas. Depois da queda do comunismo, ao invés de destruir as estátuas que eram símbolos do regime, os húngaros montaram um parque para exibi-las. Fica um pouco afastado do centro, por isso acabei desistindo, mas esse lugar despertou minha curiosidade quando assisti ao filme Budapeste, que tem uma cena onde uma imensa estátua de uma estátua de Lênin é transportada de barco pelo Danúbio com destino ao tal parque…

Para almoçar ou jantar por perto do Museu de Artes Aplicadas e do Museu Nacional Húngaro, indico qualquer lugar na Ráday utca, uma rua de pedestres com vários restaurantes charmosos e, se o clima permitir, mesas na calçada. Na minha primeira viagem a Budapeste, fiquei hospedada no Ibis Centrum, bem nessa rua, e posso dizer que aproveitei muito esses restaurantes. O hotel em si era bem antiguinho, precisando de uma renovada; em compensação, baratíssimo. No começo da rua, na Kálvin Ter, havia uma grande obra do metrô – não sei se continua –, o que não chegou a prejudicar o movimento da Ráday utca.

Essa é a minha sugestão para aproveitar três dias em Budapeste, mas é claro que, numa cidade tão autêntica, sempre surgirão desvios interessantes pelo caminho…

Dicas práticas para uma viagem à Rússia

Depois de escrever sobre Moscou, resolvi organizar este post de dicas práticas para quem está planejando uma viagem de forma independente para a cidade e também para São Petersburgo. Muitas dessas informações já estão espalhadas pelos outros posts, mas não custa ordenar tudo.

- A melhor época para viajar: marquei a minha viagem para a segunda semana de junho, pensando em fugir do frio, mas não dei muita sorte, porque peguei vários dias de chuva. Eu não escolheria ir à Rússia no inverno, pois não me dou muito bem com as baixas temperaturas – embora a paisagem coberta de neve combine muito bem com as cúpulas douradas e o colorido das igrejas ortodoxas. Li que a pior época para visitar o país é a primavera, quando a neve derrete e se transforma em lama pelas ruas, mas a Georgia deixou um comentário informando que não viu nada disso em sua viagem, feita em abril. Para mim, a maior vantagem de ter ido no começo do verão foi ter dias longuíssimos, com o sol se pondo depois das 22:00h. Se der para evitar feriados nacionais, é melhor. Meus dias em Moscou coincidiram com a semana de um feriado importante, o Dia da Rússia, comemorado em 12 de junho, e isso acabou afetando a visitação da Praça Vermelha (parcialmente fechada no dia 07.06 e totalmente fechada de 08 a 11.06, sem falar na festa propriamente dita, no dia 12.06) e do Kremlin (visitas apenas por meio de excursões).

- O idioma russo: em Moscou, é fato que poucas pessoas falam inglês, mesmo nos serviços voltados para turistas. Encontrei muitas pessoas que não conseguiam se comunicar em inglês trabalhando em restaurantes, cafés e museus, e isso não é privilégio dos mais velhos. A exceção ficou por conta do hotel, onde todos os recepcionistas falavam ótimo inglês.

A sinalização das ruas, estações de metrô e atrações turísticas é quase somente em russo. Aprender o alfabeto cirílico é essencial para conseguir se deslocar sem dificuldade, e isso é mais fácil do que parece, principalmente quando a gente para de simplesmente decorar as letras e passa a tentar entender as palavras. Não adianta tentar falar nada russo, porque, com o sotaque, você não será compreendido. Mas três palavras são realmente úteis (e todos entendem porque esperam que você as diga):

Здравствуйте (zdras-tvui-tzia) ou sua variante um pouco menos formal здравствуй (zdras-tvui): significam “olá”. É com uma dessas expressões que você vai ser recebido em todos os lugares;

Пожалуйста (pajálasta): “por favor”;

Спасибо (spâssíba): “obrigado”.

- Pesquisas na internet: durante o planejamento da viagem, é melhor consultar os sites em russo, e não em inglês, pois aqueles tendem a estar mais atualizados do que estes. Se eu tivesse feito isso, teria descoberto que o Kremlin só receberia excursões no período da minha viagem, e não visitantes independentes, e poderia ter contratado um passeio a tempo. Como só descobri essa informação durante a viagem, fiquem sem fazer essa visita… Para facilitar a tarefa, o Google Chrome faz a tradução automática das páginas.

- Transfer: contratei um transfer na minha chegada a Moscou pelo aeroporto Domodedovo, porque meu voo chegava muito cedo, às 5:00h da manhã, quando o trânsito não seria um problema. Usei a empresa Go-to.ru, bem indicada no TripAdvisor. Mas, para voos que chegam no meio do dia, usar o trem que leva ao centro da cidade é muito recomendável, porque o trânsito de Moscou é intenso (para não dizer insano). Todas as informações sobre o transporte para o aeroporto Domodedovo estão aqui. Os aeroportos de Sheremetievo e Vnukovo também têm serviços de trem semelhante.

- Dinheiro: o cartão de crédito é bem aceito nas lojas e na maior parte dos restaurantes. Para sacar rublos, usei um cartão VTM (Visa Travel Money) nos caixas automáticos espalhados por Moscou e São Petersburgo, mas também dá para usar o cartão de banco comum habilitado para saques no exterior. Nos museus e atrações em geral, não me lembro de ter usado o cartão nenhuma vez, por só aceitarem dinheiro, inclusive nas lojas dos museus. A exceção foi o Hermitage, em São Petersburgo, onde o cartão era aceito nas lojas (para comprar a entrada, não sei, porque comprei pela internet).

- Segurança: me senti bastante segura durante toda a viagem. Como viajei durante o verão, em Moscou, só começava a anoitecer mesmo lá pelas 22:00h e em São Petersburgo… bom, eram as noites brancas, em que praticamente não há noite fechada. Nessas condições, a sensação de segurança é maior. A ideia de que os russos bebem em excesso é totalmente verdadeira, vi muitos grupos bebendo pelas ruas mesmo e presenciei uma cena deprimente, de um senhor totalmente bêbado, no meio da tarde, catando comida nas lixeiras de um quiosque onde eu tinha parado pra lanchar. Mas nada causou problemas. Basta seguir o próprio caminho, que ninguém vem incomodar. Policiais corruptos pedindo propina… certamente aconteceu no passado, mas hoje isso parece ser uma lenda.

- Transporte entre Moscou e São Petersburgo: escolhi fazer essa viagem usando o trem de alta velocidade – SAPSAN – o que evita ter de se deslocar para um dos aeroportos de Moscou. A viagem foi ótima, num trem confortável, com direito a wi-fi durante todo o trajeto. A parte de venda de bilhetes no site das ferrovias russas não está traduzida para o inglês, mas isso não é problema na hora de fazer a compra, pois algumas almas caridosas que frequentam o fórum da Rússia no TripAdvisor fizeram tutoriais que permitem entender todos os passos da transação (e o Google Chrome também ajuda nessa hora). Aqui está um deles. Mas eu não consegui comprar a passagem com o meu cartão de crédito brasileiro, provavelmente por ele não ter a tecnologia Verified by Visa. Poderia ter deixado para comprar a passagem em Moscou, mas preferi garantir lugar no trem que eu queria, e usei o serviço de uma agência on-line, a Way to Russia, que, segundo as minhas pesquisas, era uma empresa confiável. Paguei uns 25 ou 30% a mais pelo serviço, mas foi o preço da tranquilidade, e tudo funcionou perfeitamente.

- Transporte urbano: quando pesquisava para essa viagem, li que os táxis não são fáceis de usar, pois não têm taxímetro, e o preço depende de uma negociação, que fica muito desfavorável para um turista que não fala russo. Além disso, qualquer carro é um táxi em potencial: se o passageiro fizer um sinal na rua, qualquer carro pode parar e negociar o preço da “corrida”, e isso não é ilegal. Deixei de lado essas opções e fiquei com o transporte público. Em Moscou, usei o metrô, já que o trânsito da cidade é lento demais para os ônibus. Esse post do TripAdvisor ensina tudo o que é preciso saber para usar o metrô de Moscou.

Em São Petersburgo, onde as atrações turísticas estão mais concentradas, quase não usei o metrô, mas usei bastante os ônibus para ir do hotel ao Teatro Mariinsky (eu fui a vários espetáculos). O pagamento do bilhete de ônibus merece uma menção especial: nunca vi um sistema mais ineficiente! Umas senhorinhas ficam circulando dentro do ônibus, e você paga a passagem a elas (convém ter o valor exato). Quando o ônibus está vazio, é fácil, mas, se estiver cheio e o seu percurso for curto, há sério risco de não conseguir pagar (e de alguém pensar que você não QUER pagar…). Sei que existe um cartão magnético também, mas não consegui descobrir como comprar e se vale a pena para turistas.

- Atravessar a rua: principalmente em Moscou, existem várias avenidas que são intransponíveis pela superfície. Melhor do que correr o risco de atropelamento é procurar uma passagem subterrânea (sempre há uma perto das esquinas). Essas passagens são bastante movimentadas e em algumas delas, há vários quiosques de lanches, roupas, eletrônicos… o equivalente aos nossos camelôs.

- Igrejas ortodoxas: nessas igrejas, a mulher deve cobrir a cabeça em sinal de respeito. Eu só visitei as igrejas mais turísticas tanto em Moscou quanto em São Petersburgo, e isso não foi necessário, mas convém ter um lenço na bolsa para evitar qualquer problema.

- Gorjetas: em geral, não se espera gorjeta para serviços pelos quais você já está pagando um preço, como motoristas, camareiras etc. Mas em hotéis de redes internacionais, os costumes já são ocidentalizados… Em Moscou, fiquei num hotel da rede Accor, e a gorjeta foi bem recebida. Em São Petersburgo, meu hotel era mais básico, de uma rede local, e a camareira simplesmente não pegava a gorjeta que eu deixava, mesmo com bilhetinho de agradecimento e tudo, pra não deixar dúvidas! Na única excursão que fiz, percebi que a maioria das pessoas não deixou gorjetas para a guia e o motorista, mas eu deixei e ela ficou muito agradecida.

- Fotografia em museus: a maior parte dos museus que visitei permite fotografar suas obras, desde que você pague um valor adicional por isso. Mas é preciso se lembrar de pedir o ingresso com a “permissão” especial, porque essa opção não vai ser oferecida espontaneamente. No Hermitage, em São Petersburgo, quem compra o bilhete pela internet já tem essa opção incluída automaticamente.

- Dicas de leitura: gosto de me preparar para uma viagem lendo um pouco sobre a história local, e alguns livros foram essenciais:

Com Vista para o Kremlin, de Vivian Oswald: é o relato de uma jornalista brasileira que viveu por dois anos em Moscou, indispensável para saber um pouco sobre as diferenças culturais entre russos e brasileiros. Parece ser uma leitura bem popular entre turistas brasileiros que visitam a Rússia, pois dois casais que conheci durante a viagem também tinham acabado o livro.

Os Últimos Dias dos Romanov, de Helen Rapapport: o título é autoexplicativo, mas, além de descrever os meses que a família do último czar russo, Nicolau II, viveu na Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, o livro traça um perfil de cada um dos membros da família. A reconstituição desse período é bem realista – e, por isso mesmo, um pouco ficcional -, e emocionante.

O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgakov: ouvi falar desse livro ao ler o da Vivian Oswald, e era exatamente o que eu precisava: um romance que se passa em Moscou, já sob o regime comunista (tudo o que eu conhecia da literatura russa era do período anterior, ainda durante o império, ou retratava a própria Revolução Russa…). O Mestre e Margarida foi censurado durante muitos anos. O livro tenta disfarçar suas críticas ao regime recorrendo ao realismo fantástico, mas não consegue esconder seu feitio, afinal conta a história do dia em que o diabo em pessoa resolve visitar Moscou…

Viagem a Tralalá, de Wladimir Kaminer: esse, comprei já em Lisboa, a caminho de Moscou. O autor conta histórias suas e de seus amigos, todos tentando emigrar da Rússia para o ocidente no final da era comunista. Divertidíssimo!

Os Russos, de Angelo Segrillo: comprei depois que cheguei de viagem e acabei não lendo, mas resolvi indicar porque adoraria ter lido antes. Traz um resumo da história, cultura e costumes da Rússia e de seu povo.

A Nova Moscou*

O último dia em uma cidade é hora de estabelecer prioridades e admitir que não vai dar tempo de ver tudo o que estava nos planos (pra mim, nunca dá!).

Eu queria evitar a Praça Vermelha e a Avenida Tverskaya, porque era o Dia da Rússia e estava programada uma grande manifestação dos opositores do presidente Putin, com uma caminhada desde a Triumfalnaya Ploschad até a Praça Vermelha.

Minha prioridade absoluta foi a Nova Galeria Tretyakov. Dessa vez, ao invés de ir pela estação Polianka do metrô, resolvi chegar ao museu pela estação Oktyabraskaya. Foi bem mais fácil de achar o caminho, e ainda passei por essa enorme estátua no final da Leninsky Prospekt.

O acervo da Nova Galeria Tretyakov abrange obras de arte russa moderna e contemporânea. É aqui que estão as obras do realismo socialista, que serviam à propaganda do regime comunista. Mais uma vez, fiquei encantada com o acervo e preciso registrá-lo aqui:

Meu plano para depois da galeria era ir ao Parque Gorki, quase em frente ao museu. Esse é um parque muito popular em Moscou, e estaria bem animado por causa do feriado. Mas estava se formando uma grande tempestade, com muito vento e nuvens negras, então decidi para o hotel para deixar os livros (pesadíssimos!) que tinha comprado na galeria e ver como o clima ia ficar.

Não demorou para começar a chover, e aproveitei o tempo para finalmente entrar nas lojinhas de souvenir na rua Arbat, que até agora eu tinha visto só por fora.

Todas vendem quase os mesmos produtos e acho que a maioria deles é feita na China mesmo. Então, não vale a pena passar muito tempo olhando cada uma. É escolher as lembrancinhas, barganhar o preço e comprar.

Como a chuva não passava, desisti de outros passeios ao ar livre e fui visitar o Museu Pushkin de Belas Artes. O museu surgiu no início do século XX. Atualmente, o acervo está dividido em três prédios, mas visitei apenas o prédio principal, onde está a coleção de antiguidades e de esculturas clássicas e renascentistas. Muitas dessas esculturas são apenas cópias. É que, antes da criação do museu, essas cópias pertenciam à Universidade de Moscou e eram usadas pelos estudantes de belas artes em seu aprendizado. Essas coleções foram a origem do Museu Pushkin.

Nesse dia, o museu estava bastante cheio, acho que todo mundo estava fugindo da chuva, e isso não contribuiu para a qualidade da minha visita… Eu provavelmente teria gostado mais dos outros dois prédios, dedicados à pintura européia. Quando comprei o ingresso, achei que os prédios fossem interligados e que o ingresso servisse para todas as coleções, mas não é assim: para cada galeria, um ingresso. Não tive tempo de visitar as outras duas, mas, em compensação, o tempo estava aberto quando saí e percebi que conseguiria fazer um último passeio pela cidade.

Minha intenção era fazer o passeio de barco pelo Rio Moscou organizado pelo Hotel Radisson. De acordo com o que tinha lido no site, a saída do barco era em frente ao Hotel Ukraina, então, peguei o metrô para descer na estação Kievskaya.

Mas antes, fui aproveitar a vista da passarela de pedestres sobre o rio, a ponte Bogdana Khmelnitskogo, e vi outro cais de onde saem outro barcos de passeio pelo rio.

Acabei escolhendo um desses mais básicos, com medo de não chegar a tempo até o Hotel Ukraina. No mapa, a distância parece curta, mas, em se tratando de Moscou…

O barco não tinha nem de longe o luxo dos do Radisson (que aparecem na foto abaixo), mas acabou sendo um ótimo passeio!

O roteiro começa na Praça Europa, e logo da saída, dá para ver a Casa Branca, que já foi sede da Duma, o parlamento russo, e hoje é a sede do governo…

… e a City, uma espécie de distrito financeiro de Moscou, ainda em construção (e o contraste com o barco ferro-velho é tão familiar a nós, brasileiros…).

Passa pelo Convento Novodevichy…

… e pelo parque Vorobevy Gory, locais onde eu tinha estado no dia anterior,

… e pelo Parque Gorki, onde os locais aproveitavam o dia de verão.

Depois de cruzar várias pontes, a gente chega até a parte mais central de Moscou, passando pela antiga fábrica de chocolates Red October…

… a estátua de Pedro, o Grande (menos horrível sob a luz do fim da tarde)…

… pela Catedral de Cristo Salvador…

… até chegar ao Kremlin e à Praça Vermelha.

Alguns passeios se estendem até o Convento Novospasky, como o que a Lili fez e mostrou nesse post. Mas o meu só foi até o edifício Kotelnicheskaya, que é uma das Sete Irmãs. Não sei se o roteiro é sempre esse, pode ser que tenha sido encurtado por causa do horário (embora não pareça, já eram 21:00h), e o convento não estava mais aberto a visitação.

Esse passeio é ótimo para se ter uma visão geral de Moscou e para se orientar melhor sobre a geografia da cidade. Estava nos meus planos para o começo da viagem, mas, com os dias chuvosos, fui adiando até o fim. Acabou sendo a forma perfeita de encerrar meus dias em Moscou e de me deixar com vontade de voltar…

*Nova Moscou (1937) é o título desse quadro de Pimenov, hoje exposto na Nova Galeria Tretyakov, e foi o meu preferido nesse museu. Ele mostra uma Moscou vibrante e luminosa, exatamente como a que vi no meu último dia na cidade.

Um dia de sol em Moscou

Desde o meu segundo dia em Moscou, minha câmera vinha apresentando falhas, no começo, de forma intermitente, mas foi piorando até eu não conseguir mais usá-la. Vinha resistindo à ideia de comprar outra, porque os preços na Rússia não são nada convidativos, mas ainda teria 10 dias no país e não podia prescindir de uma câmera para registrar tudo o que ainda tinha para ver.

Pela internet, achei uma loja de produtos de fotografia e fui às compras no Shopping Europa. A ida ao shopping acabou sendo produtiva, pois vi que lá havia vários guichês de venda de bilhetes do passeio de barco do Hotel Radisson, que eu ainda pretendia fazer.

Resolvido esse problema, aproveitei o dia ensolarado para fazer alguns passeios ao ar livre que vinha postergando por causa do mal tempo.

A primeira parada foi o Convento Novodevichy. O caminho desde a estação de metro Sportivnaya é bem sinalizado e, mesmo sendo uma segunda feira, havia vários turistas fazendo o mesmo passeio.

Não vi nada muito interessante nas exposições mantidas no museu do convento, talvez por as legendas serem apenas em russo e limitarem a nossa compreensão do acervo. Então, poderia até ter dispensado o ingresso, que não é necessário para passear na parte externa do convento.

O que vale mais a pena é dar a volta no lago que fica no parque vizinho. Do outro lado do lago, a vista das cúpulas douradas do convento é linda!

Depois, segui para o cemitério de Novodevichy, este sim, um lugar interessantíssimo. A decoração dos túmulos impressiona. Apesar de ter uma listinha das figuras ilustres enterradas ali, não me prendi a isso. Só de observar a decoração das sepulturas, dá para perceber que ali estão sepultadas muitas vítimas de guerra,  artistas e… astronautas.

Aproveitando que o tempo continuava firme, segui para visitar um lugar que ainda era uma de minhas prioridades nessa viagem: o mirante da Universidade Estatal de Moscou. Foi de longe um dos meus lugares preferidos na cidade!

Quando estava planejando a viagem, li no Tripadvisor que a melhor estação do metrô para fazer esse passeio era a Vorobevy Gory, mas, no Google Maps, ela fica no meio de uma ponte sobre o Rio Moscou. Pesquisando mais, descobri que é isso mesmo: a ponte tem dois andares, e num deles fica a estação de metrô. De lá, já se tem uma bela vista da cidade.

A saída da estação é no meio de um bosque. Para chegar ao mirante, é preciso subir por uma trilha.

O caminho é bem estruturado (tem pavimentação e escadas), só que sem nenhuma sinalização. Mas, seguindo o instinto – e o fluxo de gente fazendo o mesmo passeio – dá pra chegar lá em cima.

A vista de Moscou compensa. Lá de cima, a gente percebe como a cidade é essencialmente cinza, mas pontuada pelas cúpulas douradas das igrejas.

O mirante está bem de frente para o Estádio Luzhniki, palco das Olimpíadas de 1980, e de lá dá para ver os 7 arranha-céus de Stalin, chamados de Sete Irmãs, mas um desses prédios está às nossas costas: é a Universidade Estatal de Moscou.

Fui caminhando até os pés desse edifício gigante para ver os detalhes da fachada. O que mais chama a minha atenção nas Sete Irmãs não é a altura desses prédios, já que existem outros bem mais altos, mas a sua extensão. Eles ocupam uma área enorme, parecem indestrutíveis, inabaláveis. São construções feitas para intimidar e, pelo menos comigo, a mensagem funciona direitinho…

Depois de ficar um tempo observando o prédio e as pessoas aproveitando o dia de sol nos jardins da universidade, voltei para o metrô e cruzei a cidade até seu outro extremo, para ver mais alguns marcos da era soviética: o Museu da Cosmonautica, o Hotel Cosmos e o Centro de Exposições de Toda a Rússia (VDNKh), que estão todos bem próximos entre si.

Saindo do metro (estação VDNKh), já dá para ver o museu. Não tinha muito interesse pelo acervo, mas estava muito curiosa para ver o museu por fora, porque o monumento em homenagem aos astronautas russos é muito interessante e de perto, ainda mais, pois a estrutura é bem maior do que eu pensava.

Do outro lado da rua, está o Hotel Cosmos, um imenso hotel – tem mais de 1.600 quartos –, construído para as Olimpíadas de 1980. O ideal seria vê-lo à noite, quando sua iluminação estivesse funcionando, só que eu não consegui fazer isso nessa viagem, com a noite caindo só depois das 10:00h.

Fui caminhando para o lado do Centro de Exposições de Toda a Rússia, mas desisti de entrar. Era véspera do feriado do Dia da Rússia, e o povo já estava em plena comemoração. O parque estava lotadíssimo, e eu preferi evitar a multidão. Acabei indo embora sem ver de perto a escultura Operário e Camponesa de Kolkhoz, (mas depois acabei vendo uma miniatura dela na Nova Galeria Tretyakov, que visitei no dia seguinte). Peguei o eficientíssimo metrô mais uma vez e em menos de meia hora já estava de volta à familiar Arbat.

Metrô de Moscou: muito além de um meio de transporte

Reservei a minha manhã de domingo em Moscou para visitar algumas estações de metrô, aproveitando que estariam mais vazias no fim de semana.

O metrô de Moscou é uma das atrações mais famosas da cidade, porque, além do aspecto utilitário, a ideologia comunista entendia esse espaço como sendo os “palácios do povo”. Por isso, muitas das estações têm uma arquitetura suntuosa e rebuscada, buscando transmitir o poder do Estado, e são cheias de símbolos e imagens da propaganda do regime comunista.

Apesar de tudo o que eu tinha lido sobre o metrô, não pude deixar de me impressionar com o que vi. Não só a beleza de algumas estações – e o exagero de outras! – chamou a minha atenção: a extrema limpeza do metrô foi o que mais me surpreendeu. Todas as estações por que passei eram muito bem conservadas e imaculadamente limpas, ao contrário de outros sistemas de metrô que já vi mundo afora. O único lixo que vi – e esse é onipresente em toda a cidade – foram garrafas de bebida abandonadas, mas nada de papel, resto de comida, cigarros jogados pelo chão, e muito menos animais…

Fiz um roteirinho sugerido no meu guia Lonely Planet Moscou, parando em quase todas as estações sugeridas. As minhas preferidas foram:

Arbatskaya

Komsomolskaya

Novoslobodskaya

Prospekt Mira

Kievskaya

Ploshchad Revolutsii

Mayakovskaya

(Eu sei que vou parecer repetitiva, mas, se alguém chegou aqui no blog procurando informações práticas sobre como usar o metrô de Moscou, o melhor lugar para encontrar respostas é o post do Trip Advisor, que já citei várias vezes aqui).

Depois que terminei de ver o metrô, subi à superfície, e o tempo tinha virado completamente. O dia que tinha começado ensolarado virou uma tempestade, e eu decidi ir ver a Nova Galeria Tretyakov, um segundo prédio da Galeria Tretyakov, sobre a qual falei num outro post.

Tomei o metrô mais uma vez, desci na estação Polianka e… fiquei totalmente perdida! Essa estação está numa área mais residencial, e não consegui localizar em que direção devia seguir para chegar à galeria. Debaixo de uma chuva torrencial, saí caminhando para tentar me localizar a partir da esquina mais próxima, mas, ou o meu mapa omitia algumas ruas, ou elas tinham outro nome. Naquela chuva, a rua estava vazia. Ainda encontrei um senhor para pedir ajuda, mas, apesar da boa vontade dele, não consegui fazê-lo entender onde eu queria chegar. Quando eu falava “Tretyakov”, com meu melhor sotaque russo, ele achava que eu queria ir à Galeria Tretyakov, o outro prédio que eu já havia visitado antes, e não à “Nova Galeria Tretyakov”. E quando eu apontava no mapa o local da “Nova Galeria”, ele achava que eu estava apontado para o lugar onde estávamos parados… Como a chuva não diminuía e eu não conseguia entender mesmo o caminho, decidi voltar para o metrô antes de me perder ainda mais.

Todos os meus planos para o resto do dia envolviam parques e monumentos, nada que combinasse com chuva, então, troquei-os por um momento de “férias das férias”: passar a tarde num café, acompanhada de uma boa leitura. Pra mim, é a maior vantagem do slow travel, poder matar tempo sem culpa!

Nessa noite, fui assistir a uma apresentação do Ballet Bolshoi no segundo teatro deles, que fica bem próximo ao principal.

Não sei se estava com expectativas exageradas ou se estou sendo exigente demais – se bem que, pelo preço que paguei, tinha direito de esperar muito! -, mas não fiquei satisfeita com o espetáculo. Saí com a impressão de que era “coisa pra turista”. Mesmo sendo um espetáculo menor, composto de trechos de vários ballets, pensei que veria uma boa apresentação, afinal, o Bolshoi tem um nome a zelar… Mas, não. Eu não voltaria a ver um ballet no teatro secundário, mas, se fosse no principal, acho que a curiosidade seria mais forte…

De como passei 6 dias em Moscou e não visitei o Kremlin

Depois de dois dias perambulando a pé por Moscou, achei que já era hora de enfrentar o metrô, até porque eu precisaria dele para voltar para o hotel depois do teatro nessa noite. Ah, se eu soubesse que ia ser tão fácil, teria poupado bastante tempo…

Nessa ponto, eu já estava bem treinado para ler o cirílico, então foi muito fácil me entender com o metrô. Todas as estações são muito bem sinalizadas (em russo, evidentemente) e basta ter o nome da estação de destino nessa língua para conseguir se deslocar. Eu nasci sem GPS, mas mesmo assim não me perdi nenhuma vez dentro do metrô de Moscou (dentro, porque fora dele aconteceu…). O tutorial do TripAdvisor é o guia definitivo para usar o metrô de Moscou, por isso me abstenho de outros comentários.

Tinha separado esse dia para visitar o Kremlin e teria sido perfeito, porque finalmente havia sol em Moscou! Mas essa foi a grande frustração da viagem…

Ao chegar lá, soube que, por causa do feriado do dia 12.06 – sempre ele –, o Kremlin só estava recebendo visitantes individuais para o Fundo de Diamantes (ou era para a Sala de Armas, já nem me lembro).

Havia confiado numa informação que li antes de viajar no fórum do TripAdvisor, de que o Kremlin estaria aberto a visitação mesmo no período em que a Praça Vermelha ficaria fechada para a preparação das comemorações do Dia da Rússia. As visitas só ficariam suspensas no próprio dia 12 de junho.

Só que essa era uma verdade parcial, porque a visita ao “conjunto arquitetônico do Kremlin”, ou seja, ao interior das muralhas, para ver as igrejas e palácios, só estava disponível nesse período para grupos organizados (excursões), e não para visitantes individuais, como era o meu caso.

Eu só consegui entender que havia essa possibilidade quando entrei na página do Kremlin em russo e traduzi, porque, na página em inglês, não havia informação nem mesmo sobre o fechamento, e na própria bilheteria, havia um cartaz informando somente que as visitas estavam restritas ao Fundo de Diamantes (ou Sala de Armas, não me lembro bem), sem nenhuma referência à possibilidade de fazer o passeio com um grupo organizado.

Ainda pedi ajuda no hotel para conseguir me encaixar em uma excursão, mas nem me deram muita esperança, pois já fazia alguns dias que não conseguiam lugar para outros hóspedes, porque todos os passeios estavam lotados… E não conseguiram mesmo.

O resultado é que passei 6 dias em Moscou e não entrei no Kremlin!

Ainda poderia ter visitado pelo menos a parte que estava aberta para visitantes independentes (Fundo de Diamantes ou Sala de Armas), mas o fato é que eu não tinha muito interesse em visitar essas coleções, queria mesmo era ver o interior das muralhas, as igrejas, os palácios…

Ficaram duas lições: 1) é melhor consultar sempre o site russo das atrações turísticas, porque a chance de estar atualizado é maior (usando o Google Chrome, que faz a tradução automática do russo, fica bem fácil); e 2) se tem um passeio que você considera essencial para fazer, é melhor reservar uma excursão ou pelo menos um passeio com guia, porque essa pessoa ficará encarregada de descobrir todas as informações sobre horários e datas de funcionamento, e até pode conseguir uma maneira alternativa de fazer o passeio.

Nesse dia, eu fiquei bem decepcionada de ir tão longe e não poder visitar uma das principais atrações turísticas da cidade – mesmo ficando lá durante 6 dias! –, mas pelo menos, tenho um motivo muito justificável para voltar a Moscou!

Depois desse contratempo e das minhas idas e vindas para tentar resolver a questão, meu dia acabou ficando um pouco curto, também por causa da ida ao teatro (o espetáculo começava cedo, às 19:00h).

Aproveitei o tempo bom para passear por duas das principais avenidas do centro de Moscou, a Tverskaya Ulitsa (e seus arredores) e a Novy Arbat.

A Tverskaya é uma grande avenida, que conserva alguns prédios históricos, muitos deles ainda com marcas do período comunista.

Falei um pouco sobre essa região num post anterior, pois é a mais recomendada para hospedagem em Moscou. Nas ruas próximas, principalmente a Petrovka e a Stoleshnikov, ficam as lojas mais sofisticadas, de estilistas internacionais. A Kamergersky perelouk é uma rua de pedestres com restaurantes e cafés.

Passei também pela Lubyanka Ploschad, onde está a antiga prisão de Lubyanka, sede da KGB, hoje, sede do Serviço Federal de Segurança, pela Teatralnaya Ploschad, praça em frente ao Teatro Bolshoy, e pela Ploschad Revolyutsii.

A Novy Arbat é uma grande avenida que liga o Kremlin à Casa Branca, a sede do governo da Rússia atualmente. Ela não tem nada de turística, mas é interessante caminhar por ela para entrar em supermercados e lojas comuns e observar o dia a dia das pessoas da cidade.

À noite, fui à ópera. Não sou fã do gênero, mas, numa apresentação ao vivo e sendo uma dessas montagens mais conhecidas, até gosto. Eu queria mesmo era entrar no Teatro Bolshoy, mas, como não tinha nenhuma apresentação de ballet nesse teatro nas datas em que estaria na cidade, o jeito foi ir à ópera mesmo.

Comprei a entrada pelo próprio site do teatro, mas não havia muita disponibilidade, mesmo eu tendo buscado com bastante antecedência. Em minhas pesquisas, descobri que se deve comprar somente do site oficial, pois os atravessadores às vezes cobram comissões abusivas, de 30 a 50% do valor do bilhete. Mesmo no site do teatro, os ingressos não são baratos. O programa costuma ser anunciado cerca de 3 meses antes da data do espetáculo, que é a antecedência certa para procurar por bilhetes.

Acabei adorando a experiência! O espetáculo era Turandot. Não tenho muito parâmetro para avaliar a qualidade da montagem, mas gostei dos cantores, e a música é dessas que estão no inconsciente coletivo, todo mundo conhece. O ideal é ler um pouco sobre o espetáculo antes, porque legendas em russo são inuteis! O teatro é realmente lindo e está muito bem cuidado, depois da reforma que terminou no ano passado. Achei que valeu muito a pena.

Não tenho muitas fotos desse dia, e boa parte delas foi feita com o IPhone, porque a minha câmara começou a dar problema – ela acabou parando de funcionar totalmente no dia seguinte. Definitivamente, eu não estava com muita “sorte”…


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